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Educação

Faxina para a volta às aulas

Mais da metade das escolas públicas passam por pequenas reformas antes do início do ano letivo. Cerca de 60% dos colégios estão sofrendo intervenções, que incluem poda, pintura e ajustes nos telhados

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postado em 25/01/2013 16:00 / atualizado em 25/01/2013 13:06

Ana Pompeu

O muro do Caic Julia Kubitschek, em Sobradinho 2, será reparado com recursos da própria escola por conta da urgência do serviço: insegurança (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 
O muro do Caic Julia Kubitschek, em Sobradinho 2, será reparado com recursos da própria escola por conta da urgência do serviço: insegurança

A cerca de 20 dias do início do ano letivo na rede pública de ensino, as escolas públicas correm para terminar os ajustes nos prédios. Em alguns casos, pintura e podas vão resolver os problemas e deixar a unidade mais confortável para a volta às aulas. Em outros, alunos, professores e funcionários serão obrigados a conviver com problemas antigos. Os estudantes retornam às escolas em 14 de fevereiro, enquanto professores e funcionários começam os trabalhos no dia 6.

Indicada no ano passado como a escola com pior infraestrutura em relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), a Escola Classe 59 de Ceilândia passou por ajustes no telhado e limpeza das calhas. Em novembro passado, algumas salas de aula foram alagadas depois de uma forte chuva e as aulas tiveram de ser suspensas por um dia. De acordo com o supervisor pedagógico da unidade, Rodrigo Soares Guimarães, muito mais precisa ser feito para que a escola fique segura. “Trocar o telhado e o piso custaria R$ 400 mil, mas a secretaria dispõe de R$ 150 mil. Não tivemos muitas mudanças e não sabemos se o serviço no telhado vai resolver o problema, porque são as mesmas placas de concreto desgastadas”, afirma. Ele se preocupa ainda com a transferência de mais quatro turmas de estudantes da Escola Classe 57, que estava na mesma situação e vai ser demolida. Ainda não existe previsão de reforma geral para a 59.

“Quase todos os problemas verificados no ano passado permanecem e, além disso, vamos ter de transformar espaços de complementação pedagógica, como brinquedotecas e salas de leituras em salas de aulas”, lamenta Rodrigo. A escola é toda colorida e tem vários painéis feitos pelos professores. Esse cuidado, porém, não esconde as falhas como o parquinho estragado e sem cobertura. O porteiro tomou a frente e está virando as placas de concreto que formam o piso para ocultar a face mais estragada e evitar tropeções e quedas.

No Centro de Aprendizagem e Integração de Cursos (Caic) Julia Kubitschek, em Sobradinho 2, da mesma forma, apenas parte dos ajustes serão feitos. “Espero que as aulas comecem com tudo concluído. Mas a empresa contratada pela secretaria para reformar os banheiros está parada esperando os materiais e nós mesmos vamos ter que corrigir o muro quebrado”, conta a diretora Jailma Vicente. Os banheiros do prédio têm infiltrações, vazamentos, e a encanação é antiga .

O muro mencionado pela diretora é o da fachada da escola. Existem dois grandes buracos em um dos lados, o que permite a entrada de estranhos em horários de pouco movimento. “A equipe de engenharia da secretaria esteve aqui e verificou que é preciso derrubá-lo e reconstruí-lo. Então vamos ter de esperar um processo licitatório. Para não termos problemas de segurança, vamos usar verba própria a fim de amenizar a situação”, diz Jailma. A pintura foi feita em 2012 e existe previsão para revisar a parte elétrica no início do ano.

Medidas emergenciais
Entre os colégios públicos mais tradicionais de Brasília, o Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb), na Asa Sul, só passou por uma obra, há 25 anos, quando o telhado foi reparado. No fim do ano passado, a escola teve um princípio de incêndio e, pouco tempo depois, salas foram alagadas durante uma chuva forte — as telha não resistiram e cederam. Na tarde de quarta-feira, a Defesa Civil e uma equipe da Secretaria de Educação visitaram a unidade. A comissão concluiu que é necessário realizar uma reforma geral capaz de solucionar os problemas. “Para isso, é preciso fechar a escola, o que só seria possível em 2014. Estamos tomando medidas emergenciais para que o colégio funcione até lá”, explica o vice-diretor do Cemeb, Marcos Vinícius de Oliveira.

