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EDUCAÇÃO

Bullying também é problema

Além da exposição à violência, estudo do IBGE revela que as humilhações entre colegas ocorrem com frequência nas escolas do DF. Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, a prática pode levar ao desinteresse pelo aprendizado, à depressão e até ao suicídio

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postado em 02/07/2013 11:07 / atualizado em 02/07/2013 11:22

Manoela Alcântara

Os xingamentos começaram cedo. Logo nos primeiros anos escolares de Nayara de Souza, ela começou a ouvir piadas dos colegas acerca de seu peso. “Eu era bem gordinha e muitos chegavam a me humilhar”, conta a menina, hoje, com 14 anos. O bullying sofrido pela adolescente engrossa as estatísticas dos estudantes do 9º ano que ficaram aborrecidos ou magoados após as provocações dos colegas. Segundo a PesquisaNacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Distrito Federal ultrapassa amédia nacional das pessoas com idade entre 13 e 15 anos que se sentiram ofendidos. No Brasil, 20,8% declararam ter sofrido bullying. No DF, são 24,9%.

Ed Alves
Ed Alves
Hoje, Nayara não se preocupa mais com a brincadeira de maugosto dos colegas,mas lembra que as provocações a deixaram deprimida. “Fiquei muito triste. Conversei com a minha mãe, e ela foi até a escola. Isso só piorou a situação, porque eles tinham mais um motivo para zombar de mim”, lamentou. Nayara está entre as 18,6% das meninas que passaram por essa situação. Entre os garotos brasilienses, a situação é ainda pior, chega a 32%. “É comum na escola. Já voltei para casa chateado até com grandes amigos que fizeram brincadeiras de mau gosto”, relata Bruno*, 15 anos, estudante do Centro de Ensino Fundamental 2, no Guará.

Hoje, Nayara não se preocupa mais com a brincadeira de maugosto dos colegas,maslembra que as provocações a deixaram deprimida. “Fiquei muito triste. Conversei com a minha mãe, e ela foi até a escola. Isso só piorou a situação, porque eles tinham mais um motivo para zombar de mim”, lamentou. Nayara está entre as 18,6% das meninas que passaram por essa situação. Entre os garotos brasilienses, a situação é ainda pior, chega a 32%. “É comum na escola. Já voltei para casa chateado até com grandes amigos que fizeram brincadeiras de mau gosto”, relata Bruno*, 15 anos, estudante do Centro de Ensino Fundamental 2, no Guará.

A especialista lembra que essa prática, com números altos no DF pode causar os mais variados problemas, desde o desinteresse pela escola e pela continuidade dos estudos, até a depressão e o suicídio.“Tudoisso varia, depende se a pessoa tem algum apoio em casa, se o bullying é recorrente. Dependendo da forma como acontece, pode influenciar na autoestima do cidadão e na competência para ingressar no mercado de trabalho”, ressaltou Lívia.

Cautela
O professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Áderson Costa, no entanto, acredita que não é possível fazer uma análise sobre o fato de o Distrito Federal apresentar um número maior do que amédia nacional, pois cada escola revela um contexto diferente. “Duas escolas na mesma Regional de Ensino podem ter dados completamente distintos”, ponderou. Para ele, a discussão deve ser sobre outro prisma.“ Temos depensar, enquanto professores, pais e usuários do sistema de educação público e privado, que o nosso comportamento deve priorizar as relações interpessoais. Devemos evitar reações que causem danos físicos e psicológicos ao indivíduo”, analisou.

O especialista ressalta que as pessoas devem ser capazes de perceber as diferenças e respeitálas dentro das normas convencionais. “Se as escolas, emvez de estarem discutindo bullying, se interessassem em fomentar discussões em torno da ética e das normas de boa convivência, certamente, essas estatísticas (do levantamento do IBGE) seriam menores”, complementou Áderson Costa.

Risco a caminho da escola


Nem só os xingamentos dos colegas preocupam os estudantes. Chegar até a escola também é motivo para os adolescentes se prepararem e pedirem o auxílio de pais e amigos para não percorrerem o caminho sozinhos. No DF, 6,9% dos alunos deixaram de ir à instituição de ensino na qual estudam por falta de segurança no trajeto entre o colégio e a casa. O percentual de insegurança quase dobra quando se trata do percurso até as instituições públicas, de 10,7% de faltas.

Embora a média seja maior no Brasil—de 13,2% para instituições do governo e 8,8% no trajeto-escola no geral —, o crescimento do número de pessoas que deixaram de ir às aulas por se sentirem inseguras no caminho, de 5,3% para
6,9%, revela o crescimento no número de estudantes afetados. Para o coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca-DF), Vítor Alencar, a sociedade tem a percepção do aumento da violência, e o colégio não está imune à criminalidade.

Sucateamento

O especialista se mostra mais preocupado com a incapacidade de as instituições de ensino lidarem com a insegurança na própria área interna. “Percebemos que as escolas lidam com os conflitos como casos de polícia, quando, na verdade, os problemas não podem ser resolvidos apenas na delegacia”, afirmou. Para ele, isso acontece porque o sistema educacional não acompanhou as mudanças na sociedade, como o acesso mais fácil a drogas, a armas e a tecnologias. “É um sintoma do sucateamento da educação pública. O processo de ensino desconsidera os fenômenos recentes, e os profissionais não estão preparados para lidar com isso”, disse.

Mylena dos Santos, 14 anos, mora na Estrutural e não segue sozinha para o local onde estuda. Ela tem medo de passar pelos becos nos quais vê pessoas fumando maconha ou utilizando outras drogas. “Uma amiga minha já foi assaltada quando se dirigia à escola, por isso, tomo muito cuidado. Sempre caminho com uma amiga observando tudo que está ao meu redor”, detalhou.

 

 

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