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Educação

Governo vai socorrer escolas com nota baixa

MEC aproveita resultados do Ideb para priorizar investimentos. Para o diretor do CED 6 em Ceilândia, último colocado do DF, índice ruim é por causa da defasagem escolar

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postado em 17/08/2012 09:00 / atualizado em 16/08/2012 11:52

Grasielle Castro /Correio Braziliense , Paula Filizola

Carol Matias
Para as instituições de ensino que obtiveram notas abaixo da média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Ministério da Educação (MEC) desenvolve projetos específicos e prioriza os investimentos. O Programa Mais Educação, que leva ensino integral às escolas, é um deles. Este ano, a iniciativa tem previsão de recursos de cerca de R$ 574 milhões. A Secretaria de Educação Básica tem como foco o desenvolvimento de iniciativas em escolas com baixo Ideb nas capitais e zonas metropolitanas. Já o PDE Escola, projeto para auxiliar as escolas públicas a melhorarem a gestão, repassou verba para mais de 19 mil colégios em 2011, com base nos resultados do Ideb 2009.

Um é exemplo de escola que não alcançou a meta em 2011: o Centro Educacional 6 de Ceilândia. Os resultados do Ideb o colocaram na lanterna na lista das melhores escolas do Distrito Federal. A notícia do índice de pior instituição deixou o diretor, os professores e os alunos inconformados. Jefferson Lobato, responsável pelo colégio, explica que não faltam professores nem existem problemas na estrutura física, apesar de as salas serem abafadas devido ao teto de zinco. Ele conta que a maioria dos pais e alunos são engajados e afirma não existir um motivo dramático para a nota baixa. Para ele, o índice refletiu o projeto das Classes de Aceleração, do governo federal

Jefferson explica que o programa visa corrigir o problema de defasagem escolar, geralmente resultado da evasão e de repetências, quesitos que, na sua avaliação, empurraram a nota para baixo. O professor de ciência Deneir Meirelles reforça o argumento e esclarece que o indicador de rendimento calculado com base nas aprovações foi de 0,53 enquanto a nota na Prova Brasil foi de 4,53. “O que nos levou para baixo foi a taxa de repetência, porque a nota da prova está na média do DF. Fomos avaliados por um índice que não é só culpa da nossa escola. Só recebemos o 9º ano, não somos responsáveis pelo histórico de reprovações do aluno, mas somos avaliados por ele. Isso não está certo. Além disso, esses estudantes estão em fase de aceleração, aprendendo os quatro anos finais do ensino fundamental em um só”, reclama o professor.

O diretor acrescenta que no ensino médio a instituição é referência. “Foi um choque para nossa autoestima. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estamos sempre entre as 15 melhores escolas públicas do DF. O Ideb não condiz com a nossa realidade. Temos projetos fora da sala de aula, nosso programa de educação integral funciona, mas existem políticas que atrapalham o desempenho”, critica. A professora de português Rose Meire Xavier concorda com o diretor. “Recebemos videoaulas para passar aos alunos do programa de aceleração. É difícil ensinar quatro anos em um, ainda mais com métodos assim. Alguns chegam sem saber nada, com nível de 6º ano, para aprenderem todo o conteúdo e irem direto ao ensino médio”, afirma.

Orgulho

Os estudantes que estavam no 9º ano em 2011, período em que a avaliação foi realizada, também tentaram contornar os resultados. Para o aluno do 1º ano do ensino médio Felipe dos Santos, 15 anos, a amostragem pegou principalmente os menos interessados. “Não são todos alunos que estão nesse nível. Tenho muito orgulho de estudar nesta escola, de ajudar na construção dela, mas nem todos pensam assim ou pensam em um futuro. E como a prova não vale nada, tem gente que faz só por fazer”, alega.

Colega de turma de Felipe Bruna dos Santos, 15, acredita que o indicador não mede a totalidade do que é ensinado. “É difícil ver um envolvimento de professores e do diretor como o que existe aqui e, como em todos os lugares, existem os que querem estudar e os que não querem nada”
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