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Correio Braziliense

Educação

Alunos afirmam ter sido constrangidos

Dois estudantes do CED 7 do Gama denunciam que sofreram ameaça e foram expulsos após se negarem a pagar R$ 5 para limpar pichações. Direção rechaça todas as acusações

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postado em 08/05/2013 10:24 / atualizado em 08/05/2013 10:27

Thalita Lins

Viola Júnior
A direção do Centro Educacional (CED) 7 do Gama é acusada de constranger dois alunos da instituição. Os estudantes da 8ª série, um menino e uma menina de 14 anos, teriam sido expulsos da escola, na última sexta-feira, após se negarem a pagar R$ 5, quantia que seria usada na pintura das paredes da sala de aula das turmas D da 8ª e A da 7ª séries, que funcionam em turnos diferentes. Segundo servidores, o espaço foi alvo de pichações ao longo do ano e nenhum estudante assumiu a autoria dos estragos, razão pela qual o colégio pediu a contribuição a 36 alunos. O CED nega ter mandado os dois adolescentes se retirarem do local.

Os jovens garantem ter sofrido ameaças para que pagassem o valor solicitado. “Na sexta, o diretor e a vice-diretora fizeram chamada pela lista para fazer a cobrança. Quando chegou no meu nome, eu disse que não tinha o dinheiro e eles disseram para mim ‘então, tchau e vai com Deus’”, denunciou João*. “A escola falou que quem não pagasse não faria prova de matemática. Mas, no fim das contas, a professora liberou e deixou a gente fazer o exame.” O garoto relatou ainda que acabou prejudicado ao ser dispensado, porque no mesmo dia apresentaria um trabalho em grupo.

João foi orientado pela tia, a dona de casa Sônia*, 48 anos, a não contribuir. “Achei essa atitude um absurdo. E pior foi ter expulsado meu sobrinho. Fui questionar com a vice-diretora e ela disse que todos deveriam pagar porque não quiseram entregar a pessoa que havia pichado”, afirmou. No mesmo dia, Sônia fez uma reclamação nas ouvidorias do GDF e do Ministério da Educação (MEC). “Eles (a direção) feriram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e isso é um crime. Eles jamais deveriam ter pedido dinheiro e deixado os alunos saírem do colégio sem justificativa para os pais”, acredita a dona de casa.

A outra aluna que acompanhou João explicou ao Correio que a direção demonstrou intenção de prejudicar quem não ajudasse na cota. “Eles ficaram ameaçando a gente todo dia, que se não pagássemos em dia fariam de tudo para a pessoa reprovar e não fazer prova”, disse Mara*. Segundo a garota, alguns alunos deixaram de lanchar para não serem “punidos”. “Ouvi que o problema era meu. Fiquei com muita vergonha e ainda fizeram essa gracinha como se a gente não fosse nada. Simplesmente deixaram o portão aberto para a gente ir embora e ainda falaram ‘vão com Deus’”, desabafou a adolescente.

 

Indignação
A mãe de Mara, a vendedora Paula*, 43 anos, está indignada com o episódio. “Agora, estou com medo de que minha filha seja marcada por isso. Não paguei porque achei um absurdo. Eles (direção) não têm prova nenhuma de que minha filha foi responsável pelas pichações. Como ela tem que arcar com os danos? A gente paga imposto para que a própria escola custeie essas obras”, comentou a mulher. Alunos da mesma turma de João e Mara também confirmaram ter sido obrigados a dar os R$ 5 e que, caso não pagassem, seriam expulsos da escola e não receberiam o boletim com as notas das provas do semestre.

Além de Mara e João, outros três estudantes da mesma turma não colaboraram com o valor. De acordo com o diretor do Centro Educacional, Leôncio Garcia, o trio prometeu que entregaria o dinheiro depois. “Eles continuaram na sala e os outros dois foram levados para a sala de apoio para que avisássemos aos pais. Só que eles saíram juntos e foram embora (da escola) à revelia”, justificou o gestor. O diretor nega que tenha feito ameaças aos alunos das duas turmas.

Segundo Leôncio, a contribuição para a pintura das salas foi acordada entre os pais que estiveram nas reuniões da instituição. Ele diz que, desde o começo do ano, foram feitas três assembleias deliberativas com os responsáveis pelos estudantes, mas poucas pessoas compareceram. Ao todo, o diretor afirma terem sido arrecadados R$ 230, sendo que o custo pela pintura foi de R$ 300. “Essa quantia pedida não foi uma punição, mas uma questão educativa”, acrescentou o diretor do CED 7.

Leôncio explicou que seria complicado usar o dinheiro do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf). “Teria que apresentar três orçamentos para contratar uma empresa. O valor dessa pintura poderia sair em R$ 1 mil, sendo que paguei R$ 300 só pela mão de obra, pois já tinha a tinta”, justificou. A sala foi pintada no último sábado. Segundo a direção, o regimento do colégio prevê o ressarcimento da comunidade escolar em caso de danos ao patrimônio.

Por meio de nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) afirmou que “convocará os responsáveis pelos alunos para uma reunião a fim de prestar esclarecimentos e resolver a situação da melhor forma possível”. A pasta acrescentou ainda: “Cabe ressaltar que a atual gestão da escola tem feito uma série de ações para preservar a estrutura física da instituição educacional, que atualmente encontra-se em perfeitas condições”.

(*) Nomes fictícios em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente

Recursos

O Pdaf visa dar autonomia gerencial às instituições da rede pública para a realização de projetos pedagógico, administrativo e financeiro por meio do recebimento de recursos financeiros do Governo do Distrito Federal (GDF).

 

 

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