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Correio Braziliense

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A arte de contar histórias

O grupo Paepalanthus revive uma tradição de nossos pais e avós e traz de volta narrativas divertidas e emocionantes no projeto Sexta em conto: histórias do arco da velha

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postado em 27/05/2013 11:19


Carleuza Farias narrra o conto As três galinhas da velha (Fotos: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press) 
Carleuza Farias narrra o conto As três galinhas da velha

Há muito tempo, quando não tinha internet, televisão, rádio e nem mesmo livros, as histórias eram passadas de boca em boca. A literatura oral era fortalecida por pais e avós, que colocavam as crianças no colo e contavam longas narrativas. Para trazer de volta os contos populares que influenciaram várias gerações, somando imenso valor à nossa cultura, o grupo Paepalanthus desenvolveu um projeto que propõe recuperar a arte de contar histórias, é a Sexta em conto: histórias do arco da velha.

Na programação, a equipe visita bibliotecas todas as sextas-feiras, em diferentes lugares do Distrito Federal, levando um conjunto de contos para entreter a garotada. Ao todo, sete histórias compõem uma tarde de contação, montada em um cenário simples, mas que deixa a galerinha entusiasmada. E as personagens são figuras retiradas dos contos mais tradicionais! Boas senhoras, bichinhos de estimação, meninos danados e velhinhos são incorporados por um grupo de seis contadoras, responsáveis por eternizar essa bela arte. A trupe encerrou a temporada de apresentações nas bibliotecas ontem, mas deve voltar na Feira Literária de Brazlândia, que ocorre em junho.

Rose Costa faz a camponesa em O velho, o menino e o burro 
Rose Costa faz a camponesa em O velho, o menino e o burro

Era uma vez...

As histórias encenadas pelo grupo fazem valer uma tarde inteira de diversão e aprendizado. Em geral, as contadoras trazem contos muito engraçados e lições de moral. Em A velha e o gato, por exemplo, uma senhora faz crochê pacientemente na companhia de um bichano que, quando pode, desfaz todo o trabalho dedicado da velhinha. Um dia, ela o amarra todinho, mas o gatinho se solta e vai embora assim que pode, acompanhado de uma linda gatinha. Cheia de saudade, a idosa fica desolada e tece um tapete para o animal. Após muito tempo de espera, ele retorna e outra história começa.

Quase sempre, os contos mantêm os mesmos personagens, mas tomam rumos diferentes. Acredita que depois de voltar o gatinho entrou no sapato da velha e ficou lá um tempão? O bom disso é que, apesar do desconforto que causou na mulher, ele deu um jeito de conseguir um namorado para ela. E, veja só, ela se casou! Em seguida, um velhinho, acompanhado por um burro e um menino, protagonizam a fábula que tem como lição explicar às crianças que quem quer agradar a todos, na verdade, não agrada a ninguém.

E, para encerrar as apresentações, A velha a fiar descreve o passo a passo da velhinha enquanto tece uma peça de roupa. Enquanto trabalha, ela é incomodada por uma série de bichos, entre moscas, aranhas, gatos, ratos, e tudo termina numa grande confusão, como na música: “Estava a mosca em seu lugar. Veio a aranha lhe fazer mal. A aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar!” Outras histórias também contadas na apresentação são Cadê o docinho que estava aqui?, O velho e As três galinhas da velha.

Aldanei Andrade conta a história de O Sapato que miava 
Aldanei Andrade conta a história de O Sapato que miava

Espectadores atentos

Na Biblioteca Pública do Núcleo Bandeirante, as crianças da Escola Classe 1, do Riacho Fundo, assistiram atenciosamente ao espetáculo. Débora Carvalho, de 8 anos, adorou o conto da velha a fiar:

— Foi muito engraçado e criativo, avalia.

Enquanto isso, Zito Fonseca, 9 anos, achou a fábula do velho, o menino e o burro muito boa, divertida e engrandecedora.Entre a criançada, o hábito de contar e ouvir histórias ainda existe, mesmo que com pouca frequência. Bianca Amaral, de 10 anos, já tem bons contos para o primo de seis anos:

— A minha mãe me conta as histórias e conto depois ao meu priminho, afirma Bianca.

Na escola, Ana Clara, do 3º ano, disse que a professora estimula uma iniciativa legal. Eles recolhem livros, trocam entre os coleguinhas e levam para casa. Em cada lar, leem as histórias para a família, devolvem ao colégio e vão trocando os livros. Depois de um tempo, todos leram e contaram muuuuitas histórias legais para um monte de gente!
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