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Jovens cientistas brilham nos EUA

Secundaristas brasileiros conquistam nove prêmios em uma das principais feiras de ciências do mundo

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postado em 20/05/2013 11:46 / atualizado em 20/05/2013 14:34

Gustavo Aguiar

Luis Eduardo Selbach/ Divulgação
Phoenix, Arizona (EUA) — Nove prêmios, incluindo uma bolsa de estudos em uma universidade americana no valor de US$ 48 mil e reconhecimento de dois projetos que podem ser patenteados. Esse foi o saldo brasileiro ao final de cinco dias na Feira Internacional de Ciência e Engenharia Intel 2013, que se encerrou ontem na cidade de Phoenix.

A feira é a maior do mundo no segmento pré-universitário e elege, há 63 anos, os melhores projetos científicos desenvolvidos por estudantes do nível médio.

Esta edição teve a participação de 1,7 mil estudantes de mais de 70 países, que disputavam bolsas de estudos e prêmios que somavam o total de US$ 4 milhões, distribuídos por instituições de ensino, associações internacionais e empresas como Google e West Virginia University.

O grande ganhador do ano foi o romeno Ionut Bundisteanu, que levou para casa o prêmio Gordon Moore, no valor de US$ 75 mil, além de uma viagem à Suíça para conhecer a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em francês).

Ionut criou um projeto viável para um carro autônomo controlado por inteligência artificial. O veículo adaptado pode reconhecer faixas de pedestre, sinais de trânsito, desviar de obstáculos, fazer curvas acentuadas e estacionar sem auxílio de um motorista.

"Para fazer o carro independente funcionar, desenvolvi um sistema que integra câmeras com sensores e radares 3D." O equipamento criado pelo romeno capaz de dar autonomia aos automóveis custou cerca de US$ 4 mil. "Um valor muito baixo frente aos benefícios que esse tipo de inovação pode proporcionar", pondera.

Vocação para ciências
Para os brasileiros, a competição internacional deu a certeza de que investir em ciência vale a pena. Três dos seis projetos premiados foram desenvolvidos por alunos de escolas estaduais. Um deles é o trabalho Gabriel Galdino, 17 anos, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Ele pesquisou um componente presente no líquido extraído da castanha de caju que pode auxiliar no combate à dengue, e ficou em 3º lugar na categoria pela qual concorreu, a de projetos de química.

"Ser reconhecido pelo esforço é o mais gratificante. Avaliei 4,5 mil larvas do mosquito da dengue para chegar ao resultado. Deu muito trabalho, precisei enfrentar muitas dificuldades, mas no fim, deu tudo certo" lembra.

O professor de química da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Adilson Beatriz, se dispôs a orientar pela primeira vez um aluno do ensino básico, e só depois de Gabriel insistir muito. "É uma surpresa muito boa saber que ele chegou tão longe. Gabriel é muito dedicado, e só precisava de um pouco de incentivo."

As gaúchas Agatha Lottermann e Desireé de Böer, ambas de 19 anos, levaram aos Estados Unidos um projeto que identificou uma bactéria capaz de reduzir os custos da dessalinização da água do mar. O trabalho rendeu à dupla o 4º lugar na categoria de gerenciamento ambiental e o prêmio de US$ 500.

"Quando dizemos que somos brasileiras, as pessoas ainda se surpreendem. Acho que pensam que o Brasil não tem muita vocação para a ciência. Esperamos mudar isso", afirma Agatha. A dupla, que concluiu o ensino técnico em química em uma escola estadual de Novo Hamburgo, embarcam em junho para Nova York, onde devem participar de mais uma feira de ciências.

Dona de uma bolsa de estudos na Universidade Estadual do Arizona para continuar o projeto que estuda uma célula capaz de reduzir os riscos de rejeição de pacientes a órgãos transplantados, a paulistana Laura Rudella, 16 anos, se obrigou a mudar os próprios planos para o futuro de uma hora para outra.

"Mal acreditei quando anunciaram meu nome. Sempre gostei de estudar biologia, mas estava pensando em tentar ingressar na universidade em algum curso de humanas. Agora, vou investir na oportunidade", revela.

Túlio Souza, 17 anos, de Recife, vai levar o prêmio que ganhou para convencer os pais sobre o curso que quer fazer na faculdade. "Fui reconhecido por criar uma metodologia de ensino para a educação física que estimula hábitos saudáveis nas crianças desde muito cedo. Meus pais querem que eu estude para ser advogado, mas prefiro pedagogia ou ciências sociais. Vou ter um bom argumento, agora."