As medidas paliativas, no entanto, podem potencializar os problemas. A direção comprou lâmpadas para substituir as queimadas. No entanto, a Defesa Civil encontrou problemas elétricos e alertou sobre a possibilidade de sobrecarga na rede, construída na época da inauguração  da escola, há 51 anos. “Desde que assumimos, tínhamos conhecimento dessas falhas e enviamos vários ofícios à secretaria, mas não houve resposta”, lamentou Marcos Vinícius. A equipe da pasta está reparando piso e pintura de uma das alas da escola. Consertos nas grades, pintura e troca de fechaduras ficaram por conta do colégio.

Em Taguatinga, o Centro de Ensino Fundamental 18 completou 43 anos. A direção resolveu priorizar as salas de aula para o início do ano. “Nunca dá para fazer tudo. Estamos usando a verba de 2012 que chegou depois do fim do ano letivo. Temos três blocos. Alguns serviços vão ficar para depois, mas sabemos que manter uma casa desse tamanho com cerca de mil pessoas circulando diariamente é muito complicado”, pondera a diretora Fátima Godoy. A unidade atende formação de professores e estudantes com altas habilidades. Além desses setores, direção, secretaria, estacionamentos e áreas administrativas vão ter de esperar pelas reformas. Vidros precisam ser trocados e a rede elétrica precisa de revisão. A diretora comemora que os jardins estão sendo podados e a escola receberá carteiras novas para a chegada dos alunos.

Perigo

Em 26 de novembro, uma forte chuva alagou todas as salas da Escola Classe 59 de Ceilândia. As aulas tiveram de ser suspensas. “Ficamos ilhados”, afirmou o diretor, Gilson Nunes. Os pais dos 230 alunos da educação básica foram contatados e tiveram de buscar as crianças mais cedo. A água invadiu o pátio e inundou salas. A Defesa Civil fez vistoria no local e, além de recomendar que a rede elétrica fosse desligada, deixou uma notificação para que a Secretaria de Educação tomasse providências, em até cinco dias, a fim de evitar novos alagamentos.

Piscina abandonada na Escola Classe 59 de Ceilândia: manutenção deficiente é realidade nos colégios do DF (Monique Renne/CB/D.A Press - 23/7/12) 
Piscina abandonada na Escola Classe 59 de Ceilândia: manutenção deficiente é realidade nos colégios do DF

Infraestrutura reprovada

As escolas administradas pelo Governo do Distrito Federal passaram por avaliação do Tribunal de Contas do DF (TCDF) em 2011. O órgão visitou 50 unidades escolhidas aleatoriamente para vistoria dos técnicos. A maioria ficou com nota abaixo do esperado. De cada 10 instituições de ensino, pelo menos oito foram reprovadas no quesito infraestrutura. Entre os problemas, há infiltrações, goteiras, desnível no piso, paredes descascadas, quadras de esportes desbotadas, piscinas abandonadas, mesas quebradas e pouca iluminação, situações incompatíveis com as atividades escolares.

O diagnóstico das instalações de colégios públicos foi feito por servidores do TCDF entre janeiro e fevereiro de 2011. Em julho do ano passado, o Correio publicou reportagem apresentado os dados do relatório e mostrando que o cenário não havia mudado muito. Somente em 17 de julho de 2012, esse relatório foi votado pelo plenário da Corte, que determinou à Secretaria de Educação, por unanimidade, a reforma de todas as unidades com problemas de infraestrutura e deu um prazo de 120 dias para os gestores apresentarem um cronograma de obras, sob pena de descumprimento legal e pagamento de multa.

A auditoria avaliou as instituições por meio da metodologia de amostragem aleatória para assegurar a participação de todas as regionais na proporção do número de escolas que representam. Assim, os vistoriadores concluíram que, de um total de 639 escolas, 87,4% apresentam manutenção e conservação insuficientes, pois foram encontradas em estado de conservação ruim ou péssimo.  
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