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Fernanda Nia lança segundo volume da série de tirinhas Como eu realmente

Em entrevista, jovem quadrinista fala sobre referências, feminismo e mulheres nos quadrinhos

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postado em 15/07/2015 13:43 / atualizado em 15/07/2015 19:21

Luiz Gonçalves
Fernanda Nia, 25 anos, começou a desenhar na infância, copiando imagens de mangás. De lá para cá, a carioca conquistou 100 mil curtidas no Facebook com o projeto Como eu realmente. O blog surgiu em 2011, quando Fernanda cursava o último ano de publicidade e propaganda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

As tirinhas publicadas retratam as diferenças entre imaginação e realidade em diversas situações do cotidiano da personagem Niazinha. O trabalho virou livro pela Editora Nemo em 2014, e o segundo volume da coletânea, Como eu realmente 2, chegou às livrarias este ano. Confira abaixo a entrevista com a autora.

Quais são as referências que influenciam o seu trabalho?
Desde pequena eu gostava muito de ler mangá, hoje eu acredito que minhas referências sejam mais diferentes. Eu gostava muito de Sakura Card Captors, Sailor Moon e animes, hoje em dia eu acompanho ilustradores, como Will Tirando, Ricardo Tokumoto, Maurício de Souza, são vários artistas.

 


O que a Niazinha tem em comum com você? Os leitores costumam te confundir com a personagem?
Essa é uma pergunta difícil, porque é muito complicado delinear o que é diferente. Todo autor coloca um pouco de si no trabalho, então ela é um pouco baseada em mim, nas minhas impressões. Mas por outro lado, ela é um personagem, não sou eu. Em vários momentos, preciso colocar algo exagerado ou mostrar uma situação de vida em que não estou mais, como no colégio ou na faculdade. Às vezes, coloco uma reação que eu não teria na vida real porque sei que o público vai se identificar. Os leitores confundem, de vez em quando, comentam: “Não acredito que você fez isso!”, mas não é nada prejudicial.

Qual é o perfil dos seus leitores?
Muita gente acha que, por ser um traço mais delicado e por ser uma bonequinha, é algo infantil e feminino. Tem criança de 6 anos e pessoas de 50 e 60 que me falam que são exatamente aquilo que lêem nas tirinhas. A maior parte do meu público tem de 19 a 21 anos e é feminino, mas também tenho muitos leitores do gênero masculino.

 

Muitas das suas tirinhas têm uma temática feminista. É intencional?
Eu tenho a intenção sim. Acredito que, mesmo com um público pequeno, toda pessoa é uma formadora de opinião. Então você tem o papel de passar uma mensagem boa, principalmente para os mais novinhos, até porque tem um pessoal de 12 a 19 anos que lê minhas tirinhas. Sou feminista e tento, sempre que possível, passar de uma forma bem sutil mensagens sobre gênero e diversidade.

 

 

Você chegou a receber alguma crítica por tratar desse tema?
A tirinha mais polêmica foi a primeira que fiz sobre feminismo. Eu não tinha lido muito sobre o tema, apesar de ter noções básicas. Era uma tirinha em que aparecia uma imagem daquela feminista clássica, que não depila as axilas, gritando “morte aos homens”. Essa tirinha deu muita polêmica, porque poderia dar a entender que aquele tipo de feminismo era errado. A imagem rodou a internet, teve milhões de compartilhamentos. Eu não me expressei bem, era um tema muito delicado. Agora aprendi a ser mais sutil e a tomar muito cuidado para não ofender.

 

Muitos quadrinistas costumam adotar uma postura defensiva quando são criticados. Como você lida com críticas?
A primeira reação é você ficar irritado porque alguém está reclamando do seu trabalho. Depois de você pensar de cabeça fria, percebe que, se foi você que colocou o trabalho lá e houve algum erro de interpretação, a culpa é sua. Essa é uma parte muito importante de você saber lidar com o público: não sair atacando ou negando o problema, porque isso pode piorar sua imagem.

 

 

 

Você sofre algum preconceito dentro dos quadrinhos por ser mulher e adotar um estilo tradicionalmente considerado feminino?
Normalmente sim, porque nosso mercado de quadrinhos é muito controlado pelos homens e julgado pelos homens. Eles vêem uma personagem feminina e cores fofinhas e tratam como subgênero. Por ser feminino, é visto como ruim ou não importante. Como os quadrinhos não têm uma divisão tão forte de temas quanto na literatura, o crítico que gosta de Batman é o mesmo cara que vai analisar meus quadrinhos e os da Bianca Pinheiro. Os públicos são muitos diferentes, então a gente é um pouco excluída do mercado de quadrinhos. Tem gente que fala que só devíamos fazer comics, com temas sérios. Para mim, tem que ter espaço para todo mundo.

 

Título: Como eu realmente 2
Autora: Fernanda Nia
Páginas: 80
Preço: R$29,90
Editora: Nemo
Coletânea de tirinhas publicadas no blog Como eu realmente, que mostram o cotidiano visto pela imaginação fértil da personagem Niazinha.

 

Confira outros lançamentos infantojuvenis:


Título: Os dois mundos de Astrid Jones
Autora: A.S. King
Páginas: 288
Preço: R$34,90
Editora: Gutenberg

O livro conta a história de Astrid Jones, uma garota de 17 anos que está cansada da cidade de interior conservadora onde mora. Astrid busca refúgio nas aulas de filosofia e observando aviôes cruzarem o céu do jardim de casa.

Título: Com amor, a garota chamada Estrela
Autor: Jerry Spinelli
Páginas: 232
Preço: R$29,90
Editora: Gutenberg
Em a continuação de A extraordinária garota chamada estrela, Estrela se muda do Arizona para Pensilvânia e deixa para trás a escola e seu namorado, Leo. No novo estado, ela conhece figuras peculiares como a vizinha Dootsie, uma menina falante de 5 anos, Betty Lou, uma senhora com agorafobia que não sai de casa há nove anos.

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