SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Tráfico próximo a escolas é maior no DF

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/02/2013 08:00 / atualizado em 06/02/2013 09:32

Thalita Lins


Diretor do CEF 7, Firmino adotou estratégia contra as drogas: paradigma (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Diretor do CEF 7, Firmino adotou estratégia contra as drogas: paradigma
 

A incidência do tráfico de drogas nas redondezas de escolas do Distrito Federal é a maior do país, conforme levantamento feito com base nos últimos questionários da Prova Brasil e do Censo Escolar, elaborados em 2011 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Essa conclusão foi obtida a partir do trabalho das organizações sem fins lucrativos Meritt e Fundação Lemann, que cruzaram os dados dos dois formulários. Na capital do país, 53,2% das direções dos 88 estabelecimentos de ensino da rede pública informaram casos de venda e compra de substâncias ilícitas nas proximidades das unidades. O percentual do DF é 18,2% acima da média nacional.

No mais recente estudo da Secretaria de Segurança Pública local, os números mostram que, entre janeiro e julho de 2012, foram registrados 146 casos de tráfico de drogas e 407 de uso e porte de entorpecentes em um perímetro de 100 metros das escolas públicas. Nesse período, Ceilândia, Taguatinga, Gama e Planaltina foram as quatro regiões que lideraram os índices de venda dessas substâncias no DF. No quesito uso e porte de entorpecentes, Ceilândia e Gama continuaram no topo no ranking.

Os dados mostram a realidade enfrentada por professores, pais e alunos, que acabam convivendo com pontos de drogas nas proximidades. Em algumas situações, não é preciso sequer sair das instituições de ensino para encontrar alunos usando entorpecentes. Há cinco anos, era comum os professores recolherem drogas em mochilas de estudantes do Centro Educacional nº 7 de Ceilândia. “Em 2008, apreendemos mais de 20 tabletes de maconhas e duas trouxas de cocaína dentro das salas de aula. Nos últimos dois anos, não flagramos nenhuma droga”, avaliou o diretor do estabelecimento, Firmino Neto.

Acompanhamento

A redução das apreensões de drogas na escola — situada na QNN 13, uma das regiões com maior incidência de criminalidade em Ceilândia — é resultado de um trabalho do corpo docente do colégio. Desde 2009, o centro educacional elabora relatórios com dados dos 3 mil alunos matriculados na unidade. A partir disso, os professores passaram a conhecer não só o desenvolvimento escolar dos estudantes, como também a vida deles fora do ambiente de ensino. “Construímos paradigmas. Começamos a mapear o que se passava com os alunos na rua e em casa para saber quem eles eram realmente. Começamos a acompanhá-los ainda mais de perto e fizemos questionamentos aos pais. Chegamos a assumir responsabilidades fora da escola que nem deveriam ser nossas”, contou Firmino Neto .

Segundo a diretora de imprensa do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Rosilene Correa, a tendência dos alunos que se envolvem com o mundo das drogas é abandonarem os estudos. “Isso contribui para a evasão escolar, pois as drogas tiram o interesse dos jovens de estudar.” Ela acredita que somente políticas públicas voltadas para a juventude serão capazes de mudar o rumo dos estudantes envolvidos com entorpecentes. Para o coordenador de Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Educação do DF, Mauro Gleisson Evangelista, a falta de preparo dos professores para lidar com o enfrentamento das drogas é preocupante. “Eles não estão preparados e estão cientes dessa carência. Mas eles têm nos demandado essa formação, tanto que estão se inscrevendo em cursos voltados para isso”, disse Mauro.

Do lado de fora dos muros dos estabelecimentos de ensino do DF, a responsabilidade da movimentação e utilização de drogas é da Secretaria de Segurança local. O Batalhão Escolar da Polícia Militar afirma que a corporação vem intensificando o trabalho de repressão ao tráfico em todo o DF. “Temos 550 policiais que trabalham em viaturas, motocicletas e com a ajuda de cães farejadores. Quando nos é pedido, fazemos varreduras dentro das escolas. Além disso, damos palestras sobre drogas. O efetivo é suficiente para o trabalho”, esclarece o subcomandante do batalhão, major Valtênio Antônio de Oliveira.

Estudantes vulneráveis

Dados comparativos de janeiro a julho de 2011 e 2012. Quantidade de registros dentro do perímetro de 100 metros das escolas públicas e particulares

Natureza da Ocorrência    Escolas públicas    Escolas particulares
    2011     2012    2011     2012
Tráfico de entorpecentes    159       146     102     93
Uso de entorpecentes     363     407     221     254

Regiões administrativas com maior incidência do problema:

Tráfico de drogas     2011     2012
Ceilândia     50     37
Taguatinga     19     23
Gama     23     15
Planaltina     9     15
Sobradinho     7     12

Uso e porte de drogas     2011     2012
Ceilândia     78     75
Gama     44     62
Recanto das Emas     17     45
Taguatinga     42     45
Brasília     30     41

*Dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF)

Tags:

publicidade

publicidade