Educação infantil

Escola gaúcha incentiva alunos a apreciar obras de literatura

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postado em 12/08/2013 11:18 / atualizado em 12/08/2013 11:20

Desde que foi criada, há 17 anos, a Escola Municipal Valneri Antunes, de Porto Alegre, incentiva o gosto pela leitura entre os alunos, todos da educação infantil. Localizada no Parque Chico Mendes, no bairro Mário Quintana, a escola tem 204 alunos com idades de um ano a 5 anos e 11 meses. Eles ficam na instituição das 7 às 19 horas.

O interesse pelas obras de literatura infantil é estimulado constantemente. Em um espaço de leitura usado pelas 11 turmas, os estudantes têm a oportunidade de escutar histórias e manusear livros e são orientados a tratar as obras com cuidado. “Achamos que a literatura seria uma ajuda à comunidade, que enfrenta muitos problemas com drogadição e violência”, explica a pedagoga Lia Fernanda Fadini, diretora da escola há seis anos. Especializada em educação infantil, ela está há 19 anos no magistério.

A preocupação da escola em incentivar a leitura levou à participação no Concurso Escola de Leitores – Programa Prazer em Ler. O projeto Pipoletras (carrinho de pipoca com livros), criado pela professora Sigrid Fraga Moreira, ficou entre os vencedores da segunda edição (2011-2012). “A premiação provocou uma verdadeira revolução literária”, diz Nara de Freitas, vice-diretora da instituição. As mudanças ocorreram não só no espaço de leitura, revitalizado, com paredes coloridas, pufes, mesinhas e cadeiras coloridas adequadas à faixa etária, mas em todas as salas de aula, que dispõem agora de um cantinho de leitura.

Nara considera como principal mudança a postura de educadores e funcionários. Eles aprenderam, em cursos de formação, que os livros não têm de ficar fechados e começaram a incentivar e a valorizar a literatura entre os próprios colegas. Segundo a professora, o grupo tinha grande dificuldade em abrir o armário e liberar o acervo à comunidade. Houve compra de novos livros, tanto de literatura infantil quanto para adultos e até os funcionários começaram a ler mais, nos períodos de intervalo ou retirando obras para ler em casa. “Hoje, os armários foram substituídos por prateleiras ao alcance das crianças”, ressalta a pedagoga, com especialização em educação infantil e 21 anos de magistério.

Orgulho — Os alunos com mais de cinco anos podem levar livros para casa todas as semanas. “Eles fazem isso com muito orgulho, levam para casa um tesouro que dividirão com a família”, diz Nara.

A cada período de 15 dias, o carrinho de pipocas com livros percorre locais da comunidade a fim de aproximar os livros das pessoas. O Pipoletras visita instituições como creches comunitárias e entidades que apoiam menores de 6 a 14 anos em situação de vulnerabilidade econômica e social por meio do Serviço de Apoio Socioeducativo (Sase), da prefeitura. De acordo com Lia, é possível perceber o interesse e o cuidado com os livros demonstrados pelos adolescentes atendidos.

As visitas do carrinho, que obedecem a um cronograma, são acompanhadas, geralmente, pela professora Sigrid. Durante a visita, cada instituição recebe uma caixa com diversas obras para empréstimos aos interessados. Elas devem ser devolvidas à escola depois de 15 dias. Lia destaca o comprometimento observado no momento do retorno dos livros à biblioteca. “Mães envolvidas com drogadição têm demonstrado interesse e cuidado em devolver os livros”, ressalta. O Pipoletras sempre está presente em atividades da escola que têm a participação das famílias, como as festas juninas.

Uma experiência vivida em visita à Colômbia, em 2012 — uma área especial de leitura para mães e bebês na escola, a bebeteca —, despertou em Nara a disposição de implantar algo semelhante. Assim, no berçário da Escola Valneri Antunes foi organizado um espaço que permite aos bebês interagir com livros específicos para a faixa etária — de pano e de plástico, com sons e imagens, que despertam a curiosidade.

Fátima Schenini

Saiba mais no Jornal do Professor e sobre o Concurso Escola de Leitores – Programa Prazer em Ler
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