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EDUCAÇÃO

Juventude vulnerável

Amaioria dos dados levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar revela que o estudante brasiliense está mais suscetível à violência, às drogas e às doenças sexuais.Alguns números são maiores do que a média nacional

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postado em 01/07/2013 11:06 / atualizado em 02/07/2013 11:41

Manoela Alcântara

Ed Alves

Um levantamento sobre o perfil dos estudantes do 9º ano, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendeu o sinal de alerta na comunidade escolar de Brasília. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar  mostram que, na capital federal, os adolescentes entre 13 e 15 anos se envolveram mais vezes em brigas com armas branca ou de fogo, ficaram mais embriagados e usaram drogas com frequência maior do que a média nacional. Enquanto no Brasil 20,9% das meninas excederam o consumo de álcool, no DF, 28,5% admitiram ter ficado bêbadas pelo menos uma vez na vida (leia quadro).

É difícil encontrar nas portas dos colégios algum aluno na faixa etária do estudo que não concorde com os percentuais. Numa roda de amigos, todos confirmaram o alto índice de embriaguez entre as colegas. “Conhecemos uma menina que vem para a escola alcoolizada. Ela bebe bastante. Acreditamos que é devido a problemas que ela tem em casa”, contaram duas meninas, estudantes do Centro de Ensino Fundamental 2, no Guará.

Quando o assunto é violência, 10,3% dos meninos brasilienses declararam ter participado de alguma briga na qual alguém portava revólver ou pistola. No país, o percentual é de 8,8%. É alto e crescente também o número daqueles que empunharam pedaços de pau, faca ou porretes. Em2009, 7,9% dos moradores da capital se envolveram em algum conflito com a presença de armas brancas. Três anos depois, o percentual subiu
para 11,4%.

William Primo, 15 anos, estudante do 9° ano do ensino fundamental afirmou ter presenciado uma série de confusões nas proximidades da escola onde estuda, no Guará. “Ocorre entre homens e mulheres. Uma vez, na saída da escola, vi uma aglomeração de pessoas. Às vezes, quando esses casos envolvem muita gente, fico com medo. Já vi um cara na briga com um pedaço de madeira na mão”, relatou. O jovem estuda em uma escola pública, ambiente com índices de violência mais altos, de acordo com o levantamento. Nas instituições privadas do DF, 7% dos estudantes participaram de brigas com armas brancas. Nas públicas, 8,7%. No Brasil, o percentual cai para 4,7% e 6,4%, respectivamente.

O desrespeito à legislação também é uma vertente que impera, principalmente, entre os homens na faixa etária citada pelo estudo. Enquanto 17,1% das meninas declararam ter dirigido veículo motorizado no DF, 31,8% deles saíram com o carro do pai ou de algum conhecido. Em 2009, eram 28,2%. “É comum entre a gente. Todos os meus amigos já pegam o carro dos pais”, afirmou um estudante do 9º ano, morador da Estrutural, que preferiu não se identificar.

A professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Ângela Uchôa Branco ressalta que as diferenças entre os percentuais obtidos no DF em relação à média brasileira é baixa, porém, revelam uma tendência perigosa. “Eles estão mais altos em quase todas as categorias. Esses números devem servir de alerta, especialmente, para a família e para a escola”, disse.

A professora relaciona a violência crescente com o uso de drogas. Entre os adolescentes da faixa etária pesquisada, 14,1% relataram ter experimentado entorpecentes, como maconha, cocaína, crack e outras drogas. No Brasil, somente a metade deles (7,3%) fizeram uso delas.

Sexualidade
Outro dado preocupa os especialistas: a iniciação sexual. No DF, o número de meninas que perderam a virgindade entre 13 e 15 anos subiu de 16,4% para 18,8% em três anos. Para piorar, se, em 2009, 74,7% se protegiam com a camisinha, no ano passado, 72,4% fizeram o uso do preservativo. “Os dados estão relacionados. Quando há o início do uso de drogas mais cedo, os critérios também relaxam, e os adolescentes começam a entrar na vida sexual mais cedo”, afirmou a professora com especialização em psicossomática da Universidade Católica de Brasília Lívia Borges.

A especialista avalia que uma maneira de reverter o quadro seria a participação maior dos pais na vida dos filhos. “Às vezes, os pais pensam que basta pagar boas escolas, mas não se trata disso. É preciso aquela relação diária para transferir valores. Pode ser exaustivo, mas é um investimento”, explicou Lívia Borges

A opinião dela vai de encontro com o que pensa o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa-DF), Luis Claudio Megiorin. “Essa geração tem a tendência de terceirizar a educação dos filhos e passar a responsabilidade para a escola. Isso repercute em todos os sentidos”,  ressaltou.

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