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Correio Braziliense

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Eles são cobras em matemática

Professor do Centro de Ensino Fundamental 11, do Gama, inova ao estimular alunos a conquistarem as melhores notas na disciplina por meio de um método motivacional. Quem se sai melhor ganha título e medalhas

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postado em 27/05/2013 12:47 / atualizado em 27/05/2013 12:50

Mariana Laboissière

Carlos Vieira
No Centro de Ensino Fundamenta 11 (CEF 11), no Gama, os alunos aprendem uma matemática venenosa. Quem ensina a disciplina no quadro-negro é a anaconda e os melhores alunos são chamados de grandes sucuris. As salas de aula também estão repletas de outras cobras. São cinco em cada uma delas e, ao fim do bimestre, 30 novas aparecem.Tudo isso faz parte do método motivacional do professor João Rosa Borges, 56 anos, adotado por ele há duas décadas com o objetivo de despertar maior interesse dos alunos pelos números e cálculos. A ideia original do projeto Ninho das Cobras nasceu em uma escola de Anápolis (Goiás), mas foi adaptada por João Rosa para atender os estudantes do Distrito Federal.

Esteéoprimeiro ano da iniciativa no CEF 11. Ao todo, o método envolve seis turmas do 6° ano (antiga 5ª série) do ensino fundamental e funciona a partir da nota tirada pelo aluno em uma prova bimestral de matemática. Dependendo do desempenho atingido, o estudante pode receber o título de grande sucuri, correspondente à melhor nota entre as turmas; de sucuri, relativo à melhor obtida em sala de aula; e de cobra, a mais alta conquistada entre os estudantes de uma mesma fileira de carteiras. Os demais, com rendimento normal, são intitulados de filhotes.

Diferentemente do que ocorria no colégio goiano, onde alunos de todos os anos eram classificados, na escola do Gama apenas os que assistem às aulas de Borges estão integrados à metodologia, isto é, algo em torno de 166 adolescentes. Segundo ele, outros estudantes da rede pública já participaram da experiência. Ele destaca universitários e professores já graduados. “Aqui, no CEF, estamos no segundo ninho. Da primeira vez, não apliquei prova bimestral. Fiz uma revisão no conteúdo e apliquei o teste.Mas, normalmente, o resultado é dado depois de dois meses. A avaliação conta com 40 questões de múltipla escolha, em que uma certa anula uma errada, como nos vestibulares da UnB (Universidade de Brasília)”, esclareceu.

Na opinião do professor, esse tipo de competição saudável deveria ser perpetuada. Ele a analisa como uma formade impulsionar os estudantes no caminho do conhecimento. Diante disso, ele ressalta a vontade de todos em se tornar cobras. Esse é o caso de Ana Clara da  Silva, 12 anos, do 6º ano E. Ela relata ter dificuldade sem exatas, mas promete dar duro para conseguir sair da posição de filhote. “Estudo em casa, faço as atividades. Estou me empenhando cada vez mais. Na próxima prova, quero ser, pelo menos, cobra”, garante. Ana Clara analisa a dinâmica criada pelo mestre como uma forma adicional de incentivo. “Por conta disso, muitas vezes, dou mais atenção para matemática do que para outras matérias”, justificou.

Ao contrário dela, a colega Geovana Almeida Alves, 11 anos, sempre teve facilidade e gosto pelos números. A combinação entre aptidão e esforço, segundo ela, integra a fórmula para alcançar os postosmais altos, como os conquistados por Geovana no último teste: de grande sucuri e de sucuri da sala. “A prova valia 2 pontos e eu tirei 1,6.Nãoesperava conseguir tanto, pois tenho colegas muito inteligentes. Foi uma surpresa boa”, afirmou. Ela garante que não fará corpo mole na próxima avaliação. “Vou melhorar ainda mais para não perder os títulos. Sorte a minha que sempre fui bem em matemática”, ressaltou.

O nome dos alunos com notas mais altas vai para um ranking criado por Borges. A lista é entregue a professores de outras disciplinas para, segundo explica, “dar um feedback aos colegas”. “Assim, eles podem verificar se o desempenho daquele estudante em matemática é parecido com o obtido nas demais matérias”, destacou João Rosa. Após a classificação dos estudantes, os pais são chamados para uma cerimônia de entrega de medalhas e de diplomas de honra ao mérito.O ouro corresponde à grande sucuri, enquanto a prata à sucuri e o bronze, à cobra.Umdos eventos ocorreu no último dia 15, no CEF 11, às 14h. Geovana foi uma das estudantes homenageadas. A estudante Emily Átila, 11 anos, também é uma das cobras em matemática da escola.

Mudanças

O primeiro ninho formado por Borges coroou o alunoVinícius de Oliveira, 10 anos, como a grande sucuri. A avaliação valia 10 pontos e ele tirou 9,2. Ele é de uma turma diferente à de Geovana, mas, como ela, anuncia que se esforçará para recuperar o título. “Agora, vou prestar atenção redobrada nas questões”, adianta.

O método do professor João Rosa Borges passará por mudanças no próximo bimestre, com envolvimento ainda maior dos alunos com as melhores colocações nas provas. Na ocasião, eles serão identificados com coletes de monitores e terão a função de ajudar os colegas com dúvidas na matéria.
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