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Ensino médio também muda

Além do aprendizado em ciclos até o 9º ano, grupo de trabalho da Secretaria de Educação estuda a possibilidade de implementar, já em 2013, a divisão de disciplinas em blocos, por semestre, nas últimas séries antes do vestibular

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postado em 29/11/2012 08:00 / atualizado em 28/11/2012 13:13

Manoela Alcântara

A educação básica na rede pública de ensino do Distrito Federal pode sofrer mudanças em 2013. Estão em discussão a adoção do aprendizado em ciclos até o 9º ano e a implementação de um modelo de blocos de disciplinas para o ensino médio. O Sindicato dos Professores (Sinpro) teve acesso ao novo formato estudado para as escolas e se preocupa com a possível aprovação de um projeto sem uma discussão com a sociedade.

De acordo com o diretor do sindicato, Washington Dourado, o estudo em ciclos acabaria com a reprovação em diversas séries. Os alunos só seriam avaliados com a possibilidade de retenção entre o 5º e o 6º ano e no fim do 9º. Nas últimas séries antes do vestibular, a divisão seria diferente. “O ensino médio seria dividido em blocos, segundo informado por integrantes do grupo de trabalho da Secretaria de Educação. Em um semestre, o aluno estudará um conjunto de disciplinas, no semestre seguinte, outro. Por exemplo, se aprender exatas no primeiro, terá humanas no segundo”, explicou.

Dourado ressalta que integrantes do grupo de trabalho preveem mudanças já para o ano que vem. “Nossa maior reclamação é fazer isso a toque de caixa, sem preparar a rede pública, sem discutir com a sociedade”, disse. O modelo aplicado seria similar ao Bloco Inicial de Alfabetização (BIA) (veja Para saber mais) já implementado no DF para as três séries iniciais do ensino fundamental, quando não há retenção. “A intenção da secretaria é reproduzir o BIA nos ciclos seguintes, mas para o professor é um desafio, principalmente porque estamos acostumados com a seriação. Precisamos de tempo para discutir essas possíveis alterações”, exemplificou.

O sindicalista afirma que não vai julgar o mérito da possível proposta, mas reivindica informações oficiais e participação da sociedade na formação da política. “Queremos debater, conhecer, analisar o que será feito na rede pública do DF”.

Os temores, no entanto, não são confirmados pela Secretaria de Educação do DF. A pasta informou, por meio de nota, que mantém um grupo de trabalho para discussão e organização do sistema, que busca constantes melhorias para o ensino público do DF, mas negou ter um plano pronto para 2013. “As discussões são necessárias para se alcançar propostas para uma mudança de qualidade no ensino-aprendizagem. Neste momento, não existe nenhuma proposta concreta de mudança no currículo pedagógico da rede pública de ensino”, diz o documento.

Prós e contras
Embora não haja confirmação das mudanças, especialistas ouvidos pelo Correio ressaltam pontos positivos e negativos do aprendizado em ciclos. Eles concordam que uma política tão diferente da atual precisa ser implementada com cuidado. A professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Benígna Villas Boas é a favor da forma diferente de organização, mas dentro de um sistema voltado para o aprendizado e com estrutura para o modelo.

Ela ressalta que as escolas precisam ter condições de trabalho melhores que as atuais para o início do sistema em ciclos. Além disso, analisa que é necessário ter professores, gestores e equipes pedagógicas muito bem preparados. “A escola não foi feita para reprovar, mas para que os estudantes aprendam. Se o conteúdo é bem assimilado, eles estarão preparados para enfrentar qualquer seleção e para qualquer situação da vida.”

No entanto, a professora Lêda Gonçalves de Freitas, da Universidade Católica de Brasília (UCB), tem ressalvas quanto às possíveis mudanças. “A proposta é bem democrática, mas a realidade dos ciclos não tem resolvido o problema da aprendizagem nas escolas. Tem, muitas vezes, adiado a reprovação e isso é sério”, afirma. Para ela, antes de fechar um novo programa, uma pergunta essencial deveria ser feita: “O que precisamos fazer para que nossas crianças aprendam melhor?”.

 

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