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Iniciativa da rainha do Qatar levou 2 milhões de crianças para a escola

Autoridades debatem o acesso a educação durante evento internacional de educação

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postado em 30/10/2013 17:00 / atualizado em 30/10/2013 18:42

Ana Paula Lisboa

Wise/Divulgação
Na manhã desta quarta-feira (30/10), no segundo dia do World Inovation Summit for Education (Wise), em Doha, representantes de organismos internacionais e a Sheikha Moza bint Nasser discutiram o futuro das 57 milhões de crianças que não frequentam uma sala de aula por fatores como trabalho infantil, falta de escolas em zonas de conflito, desastres naturais e casamento antecipado. Na Índia, por exemplo, 40% das meninas abandona a escola antes da 5ª série para se casar. Em visita ao Pará em setembro, a Sheikha, título equivalente ao de rainha, conheceu alguns dos problemas que afastam as crianças brasileiras dos colégios como criminalidade, drogas e isolamento de tribos indígenas.

Há um ano, a Sheikha do Qatar Moza bint Nasser lançou o programa Educate a child, que pretende reduzir a quantidade de crianças sem acesso a educação primária. Segundo ela, "não é suficiente apenas destinar recursos financeiros, é fundamental ser sensível, reconhecer e construir uma relação de confiança com os povos." Desde o lançamento, a iniciativa fez várias parcerias e beneficiou 2 milhões de meninos e meninas que agora frequentam a escola em 24 países, dentre eles Sudão, Quênia, Índia e Brasil. A meta é que o número suba para 10 milhões até 2016. Em terras brasileiras, o Educate a child mantem parcerias com a Associação Cidade Escola Aprendiz no Rio de Janeiro e com o movimento Todos pela Educação.

Criadora do Wise, evento internacional sobre ensino e inovação, a autoridade do Qatar acredita que uma das chaves para a mudança é considerar a educação como um fator financeiro. "As pessoas não entendem a importância da educação e não a enxergam como mecanismo de desenvolvimento econômico. Ela não precisa ser vista apenas como um direito. Com esta perspectiva, os líderes podem mudar as ações e dar o devido valor ao ensino", disse.

Secretário de estado do Ministério da Cooperação Econômica da Alemanha, Hans-Jürgen Beerfeltz, pensa da mesma maneira. “A educação desenvolve uma nação. Sou de um país que mudou drasticamente seu desenvolvimento graças à educação. O mesmo pode se passar no resto do mundo. A Alemanha está impressionada pelo trabalho da Sheikha e queremos trabalhar junto com o Qatar neste sentido”, garante.

O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) Gordon Brown exalta a contribuição da autoridade catariana: "Não há registro na história de alguém que tenha feito tanto pela educação quanto ela, que colocou dois milhões de crianças na escola." Segundo Gordon, porém, ainda há muito ser feito. "Não seremos a geração que terá todas as crianças nas escolas, mas tendo como inspiração o trabalho da Sheikha, podemos unir esforços de empresas, bancos, governos, professores e jovens para iniciar a mudança agora", acredita.

Das 57 milhões de crianças fora da escola, 28 milhões vivem em áreas de conflito. António Guterres, comissário para refugiados da ONU, avalia que para resgatar estas crianças, é necessário mais do que apenas alimentos e água. “A educação também salva vidas e precisa ser vista como uma carência tão urgente quanto as outras necessidades vitais”, declarou.

O Wise

O World Innovation Summit for Educaton foi criado em 2009 e é outra iniciativa da Sheikha Moza bint Nasser. O evento anual funciona como uma plataforma de troca de conhecimentos e construção de ideias inovadoras para o desenvolvimento da educação

* A jornalista viajou a convite da Qatar Foundation
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