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Correio Braziliense

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Arte contra o bullying

Pesquisa do IBGE alerta sobre alto índice da prática no Distrito Federal. Secretaria de Justiça continua a temporada itinerante de uma peça teatral nas escolas. Basta agendar para que centenas de alunos tenham noções de cidadania e de respeito

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postado em 19/03/2013 10:13 / atualizado em 19/03/2013 10:40

Gustavo Aguiar

Marcos mal havia entrado na sala de aula quando foi recebido com uma saraivada de bolinhas de papel. “Seu gago bobo”, atacaram os colegas. A professora pede calma, mas não consegue tranquilizar a turma. O estudante devolve as agressões apontando os defeitos dos companheiros de classe, e a situação fica sem controle. A cena abre o espetáculo Não bullying comigo, apresentado ontem a 700 alunos da Escola Americana de Brasília (EAB), e é uma proposta para combater o bullying (leia abaixo em saiba mais) e educar as crianças sobre a violência no ambiente escolar.

Bruno Peres/CB/D.A Press
No palco, o retrato de uma realidade bastante comum: segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito em 2010, em Brasília, 35,6% de estudantes declarararam terem sofrido algum tipo de agressão na escola. A média nacional é de 30,8%. A peça produzida pelo GDF apresenta o drama de Marcos, o aluno gago, em conflito com Ana Lídia, a Patricinha rebelde; Clodô, o homossexual; o valentão Galdino; e a paciente professora Ana Lúcia, mediadora dos conflitos em sala.

Os estereótipos sintetizam uma ideia simples, como explica o diretor da peça, Thomaz Coelho: “Uma sala de aula tem gente de todo o tipo, convivendo lado a lado e de forma intensa. Por isso, é o lugar certo para se desconstruir preconceitos”. Segundo o diretor do espetáculo, nada melhor do que o teatro para atrair a atenção das crianças e dos adolescentes. “A peça é muito divertida e mostra um monte de coisa que acontece de verdade na sala de aula”, aprova Israel Oliveira, de 11 anos.

O projeto teatral foi criado no ano passado, e já visitou escolas públicas e particulares de São Sebastião, do Paranoá, de Taguatinga, de Ceilândia, do Plano Piloto e do Lago Norte. O elenco é formado por funcionários da Sejus voluntários na campanha de combate ao bullying nas escolas. Com humor, em menos de meia hora, os personagens e a plateia passam a compreender os prejuízos emocionais e sociais causados às vítimas de preconceito e desrespeito. “Nós vemos o envolvimento dos alunos e percebemos que o resultado começa a aparecer antes mesmo de a peça terminar”, conta Beth Daniele, servidora da Subsecretaria de Direitos Humanos da Sejus e que interpreta a professora na trama.

Bruno Peres/CB/D.A Press.
Diferenças
Como a EAB atende a alunos de muitas nacionalidades, o desafio lá é manter em equilíbrio a convivência e o relacionamento de tantas culturas distintas num mesmo ambiente. “Aqui na escola, tem gente muito diferente uma da outra”, percebe a estudante Alana Sullivan, de 12 anos. “Tem gente que nem conhece o colega, mas o isola só porque ele tem outros hábitos. Isso é ruim”, opina Kéllita Freitas, de 11 anos. A estudante Andressa Souza aprendeu que, quando alguma agressão acontecer, o melhor é procurar um adulto. “Temos que falar com os nossos pais e pedir para algum professor nos ajudar. Resolver sozinho nem sempre é a melhor solução”, acredita.

Para o subsecretário de Promoção dos Direitos Humanos da Sejus, Todi Moreno, as escolas do DF ainda não estão preparadas para apaziguar os ânimos entre agressores e agredidos no ambiente escolar. A maior dificuldade é identificar e resolver o problema antes que ele agrave. “Por isso, é importante informar a comunidade escolar. O teatro vem cumprindo essa função, porque proporciona o diálogo entre alunos, pais e professores. Já obtivemos muitas respostas positivas das escolas que visitamos, o que mostra que, em vez de ignorar ou de esconder o problema, o caminho é falar dele sempre”, argumenta.

::Saiba mais|Apelidos e piadas

É o termo usado para definir a prática de intimidar pessoas e expô-las a situações constrangedoras por meio de apelidos pejorativos, piadas ou qualquer tipo de agressão física ou psicológica. Pode acontecer nas escolas, no trabalho ou até dentro de casa. O termo surgiu na década de 1980 para designar todas as formas agressivas de coação que existem sem motivação evidente e ganhou força a partir dos anos 2000 por causa de campanhas mundiais contra a prática.

::Adolescência no palco
Além de Não bullying comigo, três peças desenvolvidas pelo órgão tratam de temas que alertam e educam a população do DF sobre o uso de drogas e a violência urbana. O monólogo Pais e filhos fala da luta de uma família na tentativa de salvar um filho da dependência química; Quero ser feliz, e você? aborda o problema do uso de drogas entre crianças e adolescentes; e o espetáculo Natal no balneário conta a história de um grupo em férias que é impedido de sair do hotel por causa de um tiroteiro de gangues rivais na cidade.

::Peça gratuita
Não bullying comigo, espetáculo com direção de Thomaz Coelho e encenada por servidores da Sejus (Beth Daniele, Jorge Mafra, Renato Taveira, Lara Beatriz e Ivan Torres). A apresentação é itinerante e pode ser agendada pelo (61) 2104-1907. De graça. Duração de 25 minutos. Classificação indicativa livre.
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