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Correio Braziliense

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Violência

Baleada na porta da escola

Estudante de 13 anos é atingida por tiro na perna enquanto esperava o irmão mais novo após a aula, no Centro de Ensino Fundamental 3, em Brazlândia. O alvo do atentado seria um adolescente envolvido com gangues da cidade

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postado em 20/02/2013 11:03


PMs em frente ao CEF 3, após os disparos: diretora da instituição se queixa de falta de policiamento nas ruas do bairro (Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press) 
PMs em frente ao CEF 3, após os disparos: diretora da instituição se queixa de falta de policiamento nas ruas do bairro

Uma menina de 13 anos foi ferida por uma bala perdida, no início da tarde de ontem, quando estava na frente da escola onde estuda, o Centro de Ensino Fundamental 3 (CEF 3), em Brazlândia. O autor dos tiros, que seguia foragido até o fechamento desta edição, teria passado de bicicleta na rua do colégio e tentado acertar um adolescente de 17 anos que estava numa quadra de esportes ao lado do prédio. O motivo da agressão seria, segundo a polícia, um acerto de contas entre gangues rivais. O alvo dos disparos conseguiu fugir, mas a garota acabou atingida na perna esquerda e precisou ser levada ao hospital. Ela não corre risco de morte.

A ocorrência foi registrada na 18° Delegacia de Polícia (Brazlândia). De acordo com o delegado Antônio Dimitrov, o ataque aconteceu por volta das 12h30. A menina, aluna da 7º série, teria faltado à aula e tinha ido ao colégio, acompanhada do namorado, para buscar o irmão menor, de 10 anos, que também estuda lá. “Quando o tiroteio aconteceu, ela estava ao lado do portão de entrada. Para se esconder, o adolescente alvo do ataque fugiu de bicicleta e entrou na escola pelo porta de trás”, descreveu o delegado. No momento, havia, dentro do prédio, aproximadamente 400 alunos.

Segundo o relato da diretora do CEF 3, Alessandra Rabelo, o jovem que escapou dos tiros ficou no colégio até a polícia chegar. “O portão de trás é por onde os alunos entram e saem. Ao longo do dia, ele fica fechado. Bem na hora do tiroteio, estávamos recebendo uma entrega de produtos de limpeza e o rapaz deu sorte de conseguir entrar”, conta. A garota também se protegeu no interior da unidade de ensino, depois de ser ferida. Lá, ela foi foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, que a levou ao Hospital Regional de Brazlândia (HRB).

A menina precisou passar por cirurgia, mas se encontra estável, como informa o diretor do hospital, Paulo Lisbão. “Não apareceu nenhum projétil na radiografia e, agora, falta apenas receber o parecer do ortopedista para que ela tenha alta”, explicou. Como não há nenhum especialista nessa área no HRB, a vítima foi transferida ao Hospital Regional de Ceilândia, ainda na tarde de ontem.
A mãe da menina, de 35 anos, reclama das condições de segurança do colégio e diz que já tentou mudar os filhos para outra instituição pública diversas vezes. “No CEF 3, sempre tem confusão. Muitos meninos ficam na porta fazendo nada. O bairro tem pouco policiamento e é perigoso”, queixa-se.

As investigações continuam. Segundo o delegado-chefe da 18º DP, tudo indica que a causa foram conflitos entre gangues rivais de Brazlândia. O adolescente alvo do ataque tem passagens por infrações de gravidade menor. “Os suspeitos do tiroteio já foram identificados e esperamos que o autor seja detido em breve”, acrescenta Dimitrov.

Medo

Uma estudante da 5º série do CEF 3, de 12 anos, que estava na sala de aula na hora do tiroteio, conta como foi a reação da turma. “A professora estava acabando de copiar um texto no quadro, quando ouvimos os tiros. As meninas começaram a gritar e todo mundo se escondeu embaixo da mesa, com medo. Só quando o barulho parou, a gente começou a sair da sala”, descreve.
No turno da tarde, as aulas continuaram normalmente. No entanto, pais e alunos demonstraram preocupação com a segurança do colégio. “É muito comum acontecerem coisas desse tipo por aqui. Não adianta ter os guardas da escola, também é necessário mais policiamento nas ruas”, reclamou a mãe de um dos alunos, que preferiu não se identificar. O filho dela, que estuda no 7° ano do turno da tarde, diz já ter se acostumado com a situação: “Nem sinto medo, esses problemas se tornaram algo normal”.

A diretora do CEF 3 explica que, além do guarda da instituição, há dois policiais militares que ficam à tarde no colégio, como medida do programa da Secretaria de Segurança “Muita calma nessa escola”. “Mesmo assim, não é suficiente. Além da ação do Batalhão Escolar, é preciso que seja feita uma ronda policial mais eficiente em todo o bairro”, queixa-se.
Para Alessandra Rabelo, uma das questões mais graves é a quadra de esportes ao lado do colégio. “Nós não temos espaço apropriado para aulas de educação física e já pedi que a quadra fosse integrada à escola. Com a falta de segurança, ela acabou virando ponto de traficantes e integrantes de gangue”, revolta-se. A diretora diz que já encaminhou o pedido para que o espaço faça parte do CEF 3 e que a solicitação tramita na Secretaria de Habitação, mas não há previsão de mudança.


Memória

2 de julho de 2012
Na Vila Buritis 1, em Planaltina, um rapaz foi atingido por um tiro na porta da escola, por volta das 19h30, em julho do ano passado. À época, policiais suspeitaram que um desentendimento entre a vítima e o atirador teria levado ao crime. O rapaz foi socorrido para o Hospital Regional de Planaltina e passava bem.

27 de outubro de 2010
Um jovem de 15 anos foi baleado em frente à escola onde estudava, em Planaltina. Ele chegava para assistir às aulas, por volta das 13h, quando foi abordado por um homem. Depois dos disparos, o adolescente ainda conseguiu correr até a instituição de ensino para pedir socorro. Ele foi levado para o Hospital de Base e não corria risco de morte.
 
13 de março de 2010
Em 13 de março, o adolescente Lucas Jerônimo da Silva, 14 anos, morreu após dois dias internado no
Hospital de Base para se recuperar dos dois tiros que levou na
cabeça, próximo à escola em que estudava, o Centro de Ensino Fundamental 28, no P Norte, em Ceilândia. O autor dos disparos também era menor de idade e acabou matando o rapaz por ciúmes de uma menina do colégio. O infrator se apresentou à polícia no mesmo dia da confirmação da morte cerebral de Lucas e respondeu às acusações em liberdade. A família da vítima doou os órgãos do estudante.

Fevereiro de 2000
Um homem teria ficado tetraplégico depois de ser baleado durante um assalto na Escola Classe 120, em Samambaia. Ele foi seguido por dois assaltantes até o colégio, onde iria se encontrar com a mulher. No pátio do estabelecimento, a dupla anunciou o assalto. Os criminosos levaram o homem para uma sala de aula, onde começaram a trocar tiros com policiais. Um menino de oito anos foi atingido de raspão. Os criminosos fugiram com dinheiro e um veículo da vítima.
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