Festival Universitário

Universitários ocupam telas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O 1º FestUniBrasília fortalece ponte entre estudantes de cinema e o festival, cuja 50ª edição encerrou ontem

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postado em 25/09/2017 22:47 / atualizado em 27/09/2017 13:46

 

Nada de futuro do cinema. Os estudantes de audiovisual de todo país já fazem filme de qualidade. No 50º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, houve até aluno que tirou prêmio de veteranos da indústria na capital. Encerrado ontem (24), o festival agitou os últimos nove dias dos amantes da sétima arte e, em especial, o sonho daqueles que almejam se tornar cineastas. Diante de um público variado do Cine Brasília, jovens dividiram tela com os próprios professores e profissionais da área já consagrados. Lá, demonstraram inventividade e maturidade ao tratar de questões políticas e sociais. O repertório dos discentes incluiu documentários, ficções e videoarte, evidenciando versatilidade.


A visibilidade das obras se deu em maior parte com o Festival Universitário de Cinema de Brasília (FestUniBrasília), que, na 50ª edição marcou o fortalecimento da relação entre universitários e o evento. Sonho antigo da professora de Faculdade de Comunicação na Universidade de Brasília (FAC/UnB) e cineasta Erika Bauer, que idealizou o projeto, a mostra dedicada a filmes de aprendizes de audiovisual teve sua primeira edição no cinquentenário do Festival de Brasília. Durante 15 dias intensos, a professora, junto à comissão de seleção, escolheu 20 curta-metragens entre os 279 inscritos. “Reunimos uma boa amostra do que é o cinema universitário hoje e essa potência que vem do jovem que quer fazer cinema”, conta a diretora e roteirista.

 

 

Pedro Buson
 

 

 

Os próprios alunos e outros professores da UnB organizaram o FestUniBrasilia, que contou com 17 filmes de diversos estados e três do Distrito Federal. Além das sessões, foram realizados debates no Cine Brasília e na FAC. O estudante do 8º semestre de cinema na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Juan Rodrigues, 26, conquistou o prêmio principal do circuito universitário na noite de ontem pelo curta O Arco do Medo, do qual o jovem foi responsável pela direção, edição, roteiro e atuação. “Eu não estava acreditando muito no meu filme, ainda mais por ser um formato difícil de ser exibido, mais para o lado da videoarte. Então fiquei surpreso quando vi que gostaram”, conta Juan, que já havia deixado Brasília na noite de premiação. A notícia do troféu o pegou de surpresa “Fiquei muito contente, se eu imaginasse, teria até escrito um pré-discurso e entregado a alguém”, brinca. Ele destaca o prêmio de melhor roteiro para Café com canela, codirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio, outro representante do Recôncavo Baiano. “Isso é um reflexo do cinema baiano e o que ele tem a oferecer e espero que tenha sido só o começo dessa nova onda”.


Para além do FestUniBrasilia, o filme Afronte, que participou também da Mostra Brasília, da qual saiu com o prêmio de melhor montagem pelo pelo júri oficial. Garantiu ainda o Prêmio Saruê, concedido pela editoria de Cultura do Correio Braziliense à produção, ao profissional ou ao momento de maior destaque da edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; além de menção honrosa pelo júri da mostra universitária. Bruno Victor, 26, estudante do último semestre de audiovisual na UnB, e Marcus Azevedo, 35, recém-formado no mesmo curso do parceiro, dirigiram o filme que explora o processo de empoderamento de um jovem negro, gay e da periferia. Para Bruno, o prêmio foi uma surpresa. “Receber isso foi uma sensação de dever cumprido, que é trazer a discussão da nossa vivência à sociedade. É muito gratificante”.

 

Robson G. Rodrigues/ Esp.CB / D.A Press
 

 

Luís Nova/ CB / D.A Press
 

 


“A ideia do curta é reforçar as ações de fortalecimento da bicha preta, como ela em grupo, ou em outras formas de afeto, se fortalece. Pensar na nossa sexualidade. É importante que as pessoas vejam essa força que o cinema tem, precisamos expandir além dos festivais, para que outras tenham acesso e essa força seja cada vez maior”, relata Marcus Azevedo. Para ele, a visibilidade dada aos estudantes nesta edição é de grande valor à formação acadêmica. “É muito relevante essa janela do festival para o cinema universitário. Espero que, nas próximas edições, seja ainda maior, porque foram filmes muito benfeitos, temáticas diversas e filmes que falam de diferentes realidades”.

 


Outra obra selecionada à mostra brasília foi Habilitado para morrer, produzida pela empresa júnior — associação civil sem fins lucrativos gerida exclusivamente por alunos de curso superior — Pupila Audiovisual, da UnB, e dirigido por Rafael Stadniki, 19 anos. A produtora executiva do filme, Maria Luiza Munhoz, 20 anos, conta que a ficção policial, que percorre a investigação de um sistema de corrupção por dois detetives, foi inicialmente criada para o 20º Fecuca, festival em que são celebradas produções feitas por calouros da Faculdade de Comunicação na UnB, em forma de vinhetas, que, posteriormente, foram reformuladas em formato de curta-metragem. “Eram 13 vídeos para edição de comemoração de uma década do Fecuca, que deu nome, originalmente, ao filme. Depois, repensamos a montagem e mudamos o título para o atual”, explica Munhoz.

 

Robson G. Rodrigues/ Esp.CB / D.A Press
 

 


“É o sonho de todo mundo que quer fazer cinema. A gente não vê nossas produções em grandes telas, a gente exibe na internet, projeta nas aulas. Mas, no cinema, com público de cinema, som de cinema, é outra coisa. E todo mundo da equipe é muito novo, ninguém esperava, aos 20 anos de idade, ter um filme no Cine Brasília”, comenta Stadniki. O jovem diretor ressalta a forte participação da UnB no festival. “Há muito tempo não tem curta da FAC na mostra, essa premiação mostra a força da universidade. Tem professores de lá premiados [a exemplo de Dácia Ibiapina, ganhadora de três troféus nesta edição por Carneiro de ouro], ex-alunos, como os do O Menino Leão e a Menina Coruja [Renan Montenegro, quem dirigiu, é formado pela FAC/UnB em audiovisual]”.


Para Erika Bauer, a liberdade marca o cinema feito por um universitário e destaca semelhanças. “Eles criam, dizem o que tem a dizer, sem os impedimentos de um edital ou de um mercado em que você precisa se enquadrar. Os filmes dos alunos tinham em comum a inventividade, diversidade dentro da linguagem e da representação, hoje, do jovem. Muitas produções falando da identidade, do território, do eu, da cidade, da diversidade”, completa. Bauer confirma a 2ª edição do FestUniBrasília para o próximo ano no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

 

Facebook/Divulgação
 


*Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer.