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EDUCAÇÃO »

É preciso aprender a usar

Experiência com tablet em escola particular do DF ajuda o aluno a assimilar melhor o conteúdo de disciplinas consideradas difíceis, como no caso da física. Mas professores alertam que o bom uso do aparelho depende de conscientização por parte dos estudantes

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postado em 03/06/2013 12:12 / atualizado em 03/06/2013 12:14

Ana Pompeu

Um dos maiores argumentos contra os tablets em sala de aula é a perda de foco nas atividades. Mesmo entre os alunos, as reações com a novidade são variadas. Alguns acham desnecessário. Outros, caro demais. Uma parcela se encanta e defende o recurso com afinco. A questão levantada por professores que trabalham diariamente com o computador portátil nas escolas é que a facilidade dos adolescentes com os equipamentos não se traduz em saber usá-los para os estudos.

A estudante Cecília Rauber, 17 anos, cursa o 3° ano no Colégio Marista e teve acesso ao equipamento apenas duas vezes neste ano. Em uma delas, o professor passou um trabalho em grupo e, no entendimento da aluna, o aparelho ajudou a envolver todos os integrantes. “Nesse caso, tínhamos uma situação-problema para resolver. Todos participaram, o que não acontece normalmente nesse tipo de atividade”, contou. Cecília acredita que, em vez de copiar a matéria em um caderno, poderia usar o tablet para prestar mais atenção ao professor ao fotografar a lousa.

A facilidade de encontrar distrações é um receio da estudante Bruna Lyra, 15 anos. “Na escola, tem bastante monitoramento nos trabalhos com o tablet, mas, em casa, eu fico bem distraída”, admite a também aluna do Marista. A adolescente considera ter à mão um atrativo para o bem e para o mal. Marina Pimenta, 15 anos, está no 2° ano. Em 2012, fez parte do grupo escolhido para as primeiras aulas com tablet no Maristão. “Nós poderíamos sair da turma, mas eu gostei da ideia. Só fiquei preocupada com as possibilidades de desviar a atenção. E, realmente, vi vários colegas acessando páginas, além das indicadas pelos professores”, diz. O colégio libera a internet para todos.

No Leonardo da Vinci, a inserção dos computadores portáteis na rotina escolar partiu da iniciativa de um grupo de professores de física. Como a disciplina é temida por muitos alunos, em alguns casos, a responsabilidade de inovar para melhorar o desempenho caía sobre os tutores. “Desenvolvemos um livro digital com texto, imagem, áudio, vídeo e computação gráfica. Notamos que o aluno passou a compreender em um dia um assunto que levávamos até uma semana para ensinar”, comparou o professor Robert Cunha, idealizador do projeto. A versão para o iPad foi vendida por R$ 170. O estudante também precisaria ter o próprio aparelho.

No início, apenas 10% dos alunos compraram o material. Mas os resultados foram satisfatórios de tal forma que a direção criou um departamento a fim de elaborar os livros didáticos em formato digital para todas as disciplinas. “O mercado editorial não acompanhou essa evolução. Eles transformam o papel em arquivo para dispositivo móvel. Nós precisamos usar os recursos disponíveis e harmonizá-los para a aula”, sugere Cunha.

Além do treinamento para as novas tecnologias, outra barreira indicada pelo educador é o próprio aluno. “Eles são conectados, mas usam celular e tablet como ferramentas de comunicação, não de estudo. Levá-los para a sala de aula muda o perfil do instrumento”, alerta. O Leonardo da Vinci espera ter livros do modelo do professor para todas as disciplinas até 2014.

O valor e a real funcionalidade do equipamento, por exemplo, foram motivo de resistência por parte da estudante do 3° ano Isabela Akaishi Padula, 17 anos, do Leonardo. “O meu pai brigou comigo para comprar. Eu achava que não valia a pena, era caro”, disse. Vencida, ela garante que usa o iPad para estudar. Baixou aplicativos de provas do vestibular, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de vários outros com exercícios. “Hoje, eu aprendi a usar. Estudo em qualquer lugar”, revela.

Não é o caso do colega Gabriel Maran, 17. “Eu ganhei um em 2010 e ficava nas redes sociais, vendo sites. Muita gente não está preparada. Eu mesmo já olhei rápido o Facebook e voltei para a aula”, reconhece. Mas Gabriel assegura que aprende física mais fácil com a nova tecnologia.

Segurança
Outra mudança que acompanha o uso frequente do tablet é a atenção com a segurança. O estudante do 3° ano Gustavo Drummond, 17 anos, redobrou os cuidados no caminho da escola. Ele estuda na 914 Norte e mora na 214. Quando carrega o equipamento, prefere usar o ônibus. Sem o aparelho na mochila, segue a pé. “O número de alunos com o livro digital pode ter sido pequeno por medo de ser assaltado. É caro e você coloca muita informação lá. Não dá para descuidar por nenhum momento”, explica. Quando possível, os pais buscam o garoto no colégio e sempre fazem recomendações de segurança.


3 mil
Total de tablets entregues aos professores de ensino médio das escolas do governo


"Desenvolvemos um livro digital com texto, imagem, áudio, vídeo e computação gráfica. Notamos que o aluno passou a compreender em um dia um assunto que levávamos até uma semana para ensinar”
Robert Cunha, professor de física do Leonardo da Vinci, com os alunos Gabriel (E), Isabela e Gustavo


Sucesso
O iPad foi o primeiro modelo de tablet a ser apresentado no mercado, lançado pela Apple. em janeiro de 2010. Em 2011, 400 mil aparelhos foram adquiridos no país. No ano passado, o número passou para 580 mil.
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