Começa audiência de conciliação sobre racismo no livro Caçadas de Pedrinho

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postado em 11/09/2012 20:57

A audiência de conciliação sobre a adoção de livros de Monteiro Lobato pela rede pública de ensino começou às 20h, no gabinete do ministro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Fedral (STF). Além do professor Antonio Gomes e do advogado Humberto Adami,do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, autores do mandado de segurança contra o livro Caçadas de Pedrilho, estão participando da reunião represetantes do Ministério da Educação e do Movimento Negro.

Os autores do mandado pedem na ação que a Editora Globo edite uma nova edição do livro com uma explicação sobre o racismo. Antonio Neto esclarece que o objetivo não era que Caçadas de Pedrinho fosse censurado ou banido.   “Na época que o livro foi escrito, por volta de 1924, racismo não era crime, mas hoje há lei para isso. A 3ª edição, de 2009, veio de acordo com a nova ortografia e trouxe explicações sobre legislação ambiental, já que há uma caça à onça na história que hoje seria proIbida. Por que, então, não trouxe explicação sobre legislação racial?”, questiona Antonio. Ele critica também a segunda posição do CNE: “Essa resolução transfere a responsabilidade para o professor da educação básica, muitas vezes, sem preparo para lidar com o tema”.

O advogado do caso, Humberto Adami, explica que “se esse tipo de pensamento for repetido nas escolas, vai alimentar o racismo no Brasil. Não é certo o governo financiar obras com conteúdo preconceituoso”. Ele conta que o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, não homologou a primeira decisão do Conselho Nacional de Educação, de suspender a obra das escolas. “O CNE mudou de posição por pressões. Queremos que o livro não seja financiado com dinheiro público do jeito que está. São quase R$ 6 milhões gastos com um livro racista”, comenta o advogado. Por causa dessas complicações, Antonio Gomes da Costa Neto e o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) entraram com um mandado de segurança contra o livro e contra o relatório do CNE.

A discriminação estaria presente, entre outras passagens, no tratamento da personagem Tia Nastácia e de animais como o macaco e o urubu. Uma das frases do livro diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". O livro Caçadas de Pedrinho retrata o momento em que o Marquês de Rabicó encontra uma onça rondando o Sítio do Picapau Amarelo. Pedrinho, Narizinho, a boneca Emília e Rabicó decidem caçar o bicho, escondidos de Dona Benta e Tia Anastácia, que seriam contra a ideia. Durante a expedição, eles conhecem Quindim, um rinoceronte que fala, e o trazem para viver no sítio.

 

 

 

 

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