SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

PDT afasta novo secretário

O presidente regional do partido anunciou que Marcelo Aguiar está fora da legenda enquanto permanecer no Executivo

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/08/2013 17:34 / atualizado em 30/08/2013 17:50

A ida de Marcelo Aguiar para a linha de frente do Governo do Distrito Federal (GDF) esquentou os ânimos de integrantes do PDT. Embora o novo secretário de Educação do DF tenha pedido oficialmente licença do partido, a Executiva Regional do PDT o afastou ontem do quadro partidário. Pela segunda vez, o pedetista deixa a parceria com o senador Cristovam Buarque (PDT) para ocupar um cargo no GDF. A indicação é uma estratégia de Agnelo Queiroz para se reaproximar dos ex-aliados até as eleições de 2014, mas isso dependerá dos resultados apresentados por Aguiar à frente da pasta.

A nota de afastamento foi divulgada no início da noite de ontem, assinada pelo presidente do PDT-DF, Georges Michel. Aguiar está fora do PDT enquanto permanecer no quadro do Executivo local. Internamente, o desgaste foi grande. O convite de Agnelo chegou a ser tratado como uma provocação ao partido.

Os desentendimentos entre PT e PDT começaram logo no início do governo. A principal reclamação do senador Cristovam Buarque era a exclusão da legenda nas decisões de governo. Militante da área de educação desde o início da carreira política, o senador pedetista esperava, na época da escolha do secretário de Educação, ter sido consultado para a indicação.

Nome cogitado

Na ocasião, o nome de Marcelo chegou a ser cogitado como uma indicação do PDT, mas Agnelo colocou Regina Vinhaes, professora do Departamento de Educação da UnB. Com o desgaste, a maioria da Executiva Regional decidiu sair da base aliada. Havia ainda um acordo envolvendo a Secretaria do Trabalho. “Indicamos o Peniel Pacheco, mas ele preferiu aceitar o Israel (deputado distrital, ex-PDT e hoje PEN). Tínhamos um plano para melhorar as escolas e a formação profissional e ainda acreditávamos no governo Agnelo. Hoje essa confiança não existe mais”, disse Buarque.

O senador vai além: a ida de Marcelo para a pasta neste momento afasta ainda mais o PDT do governo petista. “É um desrespeito mais uma vez. O governador me convidou duas vezes para assistir jogos de futebol em um estádio que sou contra. Em nenhuma dessas ligações, aproveitou para falar sobre o assunto. Fez as coisas por fora, como das outras vezes”, afirmou.

O deputado federal Reguffe (PDT) negou     que a mudança seja uma sinalização de aproximação entre PT e PDT, para uma aliança em 2014. Mas ainda há uma chance. O parlamentar indicou que a forma de Agnelo conseguir reverter a situação é aderindo às suas propostas. Do contrário, segundo ele, não há possibilidade de aliança, principalmente se a negociação for em cima de cargos.

Reguffe defendeu que Agnelo tem o direito de convidar e indicar quem queira para o Executivo, que as escolhas devem ser feitas independentemente das filiações partidárias, mas sem que haja “loteamento do governo”. “Eu e Cristovam fechamos contra qualquer aproximação. O partido terá candidatura própria, e eu defendo que isto seja tanto em nível nacional, quanto local”, disse o pedetista.

O secretário de Educação, Marcelo Aguiar, contou ao Correio que já enviou uma carta pedindo licença do partido. O objetivo é excluir qualquer mal entendido sobre a indicação. “Foi um convite pessoal do governador. Ele pediu para que eu assumisse devido a minha experiência de gestão”, afirmou Aguiar.

Em 2009, o mesmo desgaste, mas em outra gestão. O então governador pelo DEM, José Roberto Arruda, também convidou Marcelo Aguiar para integrar o governo numa estratégia de aproximação com Cristovam. O cargo tinha sido criado para administrar o projeto de ampliação da permanência das crianças nas escolas.

Reaproximação

Dirigentes do PT no DF, no entanto, confirmaram ontem que a indicação de Marcelo Aguiar sinaliza uma clara tentativa de reaproximação do GDF com o PDT. “O Marcelo é um quadro técnico, sem dúvida, mas se fosse só uma mudança técnica, o Denílson poderia ser mantido ou um petista seria escolhido. A vinda do Aguiar, com certeza, abre uma porta para que a relação entre o governador Agnelo Queiroz e o senador Cristovam Buarque seja retomada”, acredita um petista.

Já Roberto Wagner, secretário-chefe do Conselho do Governo do DF, afirma que a escolha de Aguiar foi basicamente técnica. “O governador Agnelo quer dar um perfil de gestão forte na Educação nesse um ano e meio de governo. O Denílson Bento fez um bom trabalho, mas ele foi mais político. O Marcelo tem experiência e vai somar muito”, diz. Ele aposta, no entanto, que uma avaliação positiva da gestão pode criar ambiente de aproximação do governo com o PDT.

Tags:

publicidade

publicidade