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Correio Braziliense

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Os tapeceiros do Caic

Voluntária ensina, na hora do recreio, a técnica de fazer tapetes para alunos de escola do Núcleo Bandeirante

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postado em 16/09/2013 10:22 / atualizado em 16/09/2013 10:23

Sabe aquele tecido encorpado que, em geral, embeleza o piso da sala, no qual a gente deita e rola enquanto vê televisão ou brinca com o cachorro, deixando a mamãe maluca quando pisa com os pés sujos? Pois é, os tapetes são belas obras e o exercício de costurá-los é, além de arte rara, puro entretenimento! E cerca de 30 alunos do Centro de Atenção Integral à Criança Juscelino Kubitschek de Oliveira (Caic JKO), no Núcleo Bandeirante, reúnem-se de segunda a sexta, durante os curtos 20 minutos de recreio para colocar a mão na massa. Munidos de telas, tesouras, agulhas (tudo sem ponta para manter a segurança) e lã, a imaginação rola solta, e muitos tapetes são produzidos.

Os estudantes são orientados por Vera Lucia de Castro, uma simpática senhora de 69 anos que, a princípio, estava encarregada de organizar a biblioteca. Atualmente, ela trabalha como voluntária e repassa os conhecimentos em costura para o grupo.

— Uma aluna me viu bordando aqui e perguntou se eu poderia ensinar. A partir de então, começamos com as atividades e mantemos até agora, diz Vera.

Desde 2006, o projeto funciona dentro da biblioteca e conta com poucos recursos. As crianças utilizam 60 novelos de lã com mais de 116 cores diferentes e devem gastar em torno de R$ 1 mil por semestre. Um dos materiais mais importantes para execução do tapete — a tela — é doado pela empresa Arte Telas Paraná, que fica láááá no Sul do país. E, com isso, a garotada faz bordados corretíssimos! Vera fica de olho para que cada linha passe pelo ponto certo. E os pequenos tapeceiros também revisam para ver se tudo está em ordem.

— Quando erramos ou deixamos o fundo da tela cheio de falhas, temos que fazer de novo, explica Luisa Mara, 10, que está no projeto há sete anos.

Imaginação à solta!
As telas que orientam a costura costumam vir com desenhos definidos, mas as crianças têm parte do processo criativo livre. Elas escolhem as estampas e as cores das lãs utilizadas. Alessandro Mesquita, 12 anos, é um dos únicos garotos da equipe e está engajado em um tapete com o símbolo da amizade em japonês.

— Eu faço tudo sozinho. No começo, embolava tudo, mas peguei a prática rapidinho, revela.

 E, quando terminam, eles presenteiam amigos e parentes ou ficam com o tapete. Algumas vezes, é comum se confundir e causar um pequeno acidente. Por isso, Vera reforça que é importante usar materiais sem ponta.

Sherlane Santos, 10 anos, conta que já espetou o dedo algumas vezes, mas foi só um machucadinho. Já Alessandro relata que conseguiu cutucar a própria cabeça com a agulha!

— Eu estava desatento e não vi para onde puxei a linha. Quando fiz, acabei espetando minha cabeça.

O ritmo da equipe é tranquilo, e ninguém estipula prazos para entregar os tapetes. Railane Costa, 12 anos, está preparando um tapete com o símbolo do amor em japonês e acredita que deve terminar até o fim do ano.

— Já fiz seis telas ao longo de dois anos. No começo, a gente fica viciado e faz tudo muito rápido, mas depois a gente vai mais devagar, com mais capricho.

Os alunos amam tanto a tapeçaria que, às vezes, levam para fazer em casa e advertem que o trabalho árduo só acontece depois das tarefas escolares. Aliás, a atividade de costura apresenta bons reflexos no cotidiano da criançada!

— Todos eles têm bom rendimento e disciplina. Em geral, tiram ótimas notas e os pais ficam bastante satisfeitos, elogiam muito, conta Jane Helena, diretora da escola.
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