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Brasília, quinta-feira, 17 de abril de 2014

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Educação inovadora garante reconhecimento do MEC a 40 professores do Brasil Prêmio Professores do Brasil valoriza práticas bem-sucedidas no Ensino Básico. Dois projetos vencedores são do DF

Publicação: 14/12/2012 11:34 Atualização: 14/12/2012 14:58

O Ministério da Educação (MEC) entregou o prêmio Professores do Brasil 2012 a 40 educadores de todo o país que inovaram na forma de ensinar e trabalhar em sala de aula. Dois projetos vencedores são do Distrito Federal (DF). A cerimônia aconteceu ontem (13/12), e reúne os premiados até esta sexta-feira em palestras e workshops para compartilhar as experiências bem-sucedidas em educação.

Conquistar a cidadania por meio da alfabetização, da leitura e da escrita. Aprender na prática noções de reciclagem e conservação do meio ambiente. Tornar-se protagonista da história do país à partir das lembranças de família. Aprender sem deixar de lado os jogos e as brincadeiras inerentes da infância. Foram projetos como esse que o MEC reconheceu como destaques do ano na sexta edição do prêmio.

Formando cidadãos
Para a professora Raquel Ferreira, da Escola Classe 18 de Taguatinga, o prêmio é o reconhecimento de 29 anos de trabalho com as crianças em idade de alfabetização. “Esse ano foi muito especial. Assumi uma turma inteira após 12 anos trabalhando na biblioteca da escola, e pude aplicar uma nova didática. Descobri a importância de valorizar a leveza e respeitar o tempo da criança na hora de ensinar a ler e escrever”, conta Raquel.

Professora Raquel Ferreira (de rosa, no alto), fantasiada ao lado dos alunos para uma atividade do projeto que desenvolve na Escola Classe 18 de Taguatinga. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press  (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Professora Raquel Ferreira (de rosa, no alto), fantasiada ao lado dos alunos para uma atividade do projeto que desenvolve na Escola Classe 18 de Taguatinga. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


A professora desenvolveu o projeto Como nasce um livro?, vencedor na categoria de temas livres para iniciativa em educação infantil. Com a proposta, Raquel não apenas alfabetizou as crianças, mas escreveu com elas mais de 20 livros sobre temas variados ao longo do ano.

“Trouxemos a realidade deles para a prática da escrita. Eles contavam sobre as próprias experiências, inventavam peças, pesquisavam sobre os assuntos que os interessavam”, ela descreve.s animais do zoológico, os super-heróis da vida real e os membros da família foram alguns temas aproveitados em sala de aula.

Raquel enfrentou o desânimo de uma greve e o distanciamento dos pais da escola. “Não foi fácil, mas quando são estimuladas, as crianças sempre querem aprender, e até ensinam aos pais. Os resultados foram muito positivos”, ela avalia.

A pergunta inicial do projeto gerou um outro questionamento. Certo dia, uma aluna perguntou à professora como um livro morre. “Fiquei sem palavras, deixei que eles mesmos respondessem. Aí, um deles disse que um livro morre quando não é lido. Foi aí que percebi que eu tinha atingido meu objetivo”, ela recorda.

Cultura popular

A experiência de educar valorizando o espaço da criança também foi o estímulo que a professora Michelly Araújo teve para alfabetizar cerca de 110 alunos na Escola Municipal Elpídio Reis, em Campo Grande (MS).

“Fizemos na escola um resgate da memória. Alfabetizamos cantando as músicas de roda, utilizando as brincadeiras do passado”, explica Michelly. A proposta interessou não só às crianças, mas aos pais e avós.

“A família, que nem frequentava mais o ambiente escolar, decidiu se envolver na educação do filho. A memória da infância resgata também a memória da família. As crianças chegavam com histórias que os avós contaram no fim de semana, com brincadeiras recordadas pelos pais e que pareciam esquecidas”, ela narra.

Com Atirei o pau no gato, Ciranda cirandinha, O cravo e a rosa e outras cantigas, ao fim do ano as crianças todas sabiam ler. “Não precisei fazer bê-com-a-bá, que isso ficou no passado. A leitura e a escrita são elementos da vida cidadã, não devem ser tratadas como ferramentas”, opina a professora.

Incentivo que conta
Para o coordenador do prêmio no MEC, o reconhecimento é um estímulo para os grandes talentos das salas de aula. “Não premiamos apenas projetos de sucesso. Premiamos também professores apaixonados pelo que fazem”, ele pondera.

Para o coordenador, o saldo é positivo. “Temos aqui o retrato de uma educação que queremos para todo o país, sementes de experiências que deram certo e devem ser multiplicadas em outras escolas.”

Os ganhadores receberam um troféu e um certificado do MEC, além de um prêmio de R$7 mil reais, concedido pelas entidades privadas parceiras do ministério.

A premiação tem o apoio da Fundação Volkswagen, Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime), Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), entre outras entidades.

Projeto multidisciplinar

“Com tanto projeto inspirador, eu até duvido que o meu trabalho seja bom”, titubeia o professor Gilvan França, do Centro de Ensino Fundamental 2 de Planaltina. Mas ele foi premiado por causa de um dos projetos mais aplaudidos pelos colegas. “Construímos uma sala de aula inteira toda feita de material reciclado”, ele resume, modesto.

Professor Gilvan França, vencedor ao construir uma eco-sala no Centro de Ensino Fundamental 2 de Planaltina. Foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press  (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )
Professor Gilvan França, vencedor ao construir uma eco-sala no Centro de Ensino Fundamental 2 de Planaltina. Foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press


Gilvan precisou estudar muito para ter certeza que o projeto daria certo. "Tinhamos medo que a sala desabasse antes mesmo de ficar pronta", explica. O professor trabalhou durante seis meses só para planejar a sala. Nesse tempo, se informou sobre a eficácia das garrafas pet em construções, estudou sobre maneiras de utilizá-las, e precisou aprender até noções de arquitetura. Tudo compartilhado com os alunos.

Foram eles que botaram a mão na massa. As garrafas foram preenchidas com areia, fixadas ao solo e devidamente tampadas. A ventilação e a iluminação são todas naturais. E o resultado é uma comunidade muito mais preocupada com a escola.

A colega Neiva de Oliveira, diretora da escola, complementa: “Construímos uma sala, mas também formamos jovens conscientes sobre o meio ambiente, de olho em tecnologias de reutilização de materiais, preocupados com as questões urgentes do nosso tempo. Mais ainda, envolvemos toda a escola no projeto. Conseguimos ensinar sobre o trabalho em grupo e a importância de cooperar”, enumera.

Lições que, para Neiva, são insubstituíveis. Um dos pontos em comum com a maioria dos projetos vencedores é a capacidade de atrair os pais dos alunos para dentro do ambiente escolar. Segundo os professores, a iniciativa interessou a todos os pais, que ajudaram coletando o material necessário. "Os parentes dos alunos estão muito distantes da escola hoje em dia. Esse é um dos nossos principais desafios: integrar a educação da escola com a família", considera Neiva. Problema superado na escola em Planaltina.

E a eco-sala? “Continua lá, de pé. A estrutura de garrafa de refrigerante e bambu é melhor do que a de muitas escolas brasileiras por aí”, garante Gilvan, dessa vez sem esconder o orgulho.

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