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Mas que sombra gostosa!

Nesse Dia da Árvore, saiba mais sobre as espécies que só existem aqui no Brasil

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postado em 20/09/2013 14:36 / atualizado em 20/09/2013 15:06

Ana Paula Corradini

Não é a toa que o Dia da Árvore ficou reservado para 21 de setembro. Alguns dias antes do começo da primavera no Hemisfério do Sul, as plantas deixam o ventinho gelado do inverno de lado e começam a florescer de novo. Veja mais sobre essa data — e as homenageadas do dia — aqui.

Data especial

O Dia da Árvore foi criado em 24 de fevereiro de 1965, quando o presidente do Brasil ainda era Castelo Branco. Mas você sabia que, nas regiões Norte e Nordeste, as árvores são homenageadas na última semana de março? É que, lá para cima, é nessa época do ano que começam as chuvas — e as plantas podem dar um tempo na seca e reunir forças para crescer e florescer.

As eleitas

Tudo bem que muita gente acha que o pau-brasil é a árvore símbolo do nosso país. Afinal, foi daí que tiraram o nome para batizar o Brasil, né? Mas, na verdade, a árvore que representa a nossa terrinha é o ipê-amarelo, por causa da cor de suas flores. E cada região brasileira também elegeu uma árvore típica como seu símbolo. Olha só:

Carlos Silva /CB/D.Press
    
Região Norte – Castanheira

Essa árvore nativa da Amazônia também nasce em outros países da América do Sul, como Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Suriname, Guiana Francesa e Guiana, mas os maiores grupos de castanheiras estão mesmo no Brasil. Ela pode chegar até os 60 metros de altura e mais de 4 metros de base — já pensou tentar abraçar essa árvore enorme? Os frutos da castanheira são os ouriços, que são cheios de sementes: as castanhas. Além de servir de lanche para passarinhos, roedores, macacos e outros animais (e pra gente também), as castanhas-do-Brasil ou castanhas-do-pará servem também para fazer óleo, que entra em
receitas de pratos gostosos e na fabricação de sabonetes, produtos de beleza e até lubrificante.
Breno Fortes/Internet

Região Centro-Oeste — Ipê-amarelo

Essa árvore linda chega a oito metros de altura e, apesar de ficar totalmente pelada no inverno, ganha um monte de flores amarelas com a chegada da primavera. O ipê-amarelo é mais usado no paisagismo –e com certeza deixa qualquer lugar mais bonito —, mas sua madeira também é bem-vinda na carpintaria e na marcenaria para fabricar um monte de coisas. Tem gente que diz também que a casca do ipê-amarelo é boa para tratar dor de garganta.
Reprodução/Internet

Região Nordeste – Carnaúba

A palmeira da carnaúba nasce na região Nordeste e também no Pantanal, e tem até 15 metros de altura. Seus frutos são coquinhos que ficam roxos quando estão maduros. Essa árvore é pau para toda obra, literalmente: os coquinhos viram farinha e leite, e a amêndoa que tem lá dentro, depois de torrada e moída, pode até substituir o pó de café. A madeira entra na construção e na marcenaria, e as folhas viram cobertura pra telhado de casas e abrigos. As fibras são usadas para fazer cordas, pano de saco, esteiras, chapéus, balaios, cestos, redes e — ufa! — mantas. Das folhas também é extraída uma cera que entra na fabricação de um montão de produtos: graxas para sapatos, lubrificantes, velas, vernizes, ácidos, sabonetes, fósforos, isolantes térmicos, lâmpadas incandescentes e até batom!
Reprodução/Internet

Região Sudeste – Pau-Brasil

O pau-brasil era uma das principais árvores da nossa Mata Atlântica — tanto que seu nome inspirou os portugueses na hora de batizar o nosso país. E “era” porque, com o desmatamento da Mata Atlântica desde a época do Brasil colônia, dá para acreditar que 95% dos brasileiros nunca viram a árvore? O nome da árvore, “brasil”, vem de “brasa”, por causa da cor vermelha de sua madeira, e que era usada para fazer um corante para tingir tecidos e preparar tintas para desenhos e pinturas na época em que os portugueses começaram a explorar o Brasil. A madeira do pau-brasil é de alta qualidade, e usada para fabricar instrumentos musicais como violinos, harpas e violas. Que luxo!
Carlos Silva/CB/D.A Press
 
Região Sul – Pinheiro-do-Paraná

Mais conhecido como araucária, esse pinheiro bem diferente das árvores de Natal pode ter de 10 a 35 metros de altura, e a cada ano produz mais ou menos 40 pinhas. Quando madura, a pinha pode chegar a pesar até 5 quilos! Dentro delas estão os pinhões — que a gente come na festa junina. Sua madeira é usada na marcenaria, e a resina da casca do pinheiro entra na fabricação de alcatrão, óleos, vernizes e acetona, entre outros produtos.

Por que as árvores do cerrado são tortuosas?

Tudo bem que a árvore símbolo da região Centro-Oeste é o ipê-amarelo, retinho e florido, mas, na verdade, a maioria das árvores do cerrado é baixinha e retorcida. E por que será? De acordo com Vânia Regina Pivello, professora de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP), essa pergunta ainda não tem uma resposta muito definida. Uma das possibilidades é a de que as árvores do cerrado sejam retorcidas por causa dos incêndios que acontecem de tempos em tempos nesse tipo de vegetação. Na estação sem chuvas, de maio a setembro, a grama que recobre o solo seca pega fogo facinho, facinho. O fogo acaba atingindo as árvores também, e queimando as suas gemas. Calma, não é nenhuma mistura de árvore com ovo, não. As gemas são aquelas pontinhas de onde brotam os galhos da árvore.

— Quando o fogo queima as chamadas gemas apicais — aquelas que fazem a árvore crescer para cima —, os hormônios da árvore dão uma ordem para que apareçam mais pontinhas como essa na lateral da árvore, para compensar aquelas que foram queimadas, explica a professora Vânia. Assim, os galhos nascem para os lados, e não para cima, e a árvore vira baixinha e com os galhos tortos. 

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