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Exposição sobre a Amazônia atrai estudantes no CCBB

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postado em 18/08/2012 12:11 / atualizado em 20/08/2012 09:41

Monique Renne/CB/D.A Press
Uma densa floresta exótica é uma imagem inegavelmente ligada à ideia que a maior parte das pessoas tem da Amazônia. Por sua vasta dimensão e isolamento, a floresta brasileira permanece uma incógnita para a maioria das pessoas, inclusive para os brasileiros. É por causa disso que a exposição Amazônia, Ciclos de Modernidade, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), inaugurada na última terça-feira (14/8), traz expressões artísticas típicas dessa região, para aproximar o público do Norte do Brasil, que abriga muito mais que uma floresta.

Para a visita a esta e outras exposições do CCBB serem ainda mais interessantes é que existe o Programa Educativo, que promove visitas guiadas para alunos de escolas públicas e particulares nas exposições ali presentes. Em muitos casos, o CCBB oferece até ônibus de graça para buscar as turmas. Com o programa, os estudantes não apenas observam as obras de arte, mas ouvem instruções de guias que ensinam conteúdos, enquanto mostram o que é exposto. É uma verdadeira aula, só que fora do colégio. Turmas de diversas escolas do DF já vieram conferir a exposição e aprenderam sobre os índios, cultura, arte e muito mais.

História
A exposição conta a história da região amazônica desde o século XVIII até hoje, mostrando os ciclos que a ajudaram a se modernizar, como de exploração da borracha. Natureza, patrimônio ameaçado, aculturação, conflitos regionais, ciência e economia são os temas que norteiam a mostra. A conquista colonial, o encontro de culturas, a violência ideológica da evangelização, a usurpação de territórios e riquezas, o genocídio, a escravidão, a crença na inesgotabilidade da natureza e no progresso material são abordados nas mais de 300 obras expostas. Traz também uma mudança da visão sobre os índios, que passam de objeto de estudo a sujeito do saber, de ser exótico a cidadão único e emancipado.

Nas galerias 1 e 2, o visitante vê fotos, quadros, esculturas e assiste a vídeos. Para demonstrar o lado excêntrico da região, o vídeo Mentira repetida (2011) traz o artista amazonense Rodrigo Braga gritando incessantemente no meio da floresta. A fotografia Quando todos calam (2009), feita na frente do mercado Ver-o-Peso, em Belém, traz uma mulher nua (a própria artista Berna Reale) deitada sobre uma mesa, com vísceras bovinas sobre o ventre. Ao seu redor, dezenas de urubus estão sobrevoando. A foto é uma manifestação contra a banalização da vida.

A “invisibilidade dos índios” é mostrada por meio no vídeo Ymã Nhamdehetama - Antigamente fomos muitos, de Arnaldo Queiroz. As imagens mostram a marginalização e a extinção de diversas tribos indígenas. No pavilhão de vidro, uma instalação feita por artesãos de Parintins traz uma enorme árvore com diversos animais ameaçados de extinção típicos da Amazônia, como jaguatirica, ararinha azul, mico-leão dourado, dentre outros. Frutos típicos da região, como arbustos de açaí e guaraná, completam a instalação.

Monique Renne/CB/D.A Press

Opinião de visitante
Na última sexta-feira (17/8) alunos da Escola Classe Reino das Flores, em Planaltina, pegaram um ônibus de graça para conhecer a exposição. A coordenadora do colégio, Elisabeth Matos, considera a visita uma oportunidade maravilhosa para os alunos: “Essa é a primeira vez que esses alunos conhecem uma exposição. O colégio fica numa área rural, os meninos são, na maior parte, filhos de lavradores que não têm oportunidade de conhecer atividades culturais como esta. Só de ver a Ponte JK e o Lago Paranoá pela janela do ônibus eles ficaram eufóricos”. Elisabeth destaca que a visita à exposição é uma maneira divertida de ter aula.

Milena Sena, 7 anos, gostou da galeria de vidro com animais: “Os que mais gostei foram a arara e o tucano. São bichos que existem na chácara que eu moro. Lá tem cobra também”. Leonardo Chaves, 10, também gostou da instalação na galeria de vidro. “Essa é a primeira exposição que eu conheci. Gostei da parte dos animais porque lá na fazenda onde moro tem muitos bichos também, como cavalo, boi, arara e lagarto.”

Carlos Henrique Santana, 9 anos, disse que ia gostar de ir à Amazônia. “Nunca tinha pensado em ir para lá, mas eu ia gostar, mesmo tendo medo de onça. Ia gostar de ver camaleões”, afirmou. A vaidosa Maísa Lima, 9, gostou de diversas esculturas da mostra “Achei bonitas as esculturas de cerâmica de crianças, mulheres e bichos. Eram bem diferentes.” Ela conta a diferença entre aula na escola e na exposição: “A aula aqui é mais interessante”.

Maria Vitória de Aguiar e Guilherme Silva, ambos de 10 anos, ficaram encantados pelo vídeo sobre a invisibilidade dos índios. “O vídeo mostra que os índios se sentem invisíveis porque o povo vai esquecendo suas origens. E é legal porque a gente estava estudando os índios na escola também”, conta Maria Vitória. “Senti que deviam dar mais atenção aos índios porque eles foram os primeiros habitantes do Brasil. Eu ia gostar de ser índio, mas no passado, antes do Brasil ser descoberto, na época em que eles eram livres e faziam o que queriam”, acrescenta Guilherme.


Monique Renne/CB/D.A Press

A maquete em madeira da cidade de Belém também chamou a atenção de Guilherme. “É legal porque mostra como é a cidade”, disse. No caminho para a exposição, a Ponte JK e o Lago Paranoá deixaram Guilherme mais feliz: “Dá uma sensação boa de ver porque é tão bonito e eu quase nunca vejo o Lago”.

Visitas

Qualquer escola pode marcar uma visita gratuita para turmas de qualquer série ao CCBB. Basta ligar para 3108-7623 e agendar. A exposição Amazônia, Ciclos de modernidade fica no CCBB até 23 de setembro.

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