SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Práticas de ensino

Metamorfose ajuda professora a desenvolver projeto pedagógico

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 26/02/2013 10:24 / atualizado em 26/02/2013 11:33

Uma borboleta que entra voando na sala de aula pode ser a ideia inicial de uma boa prática pedagógica. Mais de duas décadas depois, a professora Ana Maria Camillo, do Centro Educacional Municipal Antônio Porto Burda, em Fraiburgo, Santa Catarina, lembrou a lição que recebeu no magistério. No ano passado, as borboletas amarelas que pousavam numa árvore próxima alteraram a rotina escolar de uma turma de terceiro ano.

Após visita ao mundo da leitura na biblioteca da escola, a professora e seus alunos, de 8 e 9 anos, voltavam para a sala de aula quando encontraram uma pequena lagarta. Curiosas, as crianças a levaram para a sala de aula. “Eles observaram o invertebrado e o desenharam, mas quando foram devolvê-la para a árvore, descobriram um verdadeiro laboratório”, conta Ana Maria.

A árvore no pátio da escola, florida de amarelo, abrigava outras lagartas e casulos. A professora teve então a ideia de elaborar projeto pedagógico e abordar com os alunos o tema da metamorfose. Dez lagartas foram levadas à sala de aula e passaram a viver, inicialmente, em potes de sorvete, com galhos da árvore para se alimentar e gravetos de churrasco para fixar os casulos. Os potes foram fechados com plástico comum de cozinha, com pequenos furos.

“Começamos então a integrar a metamorfose com outras atividades pedagógicas”, diz a professora, de 41 anos. As crianças leram Romeu e Julieta, de Ruth Rocha, sobre a amizade de duas borboletas, e resolveram questões matemáticas com o tema. “Fomos pesquisar na internet sobre as etapas da transformação da lagarta em borboleta, o que resultou num livro com textos curtos”, explica Ana Maria.

“Eu não conseguia encerrar o projeto porque os alunos estavam muito animados, até o dia em que conseguiram ver a metamorfose de uma lagarta em borboleta amarela, como as flores da árvore da escola”, conta a professora. Ela lembrou, emocionada, a lição na época em que era estudante do magistério. “Dou aulas há 22 anos, e esse foi um projeto muito emocionante”, revela. “Nessa prática, estão todos os meus 22 anos de professora. A lição da borboleta que entra na sala de aula e se transforma em situação didática ficou gravada em mim.”

Iniciado no começo do ano, o projeto foi encerrado com representação teatral baseada na história do livro infantil de Ruth Rocha. A metamorfose foi filmada e virou matéria de jornal na cidade, de 37 mil habitantes. “O projeto não ficou restrito à sala de aula: alunos menores e maiores de outras turmas também ficaram curiosos”, salientou a professora. “Ver as crianças se espantarem com o novo, com a pequena coisa, foi gratificante.”

Encantamento — Em seu blogue, a professora destaca frases do educador e escritor Rubem Alves. “A alma é uma borboleta... há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose...” , diz Alves.

O autor afirma ser fácil educar a criança porque ela tem um olhar de encantamento, uma qualidade de olhar que os gregos consideravam o início do pensamento. “E isso é verdade; não precisamos de grandes projetos. Quando os alunos se encantam, você consegue ensinar a eles o que quiser”, afirma Ana Maria. “Por isso, gosto de trabalhar com projetos que unem música e teatro. Sinto que alunos ficam inteiros e dão ao professor aquela emoção de estarem interessados em aprender”, ensina. “Não é igual a uma aula puramente teórica.”

O projeto da professora foi premiado em 2012 pelo Ministério da Educação na sexta edição do Prêmio Professores do Brasil, que reconhece boas práticas de ensino. O trabalho pode ser conferido no blogue que Ana Maria mantém na internet. O vídeo De Lagarta a Borboleta, postado no You Tube pela professora, mostra o borboletário criado na sala de aula.
Tags:

publicidade

publicidade