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postado em 14/06/2013 18:00 / atualizado em 14/06/2013 10:29

Ed Alves
Quando a professora de prática desportiva do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 27, em Ceilândia, viu que os alunos precisavam de um incentivo para desenvolver habilidades críticas, ela desenvolveu um projeto diferente a fim de motivar a leitura e a escrita entre os alunos do 9º ano. O programa prevê atividades como a leitura de edições do Correio em sala de aula, produção de comentários e o envio para a editoria de Opinião do jornal. A iniciativa foi batizada de Leitura, Escrita e Reflexão. “Percebi que eles estavam motivados para desenvolver outras atividades, que gostariam de aprender mais sobre assuntos de grande importância para todos”, diz Adriana Paixão.

A professora calcula que aproximadamente 350 alunos de nove turmas estejam envolvidos no projeto. Segundo ela, a intenção, além de aprimorar leitura e escrita, é formar cidadãos questionadores e conscientes. “Daqui a dois anos, esses estudantes vão votar, escolher representantes, então, é fundamental que saibam a importância desse processo”, lembra.

No início, alguns jovens resistiram à novidade. Para Fabrina Soares, 14 anos, o jornal era muito careta. “Eu nunca gostei muitos, mas fui entendendo a importância. Hoje, a parte que mais me interessa é a de moda”, conta. Móises Santiago, 14, também não tinha interesse pelas notícias. “Eu não lia, mas, depois que comecei a participar do projeto, me interessei pela parte de política. Agora, esse é o assunto lá de casa. Eu e o meu pai conversamos bastante sobre isso”, relata.

Outros aprovaram a ideia desde o começo, como é o caso de Gabriele Cavalcanti,14 anos. Ela planeja ser jornalista e sempre acreditou nas vantagens da leitura. É muito interessante, nós temos que saber sobre tudo o que acontece, as novidades”, diz. Gabriele integra o grêmio estudantil da escola e também pretende implantar um jornal no CEF 27. “Estamos pensando em comprar uma impressora e produzir um boletim que fale sobre fatos da escola, bullying, calendário de provas, enfim, temas que interessem os alunos.”

Na primeira fase do projeto — que foi dividido em quatro etapas, uma por bimestre —, os alunos leram jornais e criaram coletivamente cartazes com temas relevantes, como bullying. Para a segunda etapa, eles foram incentivados a opinar sobre o que leram e enviar os textos para o Correio. Nos próximos meses, os estudantes vão elaborar dissertações de até dois parágrafos e, por fim, terão de criar jornais a partir de conteúdos atuais lidos dentro e fora da classe. Entre as editorias, estarão as mais tradicionais, como Política, Cidades e Esporte.

Enquanto os periódicos não ficam prontos, Adriana começa a ver os resultados da iniciativa. “Eu percebi uma melhora na forma de escrever, de ler e de pensar deles. Também senti um comprometimento maior com a realidade e com assuntos importantes”, explica. “Antes de iniciar essa atividade, cheguei a corrigir erros absurdos dos estudantes, além disso, os argumentos eram fracos e sem sentido”, complementa.
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