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3D: estudo alerta para necessidade de teste de acuidade para crianças

Avaliação com 128 estudantes demonstra que 60 deles tinham dificuldades

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postado em 05/10/2012 12:20 / atualizado em 05/10/2012 12:40

Filmes, jogos de videogame, aparelhos de televisão e, até mesmo, material didático. O universo de imagens tridimensionais (3D) está cada vez mais em expansão. Se por um lado a tecnologia agrada a todo tipo de público, por outro, desperta a preocupação de profissionais. É o caso da enfermeira e ortoptista Monalisa Jaime Sbampato Souto. Ela avaliou 128 estudantes de uma escola estadual de ensino fundamental de Campinas e detectou que 60 deles possuíam algum grau de dificuldade para enxergar imagens em profundidade. “Os exames foram realizados independentemente se a criança apresentava algum sintoma, utilizava óculos ou havia feito consulta oftalmológica prévia. Ou seja, é fundamental o trabalho de prevenção, principalmente nas escolas. Estamos falando de 47,6% dos avaliados com algum tipo de alteração”, destaca a enfermeira.

Monalisa Souto defende um protocolo para a inclusão preventiva do teste de acuidade estereoscópica na avaliação da saúde ocular dos estudantes ao ingressarem na escola. Este teste permite detectar algum tipo de alteração visual para imagens tridimensionais, independentemente das queixas. Em geral, explica ela, são adotados apenas exames de acuidade visual tradicionais em que se identificam alterações mais básicas como a necessidade ou não de utilização de óculos para miopia ou hipermetropia. “Ainda assim, estes testes não obedecem a um cronograma contínuo. Com a invasão forte de materiais em 3D, minha inquietação é que não existem ações em relação às prevenções acerca das perdas visuais”, alerta.

Ascom Unicamp/Divulgação
Segundo a ortoptista, o teste de acuidade estereoscópica é relativamente simples, rápido e pode ser feito até mesmo por um professor bem treinado. O custo dos instrumentos é baixo – em torno de R$ 500,00 – perto dos benefícios que pode oferecer para a criança que, uma vez detectada alguma alteração, seria encaminhada para um exame especializado com o oftalmologista. “Com a inserção de materiais didáticos tridimensionais, muitas crianças podem até ser classificadas como incapazes de acompanhar alguma atividade, quando na verdade o problema está na dificuldade de reconhecer a tridimensionalidade”, analisa a enfermeira, lembrando que as lousas eletrônicas estão cada vez mais presentes em sala de aula.

A pesquisa de mestrado apresentada por Monalisa na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) teve a orientação da professora Maria Elisabete Rodrigues Freire Gasparetto. A questão central do estudo foi, justamente, fazer um alerta para a população sobre as capacidades visuais individuais e detecção das alterações precocemente. A enfermeira percebeu que poderia oferecer uma contribuição com o estudo ao deparar com uma cena no cinema em que estava projetando um filme em 3D. Uma senhora pediu para trocar várias vezes os óculos com o recepcionista. “Percebi que não era defeito dos óculos, e sim uma alteração que esta senhora tinha para enxergar em profundidade”, esclarece.

As causas são as mais variadas e as alterações são mais fáceis de encontrar do que se imagina. Um exemplo, conforme a enfermeira, são as pessoas estrábicas, monoculares e com algum tipo de desvio ocular. “É uma espécie de doença silenciosa, pois a pessoa pode não atentar para o problema que tem. Aliás, no caso de estudantes, muitas vezes nem o professor ou os pais atentam para a questão”, analisa. No estudo, Monalisa fez entrevistas com os professores dos voluntários e observou que eles tinham a percepção de que apenas seis crianças tinham dificuldades para enxergar.

Outra vertente do trabalho realizado por Monalisa Souto destaca a importância do profissional ortoptista para a avaliação das perdas visuais e o acompanhamento de condutas terapêuticas para correção dos problemas. A profissão não possui regulamentação e a sua especialização está desaparecendo das faculdades. “O ortoptista é pouco conhecido pela população, mas deve ganhar destaque nos próximos anos com as tendências da tridimensionalidade”, acredita. Monalisa lembra que a profissão surgiu, justamente, a partir de uma epidemia de tracoma que atingiu os pilotos ingleses na Segunda Guerra Mundial causando baixa visual em um dos olhos e consequentemente a perda da noção de profundidade. Foi notado que se envolviam em acidentes sempre que aterrissava o avião por não reconhecerem a terceira dimensão. “Daí surgiu o teste ortóptico e, consequentemente, a profissão de ortoptista, que atua auxiliando o oftalmologista”.

Publicação
Dissertação: “Saúde ocular de alunos do ensino fundamental”
Autor: Monalisa Jaime Sbampato Souto
Orientador: Maria Elisabete Rodrigues Freire Gasparetto
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)

Ascom Unicamp
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