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400 alunos da rede pública participam do projeto África nas escolas

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postado em 02/10/2012 20:13 / atualizado em 03/10/2012 15:45

"Melhor do que ver nos livros, é aprender com quem esteve presente e viveu a história." Assim o estudante do 8º ano Luiz Fernando Felix dos Santos resume o encontro com o embaixador de Cabo Verde, Daniel Antônio Pereira. Com quase 200 estudantes do turno vespertino do Centro de Ensino Fundamental 15 do Gama (CEF 15), Luiz participou do segundo encontro África nas escolas, projeto desenvolvido pela Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal (Sepir). A visita durou todo o dia e cerca de 400 alunos participaram nos dois turnos. A primeira escola a participar do projeto foi o Centro de Ensino Médio 3 do Gama (CEM 03).

Ex-professor de história e embaixador caboverdiano no Brasil há 6 anos, Daniel Pereira viu na participação no projeto a oportunidade de contribuir para que estudantes brasileiros obtenham informações ricas e detalhadas da vida de países africanos e conheçam parte da formação cultural brasileira. "Somos 54 países com idiossincrasias e culturas próprias. Se cada embaixador viesse contar a história de seus país, isso contribuiria para que o brasileiro se entendesse melhor na medida em que uma das correntes essenciais da formação do homem brasileiro é a África e a cultura africana", pondera o embaixador.

Legislação
O projeto é uma ação afirmativa da Sepir para fortalecer, dentro das escolas da rede pública de ensino do DF, a implementação da Lei nº 10.639 de 2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira em todas as escolas do país, públicas e particulares, do ensino fundamental ao ensino médio.

O projeto foi pensado por Antônio Mário Ferreira, subsecretário de ações afirmativas e comunidades tradicionais da Sepir. Para ele, Brasília é o local com maior vantagem na implementação de projetos desse tipo. "Por termos todas as embaixadas tão próximas, podemos aproveitar para trazer um pouco dessa cultura étnica para os colégios e implementar a Lei com qualidade. É um grande diferencial na educação dos estudantes", acredita Antônio.

Cláudia Vieira, vice-diretora do CEF 15, recebeu a visita da professora Marizeth Ribeiro, coordenadora intermediária de direitos humanos e diversidade da Regional do Gama, responsável por mediar os trabalhos entre a Sepir e os colégios. Assim como o CEM 03, a escola acolheu com interesse o projeto. "Nós já tínhamos iniciativas que tratavam de assuntos de africanidades e aproveitamos a oportunidade para enriquecer o projeto pedagógico da escola. Os alunos gostam quando o assunto é diferenciado e foge da sala de aula", afirma a vice-diretora.

Debate
Durante a manhã e a tarde de evento, os estudantes ouviram o embaixador caboverdiano, debateram a cultura e o modo de vida do país africano, participaram de oficinas de percussão e de produção de bonecas abayomi — de origem iorubá, siginifica presente, algo precioso —, feitas artesanalmente com tecido e sem costura, além de assistirem a apresentações de capoeira com alunos especiais e poderem ver exposição de quadros com imagens e informações de cidades de Cabo Verde.

"Foi muito mais divertido. Nós conseguimos tirar todas as nossas dúvidas e conhecemos um pouco da história do país, porque uma coisa é ler no livro e outra é ouvir pessoalmente. Foi mais real porque os professores ensinaram o que embaixador viveu", constata Monique Alvez Barbosa, 13 anos, estudante do 8º ano.

Até o fim do ano, mais 14 escolas da Regional do Gama devem ser visitadas por diversos embaixadores africanos. Países como Egito, Sudão, Mauritânia, Gana, Angola, Camarões e Nigéria estão sendo cotados para contribuírem com os debates, que trazem para o ambiente prático escolar o que se estuda de forma teórica nos livros didáticos. O próximo encontro está marcado para ocorrer na tarde da próxima terça-feira (9/10), no Centro de Ensino Fundamental Casa Grande, escola da zona rural do Gama.

Recursos
Para 2013, a proposta é levar o projeto para todas as 14 regionais de ensino do DF. "A luta agora é para conseguir entrar no orçamento do governo e promover com qualidade esse projeto para muitas outras escolas", afirma Antônio Mário. A Lei Orçamentária Anual, que prevê os recursos e as despesas do Governo para o período de um ano, deve ser elaborada de acordo com os parâmetros definidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias. No DF, o orçamento deve ser encaminhado pelo Executivo ao Poder Legislativo até 15 de setembro e a Câmara Legislativa tem até dezembro para votá-lo.
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