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Estudantes mais saudáveis

Com foco no combate à obesidade infantil e aos problemas oftalmológicos, a Semana Saúde na Escola é lançada pelo governo federal no DF. Na capital, a ação atenderá 62 mil crianças

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postado em 12/03/2013 19:00 / atualizado em 12/03/2013 12:51

Ana Pompeu

Edilson Rodrigues
Três em cada 10 crianças entre 5 e 9 anos têm sobrepeso no Brasil. Para reduzir essa proporção, começou ontem a Semana Saúde na Escola. Este ano, o foco da campanha é a obesidade infantil e os problemas oftalmológicos. Até o momento, 25 escolas participam do programa no Distrito Federal. Com a adesão do GDF à iniciativa federal, o número vai subir para 62. Com a ampliação, aumenta de 10 mil para 62 mil o total de crianças atendidas. Nacionalmente, 14 milhões devem ser avaliadas. A ideia é levar profissionais de atenção básica para as unidade de ensino, onde serão feitos testes de acuidade visual, além de aferição de peso e altura.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, abriu ontem a Semana Saúde na Escola — que segue até a próxima sexta-feira —, no Centro de Ensino Fundamental 1da Vila Planalto. “As ações não acontecem só no hospital. Devem acontecer onde as pessoas vivem, aprendem, criam hábitos”, afirmou Padilha. O programa é fruto de parceria com o Ministério da Educação e governos estaduais. A relação de meninas e meninos acima do peso no DF é praticamente a mesma da média nacional. Cerca de 32% dos pequenos até 10 anos ultrapassam o peso considerado ideal. Os dados são referentes a uma estimativa feita com pacientes que procuram o serviço de saúde, bem como o programa que é realizado nos colégios. Consta no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) a avaliação de 1.434 crianças.

Na casa de Davi Oliveira Valeriano, ele é a única criança com sobrepeso. “Gosto de mini chicken, enroladinho de salsicha, salgados, comidas com óleo”, admite. Com 7 anos, o menino tem 38,3 quilos. A mãe dele, a dona de casa Cássia Oliveira da Costa, 40, diz que faz sopas com legumes, refogados, tenta dar frutas, mas o garoto recusa tudo. “Espero que tenha mudança no cardápio ou que ela veja outras crianças comendo coisas saudáveis. Assim, ele vai se sentir incentivado a acompanhar”, diz Cássia. Ela se preocupa que o excesso de peso do filho se perpetue até a adolescência ou a idade adulta e renda a ele doenças.

A preocupação da mãe não é infundada. O ministro da Saúde destacou que formar uma geração de crianças mais saudáveis é uma forma de evitar que o Brasil chegue a níveis de obesidade como os verificados nos Estados Unidos, no Chile ou na Argentina. Segundo ele, os benefícios da prevenção aparecem ainda na infância.

Aprovação

Duas colegas de sala ficaram ansiosas quando souberam da possibilidade de fazer a avaliação visual. “Sento o mais na frente que consigo e, mesmo assim, quando o professor escreve muito, as minhas vistas começam a ficar embaçadas”, conta Fernanda Lopes da Silva, 11 anos. Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), aproximadamente 20% dos estudantes brasileiros apresentam alguma alteração ocular e 10% necessitam usar óculos para correção de hipermetropia, miopia e astigmatismo. A amiga Eduarda Lima Rocha, 11, também fica preocupada. “Tenho medo de forçar a vista e piorar quando eu for mais velha”, diz. Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), aproximadamente 20% dos estudantes brasileiros apresentam alguma alteração ocular, e 10% necessitam de óculos para correção de hipermetropia, miopia e astigmatismo.

O governador Agnelo Queiroz afirmou que, no DF, o projeto vai atender prioritariamente as regiões mais carentes. “A intenção é chegar logo às cidades com acesso mais difícil à informação. Estamos preparando unidades de saúde móveis para chegar a esses locais”, disse. De acordo com o governador, estimular a atividade física, dar orientações sobre alimentação e cuidados bucais, além de avaliar periodicamente os estudantes são formas de cuidar da criança de forma integral.

Na opinião do secretário de Educação do Distrito Federal, Denilson Bento da Costa, a medida complementa ações de governo no âmbito educacional. “É um ótimo pontapé para a prevenção e cuidado à saúde na escola, onde as crianças passam boa parte do dia”, avalia o chefe da pasta.

Perigo

O consumo indiscriminado de salgados e refrigerantes pode ocasionar obesidade, hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e desnutrição. Além do impacto na autoestima, cresce a chance da ocorrência de problemas ortopédicos, infecções respiratórias e de pele de e cirrose hepática por excesso de gordura no fígado. Uma criança obesa em idade pré-escolar tem 30% de chances de virar um adulto obeso.
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