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Tabela cai e provoca lesão em aluno

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postado em 24/09/2013 16:00

Maryna Lacerda

Carlos Vieira/CB/DA Press
A falta de manutenção nas escolas da rede pública fez com que uma atividade esportiva se transformasse em risco de morte para o estudante Adriano Medeiros de Almeida, 17 anos. O jovem teve a boca, o olho esquerdo e parte do rosto atingidos por uma tabela de basquete, no Centro Educacional 619, em Samambaia Norte. O acidente aconteceu por volta das 14h da última sexta-feira, quando a vítima participava da aula de educação física. Com a queda, perdeu três dentes superiores. Os inferiores ficaram deformados. A dúvida agora é se ele terá condições de fazer o tratamento de reconstrução dentária, bem mais caro do que a renda mensal da família.

O socorro demorou cerca de meia hora para chegar e, segundo a avó do garoto, a auxiliar de serviços gerais Maria de Fátima Quirino, o chamado foi iniciativa dos próprios colegas. “Pelo que me contaram, quem chamou a ambulância foram os outros estudantes, que estavam na quadra. O Samu não queria vir, porque não era caso de ataque cardíaco. Então, quem levou o Adriano para o hospital foi o Corpo de Bombeiros”, reclama.

O aluno recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Regional de Samambaia e, depois, acabou transferido para o Hospital de Base do DF. “No Base, o médico disse que pode haver rejeição dos dentes reimplantados porque demorou muito para ele ser levado para lá e passar pelo procedimento. Ele só foi chegar no fim da noite de sexta-feira”, queixou-se Maria de Fátima.

A avó, que cuida de mais sete netos e três filhos, não sabe como vai dar continuidade ao tratamento do garoto. “Os remédios são caros, e ele vai refazer todo o acompanhamento com a dentista agora. Ganho R$ 800 por mês, não sei como vou pagar isso.”
O acidente aconteceu a poucos meses de Adriano retirar o aparelho ortodôntico, usado há dois anos e meio. Por sorte, um amigo guardou os incisivos e o canino esquerdo arrancados pelo peso da pilastra de concreto. Eles foram imersos em água e, posteriormente, reimplantados na boca do garoto, em procedimento feito no Hospital de Base. “Na hora, eu senti muita dor, principalmente na boca e nas pernas. Achei que fosse morrer”, contou Adriano (leia Depoimento).

No CED 619, há tempos, a direção do colégio solicitava reparos no local. “A gente manda o pedido para a Secretaria de Educação, mas ela demora demais para responder e fazer algo”, afirma o diretor da escola, Tomaz Edson. “Eles chegam para fazer pequenos reparos e, há três semanas, vistoriaram as partes elétrica e hidráulica nas salas, mas, na quadra, nunca fizeram nada. Teve uma vez que eu tive que fazer com recursos próprios a troca da tubulação de gás, que estava danificada, deixando vazar o produto.”

Perícia realizada no fim de semana pela Polícia Civil encontrou pequenas rachaduras na tabela, o que pode ter facilitado a infiltração da estrutura. Como o bloco caiu por inteiro sobre o corpo de Adriano, acredita-se que seja um problema antigo. Depois disso, a Secretaria de Educação se comprometeu a reformar a quadra de esportes, segundo a subsecretária de Logística, Reuza Sousa Durço. “A quadra é antiga, tem mais de 18 anos. Nós vamos reconstruí-la, até porque uma escola em que estudam cerca de mil alunos não pode ficar nesse estado”, garantiu Reuza.

Carlos Vieira/CB/DA Press
Depoimento
“Eu estava jogando futebol, aí eu segurei lá (na tabela), mas não imaginava que ia cair, não. Aí, a hora em que eu segurei, o negócio caiu em cima das minhas costas. Não desmaiei, mas sentia muita dor na boca e nas pernas. Lembro que demorou uma meia hora para a ambulância chegar. Tinha uma professora e um funcionário da cantina ao meu lado, e eles falavam para eu não me mexer, porque o problema poderia ficar mais grave. No hospital, demorou um pouco, mas eu fui bem atendido. Eu recebi alta por volta da meia-noite de sábado e vim pra casa. A maioria dos meus amigos já veio me visitar, e alguns professores também. Já da Secretaria de Educação, ninguém veio até agora. Eu queria que o governador reagisse e se preocupasse com a manutenção das escolas. Acho que o meu caso foi um aviso para a falta de cuidados que existem em todas as escolas, acredito eu.”

Adriano Medeiros de Almeida, 17 anos, estudante do CED 619

Memória
O ala-pivô do time sub-22 do UniCeub/BRB David Meira, então com 19 anos, foi atingido por uma tabela durante um treino, no Ginásio da Associação dos Empregados da CEB (Asceb) (foto). O acidente aconteceu em 12 de julho, quando o jogador fazia enterradas. A estrutura cedeu e o feriu no pescoço e no ombro esquerdo. Meira sofreu duas paradas cardiorrespiratórias, foi internado no Hospital de Base do DF e morreu 10 dias depois por falência de múltiplos órgãos. A perícia feita pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) concluiu que a causa foi um “aperto inadequado dos parafusos de fixação do mancal direito do cavalete traseiro”. No dia da avaliação policial, faltava um dos parafusos no local. O ex-supervisor do UniCeub/BRB Luiz Henrique da Silva foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ele foi responsabilizado porque a atribuição dele era justamente cuidar da manutenção da tabela.
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