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Vencedores da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa recebem prêmios em Brasília

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postado em 11/12/2012 08:00 / atualizado em 11/12/2012 10:06

Bernardo Rebello/Itaú Social/Divulgação
Os vencedores da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro foram anunciados nesta segunda-feira (10/12) durante cerimônia oficial realizada em Brasília. Estavam presentes os 152 finalistas, estudantes do 5º ao 9ª ano do ensino fundamental e também dos dois primeiros anos do ensino médio de todo o país. A entrega do prêmio ocorreu no edifício da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio.

Dentre três milhões de inscritos, havia finalistas de todos os estados e textos vindos de cinco mil cidades. Os jovens autores concorreram a quatro categorias, de acordo com a série em que cursavam na escola. O gênero literário escolhido para que os alunos do 5º e 6º anos do ensino fundamental soltassem a imaginação foi o poema.

Já alunos do 7º e 8º anos deveriam escrever uma memória literária. Os do 9º, uma crônica. E para os estudantes do ensino médio, um artigo de opinião. O resultado é uma miscelânea cultural e muito abrasileirada em torno do tema “O lugar onde vivo”. Eram 38 alunos selecionados para cada gênero literário, e 20 foram agraciados com medalha de ouro na premiação.

Salete Lecardelli, professora do vencedor na categoria Poema, o catarinense João Pedro Artifon Canton (leia o poema abaixo), foi com o aluno até Fortaleza, no outro extremo do país. "Você vê pessoas de cidades diferentes e aprende muito com a realidade dos outros. A minha cidade tem apenas oito mil habitantes."

"O que mais gostei foi de ver as problemáticas de estados diferentes do meu. Percebi que não é só meu estado que tem problemas. A Olimpíada pode abrir várias portas para mim", relata a estudante do Ensino Médio Ana Lina Oliveira, que pretende ingressar no curso de letras em seu estado, o Amapá. A professora da jovem, Lilian Torres, conta que foi um processo muito difícil, mas gratificante.

Como incentivadora de seus alunos, trouxe exemplos de artigos feitos por outros estudantes nas edições anteriores, para, a partir disso, trazer inspiração. "Apesar das correções, tudo foi feito com bastante autonomia pelos alunos, com muito respeito pela autoria do texto".

A única classificada para a final do Distrito Federal , na categoria Poema, foi Andressa Monteiro, do Centro de Ensino Fundamental 802 do Recanto das Emas. Apesar de não levar para casa a medalha de ouro, ficou feliz com a experiência de aprimorar sua escrita e conhecer pessoas de diversos estados.

A professora de Andressa, Rosangela Chaves, comemora a experiência: "Aprendi que tenho de acreditar nos meus alunos, que são magníficos, e às vezes a gente não dá a devida atenção. Percebi que vale a pena ajudar a melhorar a educação do meu país."

O prêmio
A premiação nacional é promovida pelo Ministério da Educação (MEC) em parceira com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Idealizadores do prêmio, Roberto Setubal, presidente da Fundação Itaú Social e Maria Alice Setubal, diretora-presidente do Cenpec, estavam presentes. Representando o MEC estava presente o secretário de Educação Básica, César Callegari.

“A Olimpíada é muito mais que um concurso. Ela, antes de tudo, nasceu de um projeto para melhorar a qualidade de ensino nas escolas", explica o presidente da Fundação Itaú Social, Roberto Setubal. A iniciativa da fundação, em parceria com a Cenpec, se tornou política pública de educação em 2008 com a entrada do MEC, no mesmo momento em que o nome Olimpíadas da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro foi adotado.

Apesar de não ter atingido a cifra de sete milhões de estudantes inscritos, como na etapa anterior, em 2010, a Olímpiada de Língua Portuguesa é elogiada por alunos, pais e professores por conta da organização e estímulos ao conhecimento. Oficinas de leitura e escrita foram promovidas em quatro capitais do Brasil na semifinal, quando ainda haviam quinhentos selecionados, nas cidades de São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte e Natal.

Leia o poema vencedor, de João Pedro Artifon Canton, da escola N. E. M. Professor Claudino Locatelli, em Ipumirim (SC):

Bernardo Rebello/Itaú Social/Divulgação
O João de Ipumirim

Blém, blém, blém!...
Toca o sino da matriz
São seis horas da manhã
Me acordo, sou o João!

O João da poesia
O João da antiga Vila Harmonia
O João da alegria
O bisneto da nona Maria.

O João de Ipumirim
Que cuida do jardim
Que pratica esporte, lazer
Dança gaúcha folclórica, prazer.

O João que ama a escola
Vive chutando bola
Ama a rua onde mora
Não deixa pássaro na gaiola.

O João que faz fogo no fogão
Que sapeca o pinhão
Que toca seu violão
Que bebe o bom chimarrão.

O João que brinca no parque da praça
Que com o amigo faz graça
Que desenha na vidraça
Que é feliz quando abraça.

O João que vai à piscina
Que no judô fascina
Que anda de skate na esquina
Que sua bicicleta empina.

O João que dá bom-dia
Pro vizinho, pro amigo, pra tia
Que a vida desafia Convivendo com alegria.

O João que cultiva o chão
Cuida da terra com a mão
Planta milho, pipoca, feijão...
Divide tudo com o irmão.

O João que anda a cavalo
Que dá comida pro galo
Que no rio Engano pesca
Que com os amigos faz festa.

O João que nasceu nessa cidade
Que cresce com liberdade
Tem amigos de verdade
Só existe amizade.

O João que aqui é feliz
Que aqui criou raiz
Que toca o sino da matriz
Que desse povo é um aprendiz.

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