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AMEAÇA NA SALA DE AULA

A saída da mediação

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postado em 06/09/2012 08:00

Ariadne Sakkis

Thais Ketlyn da Silva, 15 anos, é hoje uma das mediadoras de conflitos na escola Chicão, em São Sebastião O  Centro Educacional São Francisco, o Chicão, é uma das instituições públicas mais respeitadas de São Sebastião. Por ali não faltam exemplos de como o que se aprende em sala de aula tem impacto direto no modo de os alunos se portarem fora do muros da escola. Isso porque faz parte do projeto pedagógico estimular a participação de alunos em dezenas de projetos multidisciplinares. Mas, talvez, o principal componente do sucesso da escola seja o programa de mediação dos conflitos. Basicamente, o programa consiste em resolver brigas e insatisfações. Para isso, é promovida por professores e alunos a mediação com as partes envolvidas. Se os injuriados são dois estudantes, outros alunos intervêm para tentar chegar ao consenso. Quando há um docente envolvido, há também a participação de um professor. A ideia surgiu em 2009, quando a pesquisadora Flávia Beleza, do Instituto Pró-Mediação, deu uma palestra aos alunos de São Sebastião. A partir daí, não apenas Flávia se tornou uma parceira permanente, como dezenas de adolescentes passaram pelo curso e se tornaram moderadores. Hoje, a maioria das discussões não chega sequer à direção da escola. Apenas os casos mais graves, como agressões físicas. Na prática, o que a experiência trouxe para o Chicão foi um espaço mais aberto de diálogo entre adultos e adolescentes e também um nível de confiança entre as partes. “Esse projeto nos deu voz. É isso que a maioria dos alunos quer. Assim, mudou a escola. Eu também mudei o jeito de falar e até de pensar”, conta uma das mediadoras mais antigas, Thais Ketlyn da Silva, 15 anos. Antes, ela era conhecida como “liderança negativa”. A diretora da instituição, Leísa Sasso, acredita que a maneira de lidar com os problemas dos alunos é fundamental para que eles superem com a educação adversidades que vêm do contexto social no qual nasceram inseridos. “São Sebastião é uma área pobre, desassistida pelo Estado. Muitos desses meninos têm uma revolta latente. E os traficantes estão na nossa porta. Eu já os conheço. Por isso, para nós, é tão importante manter o aluno aqui dentro, oferecer projetos para que eles mesmos os desenvolvam”, explica. O resultado é notável. As vagas do colégio são as mais disputadas da cidade. O Chicão é um dos polos do Esporte à Meia-Noite, programa comunitário endossado pelo GDF. Além disso, no seu rol de estudantes estão atletas juvenis vencedores de competições nacionais. Há dois anos seguidos, vêm de lá os vencedores do concurso de redação do Senado. A última miss favela, Wizelany Marques, é matriculada nesta escola. Jean Carlos, durante palestra em uma escola de Taguatinga: orientação
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