Qualidade do ensino médio está estagnada, indica Ideb

Média do índice no país mostra que a etapa escolar não apresentou avanços nos últimos anos. Em contrapartida, a nota das escolas de ensino fundamental foi acima da meta estipulada

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postado em 15/08/2012 11:57 / atualizado em 15/08/2012 12:35

Paula Filizola

Marcello Casal Jr/ABr. Brasil
O Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgou nesta terça-feira (14/8) os resultados da quarta edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011. Os índices mais comemorados foram os do ensino fundamental, já que o Brasil superou as metas propostas pelo governo federal nos dois ciclos — do 1º ao 5º ano e do 6º ao 9º ano. Nos primeiros anos dessa etapa, a média nacional foi de cinco pontos, superando em 0,4 ponto a nota estipulada pelo MEC. Já no período seguinte, o avanço foi menos significativo: 4,1, 0,2 ponto acima do esperado. O índice do ensino médio alcançou somente a meta projetada de 3,7.

A metodologia do Ideb é feita por amostragem, e não por análise censitária, como no ensino fundamental. O ministro Aloizio Mercadante explica que o resultado trata de um universo relativamente pequeno. Dos 2,2 milhões de alunos matriculados no ensino médio, somente 70 mil fizeram a prova — incluindo escolas particulares e públicas. Segundo o ministro, uma análise mais aprofundada só seria possível relacionando o Ideb ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), indicador que avalia o desempenho de cada aluno.

De acordo com os dados, as instituições de ensino médio tiveram pouca evolução (ver arte). Das 27 unidades da Federação, 19 estão abaixo da média nacional. Com 3,8 pontos, o Distrito Federal não atingiu a meta estipulada pelo MEC para 2011, de 3,9. Ao apresentar o levantamento, Mercadante afirmou que a situação do período é um desafio para os próximos anos, porque os indicadores mostram estabilidade. Segundo ele, o MEC pretende reformular a estrutura curricular, que hoje tem 13 disciplinas obrigatórias. “A sobrecarga é muito grande e não contribui em nada, porque não permite foco nas disciplinas cobradas no Enem nem na vida profissional”, avaliou. Para o titular da pasta, o principal caminho é o investimento em escolas de tempo integral aliado a atividades do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Na análise de Priscila Cruz, diretora executiva da organização Todos pela Educação, o quadro crítico do ensino médio tem início nos últimos anos do fundamental. “O Ideb é um retrato da educação. Então, se o aluno tem problemas de aprendizagem no ensino fundamental, ele chega ao médio com deficit de aprendizagem acumulado. O problema só vai agravando.” A especialista também acredita que a criação de mais escolas com ensino em tempo integral e a redefinição do currículo escolar teriam efetividade nos resultados.

Otimismo

Do 1º ao 9º ano, o cenário é mais otimista e foi comemorado pelo ministério e por entidades ligadas à educação. Os dados indicam que 77,7% dos municípios brasileiros alcançaram a meta de 2011 nos primeiros anos do ensino fundamental, levando em conta o desempenho somente das escolas da rede pública. Já nos anos finais, 62,5% municípios alcançaram o resultado esperado nas escolas estaduais e municipais. Em 2011, 40.382 escolas em 5.227 municípios, tiveram o Ideb calculado do 1º ao 5º ano. Do 6º ao 9º, foram 30.842 escolas em 5.357 municípios.

Com média de 5,7 pontos para os primeiros anos do fundamental, o Distrito Federal ficou entre as três primeiras unidades da Federação no ranking nacional. Em primeiro lugar está Minas Gerais (5,9), seguido de Santa Catarina (5,8). Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo também obtiveram resultados acima da meta estabelecida. O DF parece entre as primeiras posições com os melhores desempenhos nos últimos anos do ensino fundamental, com 4,4.

Para Mercadante, os bons resultados no ensino fundamental estão relacionados ao maior investimento da pasta nesse período. De 2005 a 2011, a quantia saltou de R$ 32,7 bilhões para R$ 98,4 bilhões. O ministro também destacou o regime de colaboração entre as esferas administrativas, bem como investimentos em creches e capacitação dos professores. Mercadante garantiu que os resultados serão ainda melhores em 2013 com a adesão dos estados e municípios ao Programa de Alfabetização na Idade Certa, que o MEC lançará oficialmente este mês.


Avaliação bianual

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um medidor criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para mensurar o desempenho do sistema educacional brasileiro a partir da combinação do resultado obtido nas avaliações do Inep, Prova Brasil e Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O cálculo do Ideb leva em conta as notas das provas de língua portuguesa e matemática, em uma escala de zero a 10. As edições anteriores foram realizadas em 2005, 2007 e 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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