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Caminho escola 2013

Estradas de terra e chuvas são a rotina em município amazonense

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postado em 07/08/2013 11:35 / atualizado em 07/08/2013 11:40

Com um polo escolar 30 quilômetros ao norte da sede e outro 50 quilômetros ao sul, estudantes do ensino fundamental do município de Apuí, no sul do Amazonas, transitam cerca de 100 quilômetros por dia para ir à escola e voltar. Dos 2,2 mil estudantes da rede, aproximadamente 1,4 mil dependem do transporte escolar.

O secretário de Educação de Apuí, José Roberto de Campos, explica que o município se divide em cinco polos — um na área urbana e quatro no campo — e duas creches. Essa estrutura recebe todas as crianças que estudam na rede pública. Cada polo conta com três ônibus para o transporte dos estudantes. Alunos que moram mais perto do centro urbano são transportados em quatro veículos.

Apuí já recebeu dez ônibus do programa Caminho da Escola, criado pelo governo federal em 2007. Em 2013, na atualização do Plano de Ações Articuladas (PAR), a prefeitura pediu mais dez veículos pequenos, com capacidade para transportar de 23 a 29 alunos. Segundo José Roberto, esses veículos menores percorreriam as estradas vicinais e as pontes estreitas, além de rodar bem no período de chuvas intensas da região Norte, que vai de novembro a abril.

Apuí tem 1,5 mil quilômetros de estradas vicinais. Quando receber os novos veículos do Caminho da Escola, o município pretende parar de pagar o aluguel de oito ônibus, de alto custo para o município, e contar com um veículo reserva para emergências.

Polo — O secretário admite que a prefeitura não consegue atender 100% das crianças com transporte escolar em razão das distâncias e das condições precárias de acesso. “Pelo menos 3% dos alunos chegam à escola trazidos pelos pais”, explica. Como Apuí tem um polo escolar nas margens do rio Tapajós, ali estão matriculados 13 estudantes do município vizinho de Maués. “Eles chegam com mais facilidade à nossa escola”, revela. O centro urbano de Maués fica a 300 quilômetros do polo.

Ao avaliar o Caminho da Escola, José Roberto diz que os veículos são adequados e que o programa reforça a infraestrutura dos municípios, especialmente daqueles que têm a responsabilidade de oferecer educação a estudantes das áreas rurais. A dificuldade maior é a manutenção dos ônibus. Quando há necessidade de reposição de peças, é preciso esperar que cheguem de São Paulo.

Apuí tem comunicação por via terrestre pela rodovia Transamazônica, a BR 230, pavimentada apenas em alguns trechos, e pela AM 174, incomunicável nos períodos de chuva. A 408 quilômetros de Manaus, o município, de 18,6 mil habitantes, conforme o Censo Demográfico de 2010, tem a pecuária como principal atividade econômica. Depois, vêm as de subsistência, como a produção de farinha de mandioca, cacau, café, guaraná, melancia e milho. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) não tem registro do Ideb do município.

Caminho da Escola — Criado em 2007, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o programa Caminho da Escola tem entre os objetivos renovar a frota de veículos escolares (ônibus e embarcações), garantir a segurança e a qualidade do transporte dos estudantes e contribuir com a redução da evasão escolar. O programa também visa à padronização dos veículos, a redução dos preços e o aumento da transparência nas aquisições.


Estados e prefeituras podem comprar os veículos com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com assistência financeira do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR) ou com recursos próprios. As secretarias de Educação podem aderir aos pregões promovidos pelo FNDE para obter melhores preços dos veículos.


Ionice Lorenzoni



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