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Peça musical que traz canções avaliadas no PAS

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postado em 27/06/2012 19:24 / atualizado em 28/09/2012 19:37

Acostumados a ver personagens de filmes e seriados americanos estrelarem peças de teatro e musicais nas escolas, alunos do colégio Leonardo da Vinci não imaginavam que teriam essa oportunidade no Brasil. Afinados e ensaiados pelos professores de artes e música, estudantes das três unidades — Asa Norte, Asa Sul e Taguatinga — estrelam a inédita peça musical Vila do Ohh!. A apresentação é uma rapsódia — estilo caracterizado por unir diversas canções e atos sem estrutura fixa — de autoria do professor Thião Mesquita.

O cenário é uma favela fictícia de Brasília, chamada Vila do Ohh!. Os personagens vivem todos lá e se referem a capital do país como Brasília-Centro. Um português, uma velha com filha esnobe, um homem que descobre ser homossexual e uma piriguete apaixonada por ele, duas fofoqueiras, e uma lavadeira são alguns dos personagens que integram a vila.

O repertório mescla músicas famosas, como Billie Jean, de Michael Jackson, e Paparazzi, da Lady Gaga, com canções que caem nas três etapas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB). Thião Mesquita e Yara Veratto, professores de teatro e música, acreditam que a peça é uma forma divertida e eficiente de passar os conteúdos musicais do PAS. Muitos desses alunos nunca tinham dançado, atuado ou cantado na vida e trabalharam pesado para fazer tudo direito. “Os alunos tiveram aula de técnica vocal, mas foi uma preparação muito rápida. Mesmo assim, estou satisfeita, dá orgulho porque eles estão cantando muito bem. A vontade deles de aprender é muito grande”, ressalta a professora Yara.

Os alunos, do 9º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, foram selecionados em audições para formar equipes separadas para cada unidade do colégio. Bianca Azevedo, 13 anos, do 9º ano, ficou muito nervosa na audição: “Sou ansiosa e muito tímida, mas agora me integrei com todo mundo aqui. Fiquei tão nervosa na audição que tremia na hora. Depois chorei muito, achando que não tinha passado. Aqui minha interpretação melhorou muito, consegui entrar no personagem, uma velha rabugenta”. O professor Thião comenta a forte concorrência nas audições: “Foi bem competitivo e, infelizmente, muita gente teve que ficar de fora, mas tiveram oportunidade de participar da produção do cenário, por exemplo”.

Artistas na escola
Os alunos das unidades Asa Norte e Asa Sul já fizeram suas apresentações. Sexta-feira e sábado (29 e 30/6) é a vez de Taguatinga. Serão dois dias de apresentação e os mais de 300 ingressos já estão esgotados. Até o fim desta semana, os alunos seguem se preparando, em ensaios conduzidos a mãos de ferro pelos professores, que exigem, com compreensão, excelência e disciplina.

Igor Matheus Gonçalves, 16 anos, está na 2ª série e interpreta um travesti. “Meu personagem é o Carlos Alberto, que tem uma crise de identidade e se transforma em Gabey, um homossexual que tem o sonho de ser a Lady Gaga”. Lady Gaga é interpretada por Vinícius Desidério,14 anos, que cursa a 1ª série do ensino médio. “Interpreto um português dono de bar e também faço a Lady Gaga na música Paparazzi. Minha mãe e meu pai dançam, mas eu nunca tinha feito isso. Gosto muito da peça porque é bem eclética, mistura vários personagens e estilos”, conta.

Ana Paula Silva, 14 anos, da 1ª série, interpreta Shirley, uma “piriguete” apaixonada por Carlos Alberto, que se transforma em Gabey. “Eu passo a peça inteira dando em cima dele, às vezes ele tem uma recaída, mas quando eu me declaro para Gabey, ele me recusa”, explica Ana Paula. Trajando um vestido apertado de estampa de oncinha, ela conta que interpretar a Shirley é uma novidade: “É um modo de vestir, agir e falar bem diferente do meu. Ele é bem arrogante e despojada”, conta.

Michael Jackson é substituído por Michael Jeizon, uma versão “mais pobre” do astro, como explica o intérprete do personagem, Gustavo Tognetti, 15 anos, da 1ª série. “Michael Jeizon se acha o melhor da Vila, é muito esnobe e quer ser o Michael Jackson”, conta. Gustavo teve que superar a timidez para fazer os passos de dança ao estilo de Jackson: “Sou muito tímido e nunca tinha dançado. Adoro fazer esse papel, me ajudou a me soltar”. Gustavo agora pretende seguir a carreira de canto profissionalmente, apesar de a mãe desejar que ele seja médico.

Fernanda Queiroz e Bianca Cairo, ambas de 17 anos e da 3ª série, interpretam duas paraibanas fofoqueiras que passam o dia na janela falando mal dos vizinhos. “Quando soube desse papel, animei a Fernada para fazer porque a família dela é nordestina, então ela tem o sotaque. Foi assim que fomos parar na audição”, explica Bianca. “É muito divertido, eu adoro. E acho que vai me ajudar a ter um desempenho melhor no PAS, porque ajuda a lembrar as músicas”, conta Fernanda sobre os ensaios.

Por falta de outro personagem que ele pudesse interpretar, Renzo Braga, 17 anos, da 3ª série, se ofereceu para fazer uma mulher, uma lavadeira de roupas chamada Benedita. “Já convivi muito com vizinhas da minha antiga rua em Sobradinho que eram muito rabugentas e só sabiam falar da vida dos outros. Aqui, sou uma expressão delas. Não tenho vergonha e nenhuma timidez”, conta. Ele não pensa em seguir a carreira artística por considerar um mercado muito saturado.








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