SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Educação

Diferencial é o investimento no professor

Além de uma infraestrutura adequada e atividades extracurriculares, especialistas garantem que um corpo docente estável colabora para bons índices de desempenho nas escolas brasileiras

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/08/2012 09:00 / atualizado em 16/08/2012 12:02

Paula Filizola

Carlos Moura
Investimento na capacitação de um corpo docente qualificado, reforço escolar, atividades de complementação, além de uma grade curricular diferenciada e bons gestores, são alguns dos elementos que contribuem para o desempenho acima da média das escolas brasileiras no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os dados de 2011 referentes ao ensino fundamental, divulgados na terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelaram resultados acima da média nacional em 11 unidades da Federação. Há boas práticas espalhadas por todo o país. No Distrito Federal, as duas primeiras colocadas no ranking estão no Plano Piloto e são públicas.

Para o doutor em educação e professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Munhoz Alavarse, instituições com altas notas em avaliações tendem a apresentar elementos em comum. “Entre os fatores que ajudam as escolas, estão a liderança do diretor, que pode impulsionar a instituição mesmo sem as condições econômicas favoráveis; um corpo de professores o mais estável possível, já que os melhores resultados vêm de escolas onde os docentes estão há mais tempo; e a boa capacidade de planejamento, com foco na aprendizagem dos alunos”, resume. Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), garante que colégios com maior participação dos pais costumam ter melhores resultados. “A escola precisa incentivar essa participação, por meio dos conselhos escolares. Com um projeto pedagógico atrativo, o envolvimento do professor também é garantido”, analisa o especialista.

 

Carlos Moura
Com nota 6.7 na avaliação dos alunos do 6º ao 9º ano, o tradicional Colégio Militar de Brasília (CMB) é exemplo de excelência. A instituição, administrada com recursos do Exército, não integra oficialmente a rede pública de ensino do Distrito Federal. O CMB ficou na 21ª posição entre as melhores instituições públicas do país. Atualmente, são 2,8 mil alunos matriculados em 82 turmas, com 33 estudantes em média. Devido à política de assistir aos militares transferidos, 85% dos alunos são filhos de militares e o restante, foi submetido a um processo seletivo. O próximo edital terá 30 vagas para ingressantes do 6º ano do ensino fundamental e somente cinco vagas para o 1º ano do ensino médio.

Um dos diferenciais da instituição militar é o quadro de docentes. Dos 250 professores, entre civis e concursados, 137 fizeram especialização, 66 são mestres e 15 doutores. Atualmente, outros 34 professores cursam mestrado ou doutorado. Eles também não trabalham mais de 15 horas semanais em sala de aula. A tenente Luciana Araújo, professora de ciência e química, elogia a organização e afirma que o apoio dado aos professores é um elemento essencial para o sucesso do colégio. “Com esse apoio pedagógico, conseguimos fazer atividades extras. Ou seja, temos tempo para criar aulas criativas e buscar novas ferramentas”, avalia. A escola também oferece uma infraestrutura de primeira: laboratórios para as disciplinas exatas, seis campos de futebol, uma pista de atletismo e um anfiteatro. A grade curricular oferece 13 cursos obrigatórios, entre eles inglês ou espanhol, sociologia, filosofia e artes.

Para os alunos, o principal destaque do CMB é a atenção e o interesse que os educadores têm com os estudantes. Manuella Guerra, 14 anos, está no 9º ano e foi medalha de ouro na edição de 2011 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Segundo ela, os professores a ajudaram bastante. “Eles me passavam lista com exercícios. A metodologia e o estímulo daqui são muito bons.” O colégio recebeu outras 28 medalhas de ouro na Olimpíada. Colega do mesmo ano de Manuella Francisco Grigore, 14, também está inscrito na Olimpíada de Robótica e recebeu o apoio da direção, que montou um laboratório específico para o tema.

Compromisso

A segunda colocada no ranking do DF foi o Centro Educacional de Ensino Fundamental Polivalente. A instituição pública obteve resultados acima da média nas últimas três edições do Ideb. De acordo com o diretor do colégio, Cleber Villa Flor Santos, o segredo é uma boa gestão. Segundo ele, assim é possível fazer um trabalho articulado com os professores. Atualmente, 36 docentes atuam dentro das salas de aula com carga de 40 horas semanais e ensinam 1,2 mil alunos divididos em 34 turmas. “Os bons resultados estão atrelados ao compromisso e à dedicação da equipe. Entretanto, seria melhor se houvessem menos alunos por sala de aula e os professores tivessem uma carga horária menor.”

Colaborou Larissa Leite

Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico 2011

Unidade da Anos Iniciais do Anos Finais do Ensino Médio
Federação E. Fundamental E. Fundamental


Acre 4,6 4,2 3,4
Alagoas 3,8 2,9 3,9
Amapá 4,1 3,7 3,1
Amazonas 4,3 3,8 3,5
Bahia 4,2 3,3 3,2
Ceará 4,9 4,2 3,7
Distrito Federal 5,7 4,4 3,8
Espírito Santo 5,2 4,2 3,6
Goiás 5,3 4,2 3,8
Maranhão 4,1 3,6 3,1
Mato Grosso 5,1 4,5 3,3
Mato Grosso do Sul 5,1 4,0 3,8
Minas Gerais 5,9 4,6 3,9
Pará 4,2 3,7 2,8
Paraíba 4,3 3,4 3,3
Paraná 5,6 4,3 4,0
Pernambuco 4,3 3,5 3,4
Piauí 4,4 4,0 3,2
Rio de Janeiro 5,1 4,2 3,7
Rio Grande do Norte 4,1 3,4 3,1
Rio Grande do Sul 5,1 4,1 3,7
Rondônia 4,7 3,7 3,7
Roraima 4,7 3,7 3,6
Santa Catarina 5,8 4,9 4,3
São Paulo 5,6 4,7 4,1
Sergipe 4,1 3,3 3,2
Tocantins 4,9 4,1 3,6

Boas notas, mesmo sem estrutura

Com infraestrutura simples, que nem sequer conta com laboratórios ou quadras, a Escola do Recife, ligada à Universidade de Pernambuco (UPE), é a única instituição estadual entre as três melhores do estado segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011. O colégio ficou com o segundo melhor desempenho nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), com a nota 7,3. O primeiro lugar do país ficou com o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — índice de 8,1. A unidade que apresentou o desempenho mais fraco no estado foi a Escola Estadual Argentina Castello Branco, em Olinda, que amargou a nota 1,5.

“Funcionamos numa infraestrutura simples, mas desenvolvemos um bom trabalho. Nosso diferencial é um corpo docente qualificado, formado por 30 professores, sendo cinco mestres e um doutorando”, comemora a diretora da Escola do Recife, Evódia Gonçalves. Segundo ela, nos próximos anos o colégio deve passar por mudanças. “Vamos funcionar no sistema integral, como acontece nas unidades de referência da rede estadual.”

Com o sentimento contrário, a diretoria da Argentina Castello Branco ainda busca respostas para a nota abaixo do esperado. “Nos últimos anos, percebemos que ela está apresentando rendimentos baixos, mas já estamos ofertando aulas de reforço e realizando trabalhos com professores e alunos. É um trabalho que leva tempo”, justifica o secretário de Educação de Pernambuco, Anderson Gomes.

Tags:

publicidade

publicidade