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Correio Braziliense

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Magia projetada no telão

Centenas de alunos de Brazlândia e da Estrutural tiveram a experiência inédita de assistir a duas horas de exibição do Festivalzinho na Sala Martins Pena. Muitos estudantes de até 10 anos nunca tinham visto um filme na vida

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postado em 24/09/2013 16:00

Thalita Lins

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
A Sala Martins Pena do Teatro Nacional de Brasília ficou pequena para alunos de duas escolas públicas de Brazlândia e da Estrutural. Ontem, cerca de 600 meninos e meninas entre 4 anos e 10 anos ganharam uma sessão exclusiva do Festivalzinho do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Tudo era novidade para a maioria das crianças.
Muitos viram um telão de cinema pela primeira vez. Os olhos atentos tentavam decifrar de onde saíam aquelas imagens projetadas por meio do monitor, ao mesmo tempo em que acompanhavam a cada cena das películas. Eles gritaram, deram gargalhadas, aplaudiram e se emocionaram durante as quase duas horas de exibição de sete curtas-metragens e um longa. Deixaram a sala felizes com o que viram e prometendo voltar.

Aluno da educação infantil do Centro de Educação Infantil (CEI) 1 de Brazlândia, Murilo Farias de Carvalho, 5 anos, ficou surpreso com o tamanho do espaço. “Achava que era de outro jeito, que a sala seria menor e que não assistiria aos filmes no escuro”, contou o menino, sorriso à mostra. Entre os filmes, o que mais lhe chamou a atenção foi a ficção A mula teimosa e o controle remoto. “Todo mundo riu quando passou um menino puxando o cavalo, e o bicho que queria ir, aí o garoto bateu no animal com uma corda, e o cavalo soltou um pum. Foi engraçado”, disse Murilo, que nunca tinha ido ao cinema.

A surpresa foi compartilhada com Clarisse Cardoso de Amorim, 5 anos, e Kayo Gabriel Rodrigues da Silva, 4 anos, ambos alunos do CEI 1. “Foi legal, mas achei que tinha uma escada para conseguirmos ver os filmes, depois de subir até a tela”, disse Kayo. Aos 7 anos, Suelma da Costa Carneiro Araújo realizou um sonho. “O cinema é igualzinho ao que eu imaginei. Tudo aqui é legal. Não fiquei com medo de nada, nem do escuro”, confessou ela. A aluna do 2º ano da Escola Classe 2 da Estrutural disse não ter preferido apenas um dos filmes. “Gostei de todos e vou voltar com meus irmãos, meus avós, meu pai, meus primos e minha tia”, planejou.

Ansiedade
A estudante da escola da Estrutural Andrielem Santos Rocha, 8 anos, teve que assistir às películas um pouco mais longe, pois não havia rampas de acessibilidade para cadeirantes. A distância, no entanto, não a desmotivou. “Gostei mais do último filme (O rei de uma nota só e a borboleta azul)”, afirmou a menina. Os demais projetados foram Cadê meu rango, A grande viagem, O macaco e o rabo, Regando bigodes, Bud’s song time e O fim do recreio.

Os dias que antecederam a ida ao festival foram de ansiedade para a criançada. “Alguns pais relataram que os filhos nem conseguiram dormir direito pensando no passeio”, contou a diretora do CEI 1 de Brazlândia, Andréia Correia da Silva. “Eles ficaram maravilhados ao saber que iam ao cinema. Não paravam de me perguntar sobre isso”, acrescentou. Segundo a servidora, a experiência será aproveitada em sala de aula. “Eles (alunos) recontarão as historinhas, farão produção de texto coletiva e desenharão”, explicou Andréia.

O coordenador pedagógico da Escola Classe 2 da Estrutural, Antônio Santos Júnior, informa que, todos os anos, a instituição participa do festival. “Mandamos um ofício solicitando o passeio. Sempre tem uma criança que nunca teve essa experiência. No nosso caso, mesmo próximo do Plano (Piloto), o cinema ainda é uma incógnita para eles”, observou o educador.
Embora as crianças tenham se divertido, as exibições foram prejudicadas em razão da baixa qualidade do som e do áudio da Sala Martins Pena. O Festivalzinho deveria ter ocorrido no Cine Brasília, na Asa Sul. Segundo a assessoria de imprensa do evento, a troca se deu porque, na parte da manhã, o local é usado para testes.
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