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Estiagem

Escolas driblam a seca

Calor intenso e baixa umidade obrigam as instituições de ensino a adotar estratégias para reduzir os efeitos do clima, como banhos de piscina e a suspensão de atividades ao ar livre nos períodos críticos. Ontem, o DF registrou 31,8ºC, a maior temperatura do ano

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postado em 12/09/2012 11:14 / atualizado em 13/09/2012 15:30

Com as altas temperaturas e a baixa umidade do ar, muitas escolas do Distrito Federal têm adotado medidas para adequar a rotina ao clima típico da estação. Ontem foi o dia mais quente do ano. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou máxima de 31,8ºC, e a umidade relativa do ar ficou em 18%. As aulas práticas de educação física em quadras abertas e com constante exposição ao sol foram substituídas por atividades em áreas com sombra. Banhos de mangueira e de piscina também passaram a fazer parte do cotidiano escolar para amenizar os efeitos da seca. A previsão é que hoje a umidade permaneça baixa, entre 60% e 20% e a temperatura continue acima de 31ºC.

Os alunos do colégio Notre Dame tiveram ontem aulas embaixo de uma árvore e, logo depois, se divertiram no parque aquático da escola. Segundo a coordenadora pedagógica da Educação Infantil, Cleide Marizete da Silva, os pequenos se sentem incomodados com o calor, mesmo com os umidificadores instalados em todas as salas. “Notamos que as faltas são mais frequentes nesse período e as atividades ao ar livre influenciam positivamente o aprendizado, pois são mais dinâmicas”, afirma. Para amenizar os efeitos do clima, Luana Arrais Cordeiro, 7 anos, sempre traz uma garrafa de água de casa, seguindo as orientações da mãe, que explicou a importância de manter a hidratação. “Tenho de beber bastante água, ou posso ficar doente”, contou.


No colégio, a área verde também é irrigada muitas vezes ao longo do dia e bebedouros foram colocados mais próximos das salas. Agora, a piscina de bolinhas do maternal está na parte interna do prédio, para evitar que as crianças fiquem expostas ao sol. São feitas, ainda, campanhas internas de incentivo ao uso de protetor solar e de creme hidratante. Os banhos de mangueira e de piscina são feitos até duas vezes na semana. “Quando estou na sala, sinto vontade de nadar”, disse Victor Yan, 7 anos.

Com o objetivo de aumentar a umidade do local, o Centro de Ensino Fundamental Polivalente promove o reflorestamento da área dos fundos da unidade por meio do projeto Minha escola, meu bosque. Cerca de 500 mudas foram plantadas desde o início da ação em 2006. Enquanto a iniciativa não é finalizada, são realizadas ações educativas. Adesivos de alerta para relembrar a importância de se hidratar foram distribuídos aos alunos. A Secretaria de Educação do DF enviou recomendações às instituições públicas e particulares para reduzir os danos aos estudantes. Atividades físicas ao ar livre, por exemplo, estão suspensas das 10h às 17h.

Medidas
A Secretaria de Educação determinou quer as escolas públicas do DF sigam algumas regras para reduzir os efeitos do forte calor e da baixa umidade.

» Das 10h às 17h, as atividades físicas ao ar livre estão suspensas
» Houve reforço no número de bebedouros e copos disponíveis
» Os professores estimulam os alunos a se hidratarem e recomendam que eles umedeçam as narinas e o rosto
» Os docentes têm redobrado a atenção para identificar crianças abatidas
» No caso de desmaios, tonturas, cãibras e mal-estar, a recomendação é encaminhar o aluno ao centro de saúde mais próximo

Memória

Acima da média

Em 2011, os incêndios registrados durante a seca destruíram 32 mil hectares, enquanto, até 2010, a média era de 10 mil ha de área queimada anualmente. As chamas que atingiram a Floresta Nacional, o Jardim Botânico e a reserva do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fizeram de 2011um ano atípico. A dificuldade de acesso e as condições climáticas adversas, como temperatura alta, umidade baixa e ventos fortes, complicaram o trabalho dos combatentes e espalharam o fogo mais rapidamente.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 90% dos incêndios são provocados pelo ser humano, proposital ou acidentalmente. Em 1963, foi registrado o período mais crítico da seca na cidade, com 164 dias sem chuvas. O dia mais quente da história do DF, medido em outubro de 2008, marcou 35,8ºC.

Água está garantida

Após 87 dias sem chuva, começa a surgir preocupação em relação ao abastecimento de água no Distrito Federal. Os brasilienses consomem, em média, 9 mil litros por segundo. Na última sexta-feira, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) emitiu comunicado informando que, por conta da estiagem, haverá restrições de uso do Ribeirão Pipiripau, em Planaltina. Foram estabelecidos horários para a captação do recurso em cada uma das margens da calha. As bacias do Descoberto e de Santa Maria, que fornecem água para o restante da capital, ainda estão em um nível confortável.

A Barragem do Descoberto, responsável pelo abastecimento de 70% do DF, possui, hoje, 1.028,76 metros, 40 centímetros acima da cota crítica. “No mesmo período do ano passado, a represa atingiu 1.026,40 metros. A nossa expectativa é de que chova antes de chegarmos nessa cota. Estamos numa situação muito boa ainda”, explicou o responsável pelo monitoramento dos Recursos Hídricos da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Fernando Starling. “Santa Maria está ainda melhor. A taxa é de 1.071,69, mais elevada que em 2011— 1.070,40 — e em toda a série histórica”, completou.

O superintendente de Recursos Hídricos da Adasa, Rafael Melo, frisou que a maior preocupação está mesmo voltada à Bacia do Pipiripau. “O local também é utilizado para a irrigação, o que diminui a cota na estiagem”, disse. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não há previsão de chuva para os próximos dias.

 

 

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