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Correio Braziliense

EDUCAÇÃO

Maus-tratos e abuso na escola

Além de demitidas, professora e monitora de uma pré-escola de Samambaia são denunciadas. Ambas foram flagradas pelo pai de uma das alunas, que gravou as conversas delas com as crianças, os xingamentos e as situações vexatórias

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postado em 04/11/2013 09:58 / atualizado em 04/11/2013 09:03

Mara Puljiz
Uma mãe procurou o Conselho Tutelar de Samambaia Norte para denunciar maus-tratos ao filho em uma escola particular da QR 412. Ela deve formalizar a acusação na próxima segunda-feira contra uma professora, de 47 anos, e uma monitora, de 20, que aparecem em uma gravação agredindo verbalmente alunos de 2 e 3 anos. Em um dos áudios, as ex-funcionárias tratam as crianças com grosseria. “Quem quer

Os diálogos foram obtidos após o pai de uma aluna de 2 anos perceber mudanças no comportamento da filha e colocar um gravador na mochila da criança. Em mais de quatro horas de gravação, ele confirmou o abuso. Em um dos trechos, a professora e a monitora chamam uma criança de “chata” e “nojenta” (leia diálogos). As funcionárias também chamaram um aluno de “coisa horrorosa” porque ele estava chorando. Comentaram ainda que as crianças precisariam de uma sessão de “exorcismo” e que elas deveriam “ter jogado pedra na cruz por merecerem estas bençãos”.

Constrangimento

A grosseria se estende em diversos momentos captados pelo pai da aluna. A dupla ainda teria zombado de uma criança por ela ter esquecido o lanche em casa. Ao ouvir as gravações, o pai da menina ficou indignado. “Fiquei muito revoltado ao ouvir uma criança pedindo para beber água e, em vez de dar água, elas ficarem zombando da criança. Ouvi a monitora chamando a minha filha de nojenta só porque ela queria assistir o programa do Patati Patatá”, contou. Por causa da violência, a menina resiste em ir à escola. Agora, ela deve passar por tratamento psicológico.

Após a descoberta, o pai da criança procurou a escola e cobrou explicações. Em seguida, a professora, formada em pedagogia e pós-graduada em educação infantil, perdeu o cargo. Nesta semana, a monitora também acabou excluída do quadro de funcionários. A denúncia foi registrada na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) e no Conselho Tutelar da escola.

“Fomos ao colégio e percebemos que essas funcionárias estavam fazendo esse tipo de constrangimento havia algum tempo. Exigi que o proprietário demitisse a monitora na minha frente”, disse o conselheiro Abel Gramacho da Silva. As duas educadoras foram indiciadas por infringirem o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (leia O que diz a lei) ao exporem as crianças a situações consideradas vexatórias.

Inspeção
O diretor do colégio Senso, Westerlington Vieira, demonstrou surpresa com o comportamento das duas educadoras. “Essa professora, além de pedagoga, é pós-graduada. Fazemos entrevista e pedimos referência antes de contratar, mas não tenho nem palavras. Infelizmente, o ser humano está surpreendendo cada vez mais”, lamentou. Westerlington disse ainda que se trata de um caso isolado e que, depois disso, instalará câmeras nas salas da pré-escola em, no máximo, 15 dias.

A Secretaria de Educação do DF confirmou ter recebido a denúncia do Conselho Tutelar. Fará, assim, uma inspeção na escola nos próximos dias.

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