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Mais de 800 presos fazem Enem

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postado em 07/12/2012 08:00 / atualizado em 06/12/2012 13:08

Wellington de Sousa Lima tem 30 anos e vislumbra um futuro com diploma, bom nível de instrução e, quem sabe, uma oportunidade no ensino superior. Ele é um dos mais de 23 mil candidatos que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na terça e na quarta-feira em todo o país. As datas foram reservadas exclusivamente para os candidatos que estão presos ou cumprindo medidas socioeducativas, no caso de menores de 18 anos.

O baque das grades se fechando assusta os visitantes que nunca puseram os pés na Papuda. Um agente de segurança serve de guia pelos corredores intrincados do Bloco E do presídio do Distrito Federal 1 (PDF-1), onde 162 internos resolvem as provas do segundo dia do Enem. No total, 887 detentos em nove unidades penitenciárias do DF se inscreveram no certame.

Por volta das 15h30, os primeiros candidatos começam a sair. São seis, e, de forma ordeira, esperam o carcereiro abrir as grades que dão acesso ao corredor das celas. Apenas Wellington concordou em falar com a reportagem: “Abandonei a escola no 2º ano do ensino médio. Não estudo há 5 anos. Não estou muito confiante, mas estou feliz que consegui fazer tudo”. Para ele o mais difícil foram as provas de matemática e a de redação, aplicadas ontem. “O tema foi trabalhar em grupo para ajudar as pessoas. Acho que me saí bem porque falei da minha vida na cadeia”, revela. O interno reconhece o esforço dos professores de mantê-lo na escola. “Isso é um trabalho em equipe”, compara.

“Quero anunciar que, desde as 13h, o Enem está ocorrendo com tranquilidade, positivo?”, informa, pelo rádio, um funcionário ao chefe do Núcleo de Ensino do presídio, Dalton Neiva. Mas nem o recado desanuvia o semblante do coordenador. “O clima aqui é sempre tenso. Ficamos o tempo todo de sobreaviso”, diz ele.

O PDF-1 é um dos presídios que compõem o complexo da Papuda. Atualmente, abriga cerca de 3 mil internos. As provas do Enem coincidiram com os dias de visita dos parentes dos detentos, que tiveram de escolher entre ver a família ou fazer o exame.

“A preocupação para aplicar (a prova) dentro do presídio é o que muda”, diz Lourival Milhomem, coordenador de aplicação do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), que foi designado para acompanhar o Enem no PDF-1. “Pegamos um interno que extraiu a carga da caneta depois da prova. Nada pode passar, do jeito que o interno entrou na sala ele tem que sair”, exemplifica Dalton Neiva.

No PDF-1, cerca de 400 detentos estão inscritos em atividades educacionais, entre alfabetização e ensinos fundamental, médio e profissionalizante. As vantagens, para eles, são muitas. Além da educação, preso que estuda pode ser transferido para um bloco mais tranquilo, ganha lanche extra oferecido pela Secretaria de Educação do DF e ainda tem a pena reduzida. Além do Enem, o PDF-1 aplica os vestibulares da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Católica de Brasília (UCB).
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