Luis Eduardo Selbach/ Divulgação
Futuro da educação
De acordo com Wendy Hawkins, diretora executiva da Intel Foundation, que organiza o evento, feiras como a Isef 2013, voltadas para estudantes da educação básica, ajudam a estimular a curiosidade pela ciência desde cedo. "Crianças são cientistas natas, e perdem o interesse pela experimentação quando ingressam na escola. Precisamos nos perguntar por que isso acontece."

Segundo Wendy, métodos de educação baseados em modelos de repetição e memorização devem ser banidos da escola. "A escola precisa inspirar os jovens a usarem sua criatividade para tornar realidade o impossível."

O grande destaque de 2013 foi a participação massiva da América Latina. Ao todo, 60 projetos de países como Colombia, México, Peru e Costa Rica integraram a feira. O Brasil levou aos Estados Unidos a quinta maior delegação do mundo, com 28 estudantantes, atrás apenas dos Estados Unidos, Porto Rico, Canadá e China.

Foram, no total, nove projetos credenciados pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), de Novo Hamburgo (RS), nove pela Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia (Febrace) e três licenciados pela Escola Americana de Campinas, de São Paulo, totalizando 21 projetos. O resultado foi melhor que o do ano passado, em que o Brasil levou oito prêmios.



Confira os projetos brasileiros premiados

PRÊMIOS PRINCIPAIS:

3º lugar categoria Química - US$ 1 mil
Síntese de sais surfactantes a partir do líquido da castanha de caju utilizados no combate à dengue
Estudante: Gabriel Tiago Galdino / Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues
De: Campo Grande, MS

3º lugar categoria Ciências das Plantas - US$ 1 mil
Potencial medicinal, crescimento em diferentes condições de radiação e caracterização botânica de Arrabidaea chica
Estudantes: Cristopher Mateus Carvalho, Jaqueline Campos Costa e Júlia Maria Resende / Escola Estadual Manoel Antônio de Sousa
De: Mateus Leme, MG

3º lugar categoria Ciências Socias e do Comportamento - US$ 1 mil
Educação física escolar: soluções pedagógicas para as principais dificuldades encontradas pelos professores da educação básica
Estudante: Túlio Vinícius Andrade Souza / Colégio GGE - Grupo Gênese de Ensino
De: Recife, PE

3º lugar categoria Gerenciamento Ambiental - US$ 1 mil
Substituição de polímeros superabsorventes descartáveis com bagaço de cana
Estuadante: Salvador Alvarado / Escola Americana de Campinas
De: Campinas, SP

4º lugar categoria Gerenciamento Ambiental - US$ 500
Utilização da Pseudomonas stutzeri na redução do teor de cloretos da água
Estudantes: Ágatha Lottermann Selbach e Desireé de Böer Velho / Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha
De: Novo Hamburgo – RS

4º lugar categoria Bioquímica - US$ 500
Uma nova função da neurotoxina TsTXK-beta (Ts8) no veneno do escorpião Tityus serrulatus
Estudante: Nayrob Pereira / Colégio Alberto Torres
De: São Paulo, SP

PRÊMIOS ESPECIAIS:

Prêmio Universidade Estadual do Arizona  (Bolsa de Estudos de US$ 48 mil mais US$ 2,5 mil para aplicação em pesquisa) Modificação da capacidade tronco das células mesenquimais humanas: a relação entre a positividade da Beta-Catenina com a proliferação e especialização celular
Estudante: Laura Rudella Tonidandel / Colégio Dante Alighieri
De: São Paulo, SP

Prêmio Patent and Trademark Office Society (prêmio de US$ 500 e registro da primeira patente concedida nos EUA)
Síntese de sais surfactantes a partir do líquido da castanha de caju utilizados no combate à dengue
Estudante: Gabriel Tiago Galdino / Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues
De: Campo Grande, MS

Prêmio Patent and Trademark Office Society (prêmio de US$ 500 e registro da primeira patente concedida nos EUA)
Uma nova função da neurotoxina TsTXK-beta (Ts8) no veneno do escorpião Tityus serrulatus
Estudante: Nayrob Pereira / Colégio Alberto Torres
De: São Paulo, SP


O repórter viajou a convite da Intel. 

 

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