SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Escola gaúcha integra família ao processo de aprendizagem

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/06/2013 15:29

Com 1.001 alunos matriculados, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Rui Poester Peixoto, em Rio Grande, a 300 quilômetros de Porto Alegre, valoriza a relação família e escola e incentiva a participação dos pais na educação dos filhos. “Cuidar e educar envolvem estudo, dedicação, cooperação, cumplicidade e, principalmente, amor de todos os responsáveis pelo processo”, diz a diretora, Elizabete Guimarães.

Para que ocorra a aproximação, a família é chamada a participar de diferentes atividades. “Essa presença constante fortalece as relações e estimula os alunos”, avalia Elizabete. Pós-graduada em gestão escolar, com ênfase em orientação, supervisão e administração, ela está há 25 anos no magistério, dois deles na direção.

Ao desenvolver atividades educacionais, a instituição conta sempre com a participação dos familiares dos alunos. Um exemplo é o projeto pedagógico Procurando Nemo, criado pela professora Carla Dias Coutinho para alunos da educação infantil, na faixa etária de cinco anos. Inspirado no filme de animação de mesmo nome, sobre as aventuras de um peixe-palhaço, Marlin, e seu filho, Nemo, o projeto ganhou proporção pelo fato de a maior parte das crianças ter pais pescadores. “Houve grande colaboração entre família e escola”, diz Carla. “As crianças tiveram noções sobre pesca predatória, poluição dos rios e mares e seres que habitam esses locais.”

Atualmente, Carla desenvolve o projeto Nossos Bichinhos de Estimação, sobre a “posse responsável” de animais. A proposta é diminuir o abandono de animais domésticos. “Começamos com a escolha dos bichos prediletos e procuramos figuras em revistas. Os pais ajudam com desenhos e nomes dos animais que têm em casa”, explica a professora.

Para iniciar o projeto, os estudantes pesquisaram as características do gato e participaram de inúmeras outras atividades, que incluíram o relato de uma professora sobre a vida com seus bichos. Os estudantes tiveram também a oportunidade de refletir sobre os maus-tratos sofridos pelos animais.

Carla pretende organizar outras atividades, como um dia para as crianças mostrarem os bichos de estimação aos colegas e visitas a um veterinário e a uma organização não governamental (ONG) que acolha animais abandonados. Campanha contra os maus-tratos também está nos planos.

A professora criou o blog Deixa que Eu te Conto, que permite aos alunos mostrar aos familiares os trabalhos desenvolvidos nas aulas. “Por meio do laboratório de informática da escola ou do meu notebook, em sala de aula, as crianças relembram as atividades desenvolvidas e me auxiliam na escolha das imagens que serão postadas”, explica.

Graduada em psicologia e em pedagogia, com habilitação em educação infantil e pós-graduação em psicopedagogia institucional, Carla acredita que os projetos têm grande retorno. “É preciso tornar a metodologia atraente, mágica, para que as crianças tenham vontade de acordar cedinho e ir para escola e ali desenvolver e construir a própria aprendizagem”, enfatiza.

Independência
Também professora de educação infantil na mesma escola, Rosana Miranda Cabral é defensora da metodologia de projetos. “Com essa pedagogia, a criança vai despertando a autonomia, a independência e descobrindo formas de aprendizagem em que ela mesma seja protagonista desse processo”, afirma.

Pedagoga, com mestrado em educação ambiental, Rosana envolve as famílias dos alunos nos projetos por entender que são parceiras fundamentais. “Considero extremamente importante que o trabalho do professor esteja articulado e receba auxílio e estímulo da família”, diz. No projeto Higiene e Saúde, desenvolvido este ano pela professora, a família participa de todas as etapas e assume protagonismo em ações como a fiscalização da adoção de hábitos saudáveis no cotidiano das crianças.

Em 2012, Rosana desenvolveu o projeto As Diferentes Infâncias e a Sustentabilidade: Cuidando da Vida, da Escola e do Planeta. A ideia surgiu do comentário de um aluno sobre a quantidade de lixo nas ruas próximas à escola. A partir da pergunta norteadora da proposta — que planeta temos, que planeta queremos? —, foi criado um personagem, o Planetinha, que a cada dia visitava a casa de um aluno. Os pais eram encarregados de registrar o que o Planetinha fazia no período em que estava na casa e quais atitudes poderiam ser tomadas em família para contribuir com o meio ambiente.

As atividades foram intensas e variadas. Em um livro coletivo, as crianças registraram momentos significativos do projeto. Rosana resolveu criar também um jornal, O Ruizinho, para divulgar o trabalho.
Tags:

publicidade

publicidade