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A magrela vai à escola

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postado em 04/03/2013 18:00 / atualizado em 04/03/2013 12:00

Conceição Freitas

Publicação: 04/03/2013 04:00

UM AVÔ SUAS NETAS  Seu Raimundo Nonato, 74 anos, mora no IAPI. Habitualmente, ele leva à escola as netas Lorraine e Caroline (atrás) e a sobrinha Isadora (na frente) . Se elas têm transporte mais confortá vel, ele volta sozinho    
UM AVÔ SUAS NETAS Seu Raimundo Nonato, 74 anos, mora no IAPI. Habitualmente, ele leva à escola as netas Lorraine e Caroline (atrás) e a sobrinha Isadora (na frente) . Se elas têm transporte mais confortá vel, ele volta sozinho

 

 

MÃE E PAI Euricleia de Sousa cuida sozinha das duas filhas, Luana (na frente) e Larissa  
MÃE E PAI Euricleia de Sousa cuida sozinha das duas filhas, Luana (na frente) e Larissa

 

 

IRMÃOS Vitor sai da escola na QE 46 e vai buscar o irmão Ian Thorpe na escola da QE 38 
IRMÃOS Vitor sai da escola na QE 46 e vai buscar o irmão Ian Thorpe na escola da QE 38

 

 

 
"ESCREVE AÍ" Cristiano Lima, com a filha Emanuele: "É prático e saudável"

 

 

DOIS ALUNOS A diarista Marina Nascimento leva o filho Edilson à escola e à noite volta para aprender a ler e escrever:  
DOIS ALUNOS A diarista Marina Nascimento leva o filho Edilson à escola e à noite volta para aprender a ler e escrever: "Estudo é a única coisa que posso deixar para ele"

 

 

PAI COMPLETO O pintor Ricardo Alexandre Assencio faz de tudo: leva a filha Tereza Cristina à escola, busca, e ajuda nas tarefas e participa das reuniões na escola. O diretor Fernando Vasconcelos diz que a comunidade adotou a EC 7 
PAI COMPLETO O pintor Ricardo Alexandre Assencio faz de tudo: leva a filha Tereza Cristina à escola, busca, e ajuda nas tarefas e participa das reuniões na escola. O diretor Fernando Vasconcelos diz que a comunidade adotou a EC 7

 

 

Quando bate o meio-dia, elas começam a chegar à Escola Classe 7, na QE 38 do Guará 2. Pais, mães, irmãos, avós se aproximam a bordo de um dos meios de transporte mais importantes das cidades-satélites, a bicicleta. No caso da EC 7, o fenômeno é intenso dadas as características da quadra. Bem maior do que as demais, abriga uma população de classe média baixa que tem na bike a sua parceira para a correria diária de levar crianças à escola e buscá-las depois.

É tudo muito rápido. Diaristas, pintores, serralheiros, autônomos pegam as crianças, levam para a casa e correm de volta para o trabalho. Tudo de camelo. Em menos de 20 minutos, as crianças saem aboletadas na garupa, no cano ou na cestinha da magrela.

Seu Raimundo Nonato da Silva, 74 anos, espera pelas três netas e a sobrinha para levá-las de volta à Colônia Agrícola do Iapi, onde moram. (A colônia é remascente da invasão do Iapi, uma das mais antigas de Brasília, cujos moradores foram removidos para a Ceilândia, no começo dos anos 1970). A família se reveza na condução das crianças à escola. Temendo que haja algum imprevisto, seu Raimundo sempre aparece na porta da EC 7, com sua magrelinha equipada com um caixote de compras.

 Uma das sagradas obrigações do microempresário Cristiano Agripino de Lima é levar a filha Emanuele, 5 anos, todos os dias à escola. E buscá-la no horário de almoço. Morador da QE 38, Cristiano está apressado. “Escreve aí: ‘Para quem mora nas proximidades a bicicleta é rápida, prática e saudável’”. Põe a filha na garupa e embarca sorridente.

O pintor de paredes Ricardo Alexandre Assencio é responsável não apenas por levar Tereza Cristina, 8 anos, filha única, à escola e conduzi-la de volta à casa, mas também por ajudar nas tarefas e participar das reuniões escolares. A menina tem sua própria bicicleta, e costuma seguir o pai. Em dias mais atarefados, Ricardo utiliza só uma bike. Tereza reclama, quer ser a condutora de seu próprio transporte.

Mãe de Luana, 6 anos, e Larissa, 8, a diarista Euricleia de Sousa  Silva pedala como uma atleta no circuito Guará 2. Euricleia mora na QE 40, vai para a QE 38 duas vezes por dia para buscar e levar as crianças. E trabalha na QE 34.

Trabalhar, morar e estudar na mesma quadra é um privilégio de muitos moradores da QE 38. A quadra nasceu no final dos anos 1980 para abrigar os invasores que ocupavam a SQN 110. Em duas décadas, a quadra se consolidou, apesar da fama de estar na rota do tráfico de drogas.

Diretor da Escola Classe 7 há 16 anos, Fernando Gabriel de Vasconcelos conta que abriu a escola para a vizinhança. “Aqui não tem pichação. A escola é acolhedora, respeitada e foi adotada pela comunidade. São 26 turmas lotadas e todo mundo quer vir estudar aqui”, diz, com orgulho. A EC 7 oferece atividades de capoeira, pingue-pongue, futsal e educação para adultos no período noturno.

A diarista Marina Nascimento dos Santos, por exemplo, se reveza com o marido para conduzir Edilson, 6 anos, à escola. À noite volta para aprender a ler e escrever. “A única coisa que posso deixar para meu filho é o estudo”. De bicicleta, fica mais fácil.

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