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Alto poder de destruição

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postado em 03/09/2012 11:23

Mariana Laboissière

O consumo precoce de drogas tem gerado graves efeitos cognitivos e afastado cada vez mais crianças e adolescentes da escola. Substâncias presentes no álcool, na maconha, na cocaína,nocrack e eminalantes, entre outros, gerama perda das conexões sinápticas do sistema nervoso central, responsáveis pela capacidade de entendimento. Essaincompreensão causada pelo efeito dessas substâncias é um dos motivos pelos quais um jovem se afasta dos estudos. Especialistas ouvidos pelo Correio explicam ainda que quem começa a usar drogas muito cedo está mais  vulnerável à depressão, ansiedade e doenças como o mal de Alzheimer.

De acordo com o neuropsicólogo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Jannuzzi Cunha, em adultos, as drogas atuam no cérebro e causam deficit cognitivo em virtude de alterações neurofisiológicas. Nos jovens, porém, os efeitos são mais devastadoresem razão de as substâncias químicas impedirem que o cérebro realize o processo de maturação, como ocorre naturalmente emoutras crianças e adolescentes.

A alteração nos jovens pode ser aguda ou crônica. Na primeira, as células neuronais são comprometidas por conta do consumo recente. Na segunda, as sequelas podem ser permanentes. “Odano pode ser irreversível porque temos que pensar no cérebro do adolescente como um campo muito mais vulnerável que o do adulto”, explica Jannuzzi, que atende entre 25 e 30 adolescentes por mês no consultório e noHospital das Clínicas de São Paulo. O número é maior que a quantidade de adultos, geralmentre entre 15 e 20 atendimentos.

Crack
Os efeitos da droga são diferentes em cada pessoa e dependemda quantidade e da frequência do consumo. Entretanto, o crack é tido como o mais perigoso devido à composição química derivada da sobra da pasta base da cocaína somada a outras misturas impuras como amônia, bicarbonato de sódio, gasolina e até solução de bateria. O crack causa diversos problemas respiratórios, digestivos e mentais sérios. O efeito psicoativo tem curta duração e, portanto, a sensação de fissura dura poucos minutos, motivo pelo qual os usuários sentem necessidade de consumir mais pedras.

Na adolescência, mesmo drogas classificadas mais leves, como a maconha, são consideradas altamente prejudiciais no curto prazo. Dos pacientes entrevistados por Jannuzzi, entre70è0% já apresentam sintomas psiquiátricos graves,comosurtos psicóticos, síndrome do pânico e esquizofrenia. “Estudos internacionais falamquenãoprecisa terumcontato prolongado com a maconha, mas, dependendo da quantidade consumida, a chance deousuário ter esquizofrenia aumenta em quatro vezes. Isso é pior atualmente porque a maconha vendida hoje é 10 vezes mais potente do que a utilizada anos atrás”, explica o especialista.

Para jovens em idade escolar, o consumo de qualquer tipo de entorpecente afeta a capacidade de entendimento dos assuntos abordados em sala de aula. “As substâncias podem trazer lentidão no processo cognitivo porque a velocidade com que uma célula comunica com outra fica mais lenta”, destaca Jannuzzi. Além disso, dependentes químicos passam a ter dificuldade na articulação das palavras e problemas psiquiátricos, como depressão e ansiedade.

Maconha X neurônios
Doutor em psicobiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade de Brasília (UnB), José Eduardo Pandossio explica que os efeitos das drogas variam de pessoa para pessoa e são mais ou menos intensos, dependendo do tipo utilizado. Oespecialista destaca que o consumo de maconha por parte dos jovens pode ser devastador ao longo do tempo. “A maconha é um alucinógeno,eos efeitos(mais sérios) são causados pela cocaína e crack.Mas não quer dizer que a erva seja mais leve. Fumar maconha mata neurônios e existe de fato uma dependência. Se uma pessoa tem menos neurônios, o cérebro tem menos possibilidade de formar novas conexões sinápticas”, diz o especialista.

A psiquiatra do Serviço Especializado de Álcool e Drogas e professora voluntária do Laboratório de Psiquiatria da UnB,Maria CéliaVitor de Sousa Brangioni, afirmaque todas as drogas são substâncias psicoativas. “Elas agem em uma área especifica do cérebro, no chamado sistema de recompensa. Esse sistema é responsável por dar a sensação de prazer ao corpo, assim como acontece quando estamos comendooutendo relações sexuais. A droga entra nesse circuito e faz com que o cérebro acredite que aquilo seja necessário”, explica.

Além do cérebro, a droga afeta outros órgãos. “Temos como exemplo o fígado, no caso do consumo de bebidas alcoólicas, e os pulmões, no caso do uso do cigarro. São diversas as possíveis doenças relacionadas ao uso de drogas. Vão desde o envelhecimento precoce ao câncer. A maconha está relacionada a alterações de memória. O uso dessa droga por estudantes repercute na aprendizagem do aluno e tem relação direta com frequência escolar, alterações de comportamento, ansiedade, irritabilidade, hostilidade e depressão”, diz.
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