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Educação

Corrida para iniciar as aulas

A convocação de 1.688 professores a poucos dias do início das aulas vai amenizar o problema da falta de docentes, mas a secretaria ainda corre a fim de dar treinamento aos profissionais. Caso haja problema, temporários serão chamados até que todos sejam efetivados

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postado em 06/02/2013 08:00 / atualizado em 05/02/2013 11:01

Mariana Laboissière

A menos de 10 dias do início das aulas na rede pública, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SES-DF) terá de correr  se quiser ter boa parte dos 1.688 professores convocados no último sábado nas salas de aula em 14 de fevereiro. Para assumir a função, eles devem passar por exames médicos, apresentar documentação exigida e fazer treinamento — com carga horária ainda não definida pela pasta.

Depois disso, cabe à secretaria direcionar a região administrativa onde cada profissional será lotado. As cidades com maior deficit de professores efetivos são: Ceilândia, São Sebastião, Santa Maria, Samambaia, Riacho Fundo, Recanto das Emas e Estrutural. Neste ano letivo, são esperados cerca de 500 mil alunos nas 652 escolas da rede.

Na Escola Classe Bela Vista, em São Sebastião, nem 10% do quadro é composto por efetivos. “A nossa cidade é a porta de entrada da Secretaria de Educação, e logo os profissionais pedem remoção para outra unidade. A realidade da região em todas as escolas públicas é de 90% de contratos”, estimou o diretor da instituição, Luzimar de Jesus Costa. Embora não saiba quantos profissionais a escola vai receber, ele comemora a convocação dos novos docentes. “É um diferencial sim, um ganho enorme. Bom seria se viessem todos os de que precisamos”, imagina. A Escola Classe Bela Vista atende 1.016 alunos do 1º ao 5º ano.

No Centro de Ensino Infantil nº 3, também em São Sebastião, a situação não é diferente. As atividades da escola iniciaram em agosto de 2012, quando todos os 21 professores eram contratados. “Felizmente, recebemos 11 efetivos, mas sabemos que não é o ideal. O restante das carências vamos suprir com contratados até que os concursados possam assumir”, argumentou a diretora, Marilene Gomes Santana.

Ela acredita que ainda vá demorar até que os convocados assumam as funções nas escolas, ao menos que a Secretaria de Educação trace uma estratégia para esse fim. “Claro que queremos receber esses profissionais, mas sabemos que existe todo um trâmite legal. A vinda desses professores ajuda, inclusive, na criação de uma identidade para a escola. Com os temporários é mais complicado, afinal estamos sempre recomeçando, apresentando novamente a proposta pedagógica da escola”, acrescentou.

Desde 2010

Os docentes convocados no último 2 de fevereiro fazem parte do banco de concursados e, desde 2010, aguardavam convocação. Esse foi o maior anúncio já feito pela Secretaria de Educação. O chefe da pasta, Denilson Bento da Costa, acredita que haja tempo hábil para que todos possam começar as atividades no início das aulas. “A maioria é composta de professores inseridos na rede, só que são de contratos temporários. A partir de amanhã, eles vão receber toda a documentação e, se entregarem tudo certo, dia 14 (de fevereiro) já estarão trabalhando”, informou. “Se não pudermos contar com eles, até quarta-feira (13 de fevereiro), estaremos fazendo contratações temporárias para preencher o que faltar”, acrescentou.

 Por um lado, a Secretaria de Educação garante que o número de convocados é suficiente para cobrir 100% da carência definitiva registrada em 2012, por outro esclarece que as disciplinas de história, geografia e educação física têm deficit de profissionais efetivos concursados. “Estamos com uma concorrência em fase final. Ela será lançada ainda neste ano, e o edital deve sair em março”, adiantou Denilson.

A diretora de imprensa do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Rosilene Correa, diferentemente de Denilson, afirma que a carência não foi totalmente suprida com a última convocação. “O que a gente sabe é que esse número não atinge o total das necessidades, portanto o restante vai ser suprido por pessoal temporário. De toda forma, o número de convocados é significativo”, avaliou. Ela classifica o chamamento dos professores como uma vitória para a categoria, fruto de uma pauta antiga do sindicato. “Isso foi algo que denunciamos bastante. Nunca deixamos de lado o assunto da carência de servidores. E continuaremos exigindo que as vagas que surjam sejam preenchidas por concursados”, completou.


 Ao todo, desde o início da atual gestão, foram convocados quase 3,5 mil profissionais de educação para ocuparem vagas efetivas nas escolas públicas do DF. Dos 1.688 chamados agora, aproximadamente 73% ficarão no regime de 40 horas de trabalho semanais. No total, o impacto anual na folha de pagamentos da educação será de R$ 108 milhões.

Caso ainda sobrem vagas a serem preenchidas por efetivos, o secretário não descarta a possibilidade de uma reconvovação. “No ano letivo, sempre há falta de professores, mas esse é um período de adaptação até que se ajustem as coisas”, emendou.

Distribuição

Quantidade de convocados
em cada disciplina

Administração     3
Artes    127
Atividades     946
Biologia     84
Eletrônica     2
Farmácia     2
Filosofia     18
Informática     10
Língua portuguesa     161
Matemática     120
Música e Proteção ao trabalho     2
Odontologia     2
Psicologia     3
Sociologia     29
Telecomunicações    3
Química     30
Física    20
Francês     3
Inglês     94
Espanhol    12
Música/Câmara erudita    4
Música/Musicalização infantil    2
Música/Piano Correpetição     1
Música/Piano erudito     1
Música/Piano suplementar     3
Música/Regência de banda    2
Música/Saxofone    1
Música/Violão popular     2
Música/Violino    1

Fonte: GDF

Palavra de especialista

Vínculo forte com o aluno

“A convocação para ocupação de cargos efetivos tem papel importante na educação porque sabe-se que esses professores não vão ficar nas escolas por um período muito curto. Eles vão ter oportunidade de criar laços com estudantes e participar efetivamente da construção do projeto pedagógico da unidade, dando sequência a esse plano nos anos seguintes. Com o efetivo, você tem a certeza, a princípio, de que ele vai estar o ano todo na escola, dar todo o conteúdo naquele período. A instituição tem certa estabilidade no que diz respeito à continuidade das ações propostas, portanto, as metas podem ser para mais de um ano. Só existem ganhos com isso. O rendimento dos alunos também pode ser comprometido caso os professores temporários tenham insegurança com relação a sua função ou por quanto tempo podem ou não ficar naquela escola. Esse sentimento pode passar para os estudantes e acabar afetando o processo de aprendizagem.”

Cleyton Hércules Gontijo,
professor do departamento de
Planejamento e Administração da Faculdade de Educação da UnB

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