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Governador pode rever mudanças na educação pública do DF

Diante da rejeição por parte de professores, alunos e pais acerca das mudanças no currículo escolar, Agnelo Queiroz admite a possibilidade de o tema ser melhor debatido com a sociedade

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postado em 09/02/2013 10:15 / atualizado em 09/02/2013 15:00

Lilian Tahan , Almiro Marcos

A adoção do sistema de ciclos e da semestralidade proposto pela Secretaria de Educação já no início deste ano letivo pode ser revista pelo governador Agnelo Queiroz (PT). As mudanças na atual grade curricular em parte da rede pública têm sido contestadas por parte de professores, estudantes, pais de alunos, Conselho de Educação e até pelo Ministério Público, que promete ajuizar uma ação questionando a urgência na aplicação da medida. Diante da repercussão negativa, Agnelo admitiu a pessoas próximas a possibilidade de rever o calendário das mudanças para que o tema possa ser melhor debatido com a sociedade.

O ano letivo começa na próxima quinta-feira, quando quase 500 mil estudantes retomam a rotina em 652 instituições públicas de ensino. As alterações previstas pela Secretaria de Educação começaram a ser ventiladas no fim do ano passado e foram oficialmente anunciadas em meados de janeiro. A novidade assustou a comunidade escolar, que passou a questionar as intervenções. Abriu-se a divergência sobre o amadurecimento da ideia. O secretário da pasta, Denílson Bento da Costa, defende que o assunto vem sendo debatido internamente desde 2011. Mas os críticos à proposta refutam essa informação. Dizem que foram pegos de surpresa e que uma modificação dessa natureza deveria ser discutida até se formar um consenso.

A polêmica se concentra em torno de duas fases na vida escolar da rede pública. A primeira delas atinge o ensino fundamental. Assim como já acontece entre o 1º e o 3º ano, em que os alunos são avaliados ao final do ciclo, e, portanto, não podem ser reprovados no meio desse período, o método seria estendido para as duas séries seguintes (4º e 5º anos). O novo modelo, uma vez mantido, será obrigatório para as regionais de Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante e Guará — as demais cidades podem aderir se gostarem da ideia e tiverem estrutura. O sistema continua seriado entre o 6º e o 9º anos, em que o método só seria adotado a partir de 2014.

Segundo a programação da Secretaria de Educação, também estão previstas mudanças no ensino médio, que passará a funcionar por meio de blocos de disciplinas semestrais: metade da turma estudará somente humanas, enquanto a outra ficará com exatas e, nos seis meses seguintes, a ordem se inverte. No turno contrário, os estudantes terão apoio pedagógico para acompanhamento das matérias. E, diferentemente do sistema de ciclos, nesse caso da semestralidade, não haverá obrigatoriedade, segundo informou o secretário Denílson Bento. As escolas vão decidir se querem ou não implementar a novidade.

Agnelo Queiroz não demonstrou publicamente até hoje rejeição ao projeto. Mas passou a admitir a possibilidade de rever as mudanças para 2013 a partir da pouca aceitação da ideia. O governador considera que a alteração teria sido melhor assimilada se houvesse uma ampla discussão. É isso o que deve propor no retorno do carnaval. O secretário Denílson Bento, no entanto, mantém a posição de dar início ao sistema de ciclos entre o 4º e o 5º anos, além da semestralidade no ensino médio já na semana que vem. “Vamos manter o que está programado. Não existe uma rejeição da forma como se fala. O que houve foi um pedido de explicação da Câmara de Educação Básica, que já foi respondido em detalhes. É importante dizer que estamos trabalhando com um projeto piloto em 71 escolas. As outras aderiram por acreditar no projeto”, afirmou Denílson.

Mal no ranking


As mudanças na grade curricular da rede pública do DF começaram a ser ventiladas diante dos resultados negativos no ranking nacional da qualidade de ensino. O próprio secretário Denílson Bento admitiu ao Correio, na edição de 15 de janeiro, que o DF ocupa o segundo lugar no ranking de reprovação e que era necessário mudar essa situação. Um dos meios encontrados foi justamente ampliar os ciclos no ensino fundamental e implantar a semestralidade no ensino médio. As novidades geraram reações do Sindicato dos Professores (Sinpro), da Associação de Pais de Alunos (Aspa), da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (Umesb) e ainda repercutiu negativamente entre educadores.
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