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Correio Braziliense

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Aula de ecologia no lago

Quarenta alunos do Varjão, entre 10 e 11 anos,estrearam um projeto ambiental a bordo de um catamarã. No programa, percorrem parte do Paranoá e aprendem noções de preservação e respeito à fauna e à flora

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postado em 11/10/2012 08:00 / atualizado em 10/10/2012 10:09

Gustavo Moreno
Aulas de educação ambiental têm se tornado cada vez mais comuns nas escolas, mas apreciar e conhecer o resultado da preservação ao ar livre é diferente. Essa foi a experiência que 40 crianças da 4ª série da Escola Classe 1 do Varjão tiveram, na manhã de ontem, ao plantarem cinco mudas do cerrado no Parque Ecológico Ermida Dom Bosco e passearem por cerca de duas horas no Lago Paranoá em um barco do tipo catamarã.


O projeto Educação Ambiental — Mar de Brasília, patrocinado pela Petrobras, vai levar, até maio do ano que vem, cerca de 640 jovens, que plantarão cerca de 300 espécies. A proposta nasceu da ideia de Darse Lima, coordenador operacional e um dos donos do barco, que busca estimular a prática de ações para proteger o meio ambiente e modificar hábitos das pessoas. “Estamos só começando. Muitas crianças ainda participarão e, com certeza, levarão isso as suas casas e comunidades. Queremos preservar os recursos hídricos”, explica ele, assessor no Ministério do Turismo.


As atividades sempre começam com preparação na salas de aula, depois vêm o plantio de mudas de árvores — ontem, foram jacarandá, ipê-roxo, ipê-amarelo, jatobá e landim — e o passeio de barco, acompanhado por três monitores e com a segurança de coletes salva-vidas.


O catamarã sai da Ermida Dom Bosco e passa por pontos turísticos da cidade, como o Palácio da Alvorada e a Ponte JK. Durante o trajeto, os alunos têm mostras da análise da água do lago e explicações sobre a fauna e a flora da região. No fim, os minitripulantes fazem um juramento: comprometem-se a praticar o uso racional da água e da luz, a reciclar, a despejar lixo em lugar adequado e a alertar parentes e amigos que fizerem algo impróprio em relação à natureza.

Tartaruga

A primeira experiência no barco para Raquel Queiroz, de 11 anos, foi inesquecível. “Estou muito feliz, é algo muito bonito que só vemos na televisão. Foi muito mais legal ter aula de ciências no barco que na sala de aula. Espero voltar mais vezes e poder trazer meus três irmãos e meus pais. As pessoas sempre jogam lixo nas ruas e nem sabem como isso pode afetar a vida dos animais, como da tartaruga que vi nadando por aqui”, lembra.


O professor de educação ambiental Luiz Rios, também coordenador do projeto, afirma que esse é o melhor jeito de aprender a cuidar do meio ambiente, experimentando-o. “Ninguém gostaria de estar em um lugar ou lago sujo. Queremos mostrar para essas crianças um lado de Brasília que nem todos conhecem. Escolhemos as escolas localizadas em regiões que podem ajudar a preservar o Lago Paranoá com as ações dos moradores, como Paranoá, Candangolândia, Gama, Lago Norte, São Sebastião, Asa Norte e Riacho Fundo. Nada melhor como sair da sala de aula e ver ao ar livre a beleza do DF”.


Ao contrário de Raquel, Juan Rodrigues, 10, já conhecia o lago. Ele tem o costume de pescar com o pai, mas se surpreendeu com tamanha riqueza dentro de um pouco de água coletada, avistada por meio do microscópio. “Não sabia desse tanto de vida em uma gotinha de água. Precisamos cuidar disso tudo para voltar e trazer, no futuro, meus filhos”, sonha.

Educação

Para o gestor de projeto na Petrobras, João Aurélio Teixeira Barbosa, as crianças têm um papel importante na multiplicação da informação. “Além da riqueza deste trabalho, o interessante é que não se trata apenas de um simples passeio. Os alunos têm uma aula de verdade, onde plantam, aprendem a admirar o meio ambiente e a cuidar. Eles chegarão em casa prontos para educar os pais e repreendê-los”.


A professora de Educação Ambiental do Centro de Ensino Fundamental nº 1 do Paranoá, Candelária Bonalumi, participou do passeio para preparar seus alunos que embarcarão na experiência no mês que vem. “Foi uma aula riquíssima e educativa, um passeio em busca de conscientizar a população infantil, que é o futuro da cidade e vai carregar essa vivência para sempre”, disse.


Um mês após a atividade, os monitores voltarão às escolas para comprovar se o objetivo foi atingido. Os alunos terão de fazer redações e contarem as atitudes que adotaram após a atividade. Os 20 melhores textos ganham o direito de fazer um novo passeio no catamarã (ver Para saber mais) Mar de Brasília com dois acompanhantes.

Para saber mais
Veloz e com dois cascos


O catamarã é uma embarcação com dois cascos, com propulsão a vela ou motor, que se destaca por sua elevada estabilidade e velocidade em relação aos barcos monocasco. Sua origem vem da Polinésia. Eles notabilizam-se pela segurança e pelo conforto, por isso, são utilizados principalmente para aluguel ou passeios turísticos. No Mar de Brasília — que tem 12,5m de comprimento, 6,5m de largura e navega a 35km/h — cabem 82 pessoas. Informações: www.mardebrasilia.com.br.

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