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Correio Braziliense

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Estudantes promovem ação educativa sobre uso da faixa de pedestre

Alunos da rede pública dançam, jogam bola, leem poesias e fazem um alerta sobre a importância de respeitar a sinalização de trânsito e o deficiente

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postado em 19/09/2013 18:06 / atualizado em 20/09/2013 11:50

Bruno Peres/CB/D.A Press
Enquanto muitos motoristas ignoram pedestres que querem atravessar a rua ou dirigem apressados antes de as pessoas chegarem ao outro lado da calçada, uma faixa de pedestres na 513 Sul virou palco de conscientização sobre a importância do respeito a pessoas com deficiência. Alunos da Escola Parque da 313/314 Sul, com e sem deficiência, leram poesias, dançaram balé e hip-hop, fizeram embaixadinhas e exibiram bandeiras e cartazes. Complementando as apresentações artísticas, as crianças entregaram para os motoristas que por ali paravam cartões postais desenhados à mão durante as aulas de artes visuais. A Polícia Militar estava presente para organizar o fluxo de carros e garantir a segurança. A ação, intitulada “Inclusão na faixa”, ocorreu na quarta (18) e na quinta-feira (19) e é uma das atividades da 9ª Semana da Pessoa com Deficiência.

A iniciativa é organizada  pelos professores da sala de recursos para alunos com necessidades especiais e sensibiliza pedestres, motoristas e comunidade escolar sobre o respeito à faixa, especialmente quando o pedestre tem alguma deficiência e, geralmente, passa por maiores dificuldades para fazer a travessia. Estudantes e professores se prepararam durante três semanas para realizar a “Inclusão na faixa”, mas o tema já vinha sendo abordado há dois meses durante as aulas. O idealizador da intervenção é o professor de educação física Marco Aurélio Baima que, com uma ação de educação no trânsito, pretende transmitir ideias de respeito, igualdade e cidadania. “A valorização da faixa de pedestres é algo inerente a Brasília e não pode ser esquecida. O mesmo respeito que deve existir com relação à inclusão de pessoas com deficiência deve existir no trânsito”, explica Marco Aurélio.

Essa é a primeira vez que a escola promove a intervenção na faixa de pedestres e o professor avalia que o resultado é positivo: “Foi um sucesso, vários motoristas aplaudiram a iniciativa e acolheram com alegria os cartões postais confeccionados pelos alunos. As crianças ficaram empolgadíssimas. Esse tipo de movimentação marca a vida educacional dos estudantes e gera mudanças de atitude”. O professor Marco Aurélio Baima acredita que a intervenção é um pequeno passo para formar uma geração mais consciente. “As pessoas têm que perceber que todo ser humano é diferente na forma e no conteúdo. A deficiência é apenas uma dessas diferenças e deve ser enxergada com naturalidade. Esses alunos são o futuro da sociedade e, assim, estamos formando uma sociedade com mais tolerância, inclusão e respeito, tanto à faixa de pedestre quanto aos deficientes”, comemora.

A diretora da Escola Parque da 313/314 Sul, Regina D´Arc, explica que, até mesmo para garantir uma vida mais tranquila às pessoas com necessidades especiais, é necessário que os condutores parem na faixa sob qualquer circunstância: “Os deficientes, principalmente cegos, não tem como ter certeza de que todos os carros pararam. Eles devem tomar ainda mais cuidado, porque os motoristas nem sempre estão atentos”. A professora de música Simone Maia contou a história do hip-hop em suas aulas, despertou o encantamento dos alunos para o estilo e acabou formando um grupo de dança, que fez das listras brancas um tablado. Simone considera que a dança é importante para valorizar a autoestima dos estudantes: “O fato de eles se apresentarem mostra que todos são capazes, mesmo que tenham dificuldades e resgata o que há de bom dentro deles. Muitos ali podem se tornar talentos da música e da dança no futuro”.

Artistas mirins

Letícia Dutra, 9 anos, e Davi Tavares, 11, adoram escrever e se ofereceram para participar da intervenção na faixa de pedestres lendo poesias de autoria própria. Davi tem necessidades especiais e fez alguns versos sobre o compartilhamento do amor. “Com meu poema eu quis passar a mensagem de que quem tem alguma deficiência é igual a qualquer pessoa e não tem que ser excluído, porque, na verdade, deficiente é quem tem preconceito”, defende Letícia.

Ítalo Dantas e Anderson Rocha, ambos de 11 anos, chamaram a atenção de quem passava ao transformar a faixa de pedestres em campo de futebol, fazendo embaixadinhas. Edson Marques e Isadora Neves, ambos de 10 anos, fizeram sua parte entregando cartões postais aos motoristas. Lívea Pio, 10, André Freitas, 11, Maurício Gabriel Souza, 10, Marcelo Rafael Pereira, 12, Lívea dos Santos, 13, e Matheus Oliveira, 10, dançaram hip -hop na faixa de pedestres. Lívea Pio já presenciou a exclusão de pessoas com necessidades especiais e explica o significado de sua dança: “Com os passos de hip -hop eu mostrei que todos são iguais, mesmo com deficiência”.

Dia de luta

Orientadas pelo Ministério da Educação (MEC), escolas de todos os estados brasileiros promovem atividades para celebrar a data de 21 de setembro, que é o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, instituído pela lei federal 11.133 de 2005. A data coincide com o  Dia da  Árvore e com o início da primavera e deve lembrar a responsabilidade coletiva de oferecer condições iguais para todos. A 9ª Semana da Pessoa com Deficiência da Escola Parque da 313/314 Sul tem como tema a pergunta “Minha escola é inclusiva, e você?”. A programação começou na última segunda (16) e continua até sexta-feira (20).

Escola Parque

2,3 mil estudantes frequentam a Escola Parque da 313/314 Sul uma vez por semana para terem aulas de educação física, teatro, artes visuais e dança. Essa escola atende alunos das Escolas Classes das quadras 314, 114, 416 e 316 Sul, além das Escolas Classes 4, 5, 6 e 8 do Cruzeiro.

Deficientes no DF

Pesquisa da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgada em maio mostra que mais de 573 mil deficientes moram no Distrito Federal. 63% dos idosos e 3% das crianças de até quatro anos têm alguma deficiência. O estudo conclui que a maior parte das deficiências é adquirida depois de acidentes, violência ou doenças.
 
A presidente da Associação dos Deficientes de Brasília, Maria de Fátima Amaral, avalia que o trajeto da faixa de pedestre pode se tornar um grande desafio: “As pessoas não respeitam e não esperam a gente atravessar até o final. Eu, que sou cadeirante, tenho muito medo, só passo depois que todos os carros estão parados. O problema é que os deficientes demoram mais para andar e os motoristas não têm paciência”.
 
Maria de Fátima cobra mais campanhas de conscientização por parte do governo e da mídia. “A inclusão precisa ser mais trabalhada, ainda existe muito preconceito. No trânsito, além da falta de respeito ao pedestre, a vaga reservada para a pessoa com deficiência também é frequentemente usada por quem não precisa”, lamenta.
 
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