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Por dentro dos astros

Criado por um professor apaixonado por astronomia, planetário móvel percorre escolas públicas e privadas e ajuda os estudantes a compreender os fenômenos da ciência

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postado em 09/11/2012 08:00 / atualizado em 08/11/2012 11:08

Um céu com infinitas estrelas projetado como poesia dentro de uma pequena câmara de ar. Satélites como a lua, astros grandiosos como o sol, distantes milhões de anos-luz um do outro, dividindo o mesmo espaço dentro de um singelo semicírculo. Coisas praticamente impossíveis de acontecer são reais dentro do planetário criado pelo professor Luís Edvar Cavalcante Filho, 40 anos. Apaixonado por astronomia, há quatro anos o profissional dedicado às ciências naturais decidiu montar o espaço. O objetivo era fazer com que a ideia ganhasse vida antes da comemoração do Ano Internacional da Astronomia, celebrado em 2009. E assim ele o fez.

Fácil de montar e desmontar, o planetário do professor Luís tem uma peculiaridade: pode ser transportado para qualquer lugar e cabe em um carro de passeio. Todas as peças pesam no máximo 150kg e ocupam o porta-malas e dois bancos do veículo. Para levantar o cenário — que mais parece uma grande barraca circular — é preciso um ventilador. O equipamento é responsável por inflar o planetário. O ambiente tem capacidade para 40 crianças e é aberto por um zíper. Os espectadores precisam adentrar o planetário e se sentar no chão para poder assistir ao show de luzes na escuridão. Elas são disparadas por um cilindro especial como pequenos flashes e atingem um tecido metalizado para dar forma às imagens.

“Eu queria construir uma superaula sobre astronomia. Foi coisa de professor apaixonado. Queria ver o encantamento dos alunos, um envolvimento maior deles”, explica Luís. “Depois que testei, percebi que isso realmente era possível. Eles fazem mais perguntas dentro do planetário do que em sala de aula”, justifica. Segundo o professor, a curiosidade tem relação direta com a quantidade de elementos capazes de estimular a curiosidade dos estudantes. Dentro da cápsula, os participantes assistem a uma apresentação com duração de 20 minutos. Ela é dividida em três partes: projeção do céu do hemisfério sul, projeção do céu do hemisfério norte e simulação de uma viagem espacial.

A obsessão pelo projeto surgiu, de acordo com Luís, após um despertar durante a madrugada. “Eu havia levado os meus alunos um tempo antes a uma feira de ciências e, na volta, percebi que o assunto dominante da visita foi o planetário. Comecei então a pensar nisso com frequência e, um dia, acordei pensando que tinha que colocar a ideia em prática”, conta. A fixação do profissional era tamanha que em oito meses tudo estava pronto para funcionar. Após pesquisar diversas experiências no Brasil e no exterior, além de ter conhecimento de protótipos desenvolvidos por um argentino, ele transformou o sonho em realidade. Para isso, entretanto, teve que tirar do bolso, na época, algo em torno de R$ 30 mil.

Passados três anos, o planetário brasiliense — com 5 metros de diâmetro e 3,5 metros de altura — é considerado hoje o melhor do gênero móvel em todo o país. Até agora, já atendeu mais de 40 mil alunos do Distrito Federal e Entorno. A iniciativa de levar a astronomia a todos os lugares era apoiada pela Secretaria de Educação, mas agora caminha por conta própria, sem qualquer ajuda do governo.

O professor recebe R$ 6 por aluno de escola privada e R$ 3 por aluno de escola pública, mas confessa ter esperança de que o Estado se envolva novamente na ação. Para atuar no planetário de forma independente, o Luís precisou reduzir a carga horária de trabalho. Durante o dia, ele opera as máquinas do espaço — juntamente com o professor de ciências naturais Adriano da Silva Leonês, apoiador do projeto —, enquanto à noite leciona em escolas públicas do DF como funcionário da Secretaria de Educação.

Na última segunda-feira, alunos do 3º ano da Escola Classe 416 Sul visitaram o planetário montado próximo ao pátio da escola. Dez alunos assistiram à apresentação. Geovana Vieira Vasconcelos de Souza, 8 anos, foi uma das que viajaram pelo universo de mentirinha. Ela se surpreendeu com o céu projetado no tecido metálico. Segundo ela, as Três-Marias foram as estrelas que mais chamaram a atenção. “Gostei muito. Parece de verdade. Já tinha ido num planetário, mas nesse fica tudo mais escuro, chega a dar medo.” Reação parecida teve Matheus Castro, 8. Segundo ele, embora já tivesse parado para observar o céu à noite, nunca havia prestado muita atenção. “Meu pai tinha me mostrado, mas não sabia o nome dos astros. Agora, vou tentar me lembrar quando olhar”, diz o pequeno.

Programe-se

» Interessados em contratar o planetário podem ligar para o telefone 8448-4923 ou entrar em contato pelo e-mail planetario.bsb@hotmail.com
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