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EMPREENDEDORISMO »

Negócio se aprende no colégio

Organização não governamental internacional estimula estudantes do ensino médio a construir projetos inovadores. No Distrito Federal, somente este ano, a parceria entre jovens e empresários resultou em 12 iniciativas

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postado em 12/11/2013 14:00 / atualizado em 12/11/2013 10:50

Sheila Oliveira

Carlos Vieira
Apesar de não fazer parte do currículo tradicional das escolas, o empreendedorismo está presente como disciplina não obrigatória em mais de 150 instituições públicas e privadas do Distrito Federal. A iniciativa faz parte de um projeto da Junior Achievement DF (JADF), organização não governamental internacional, que objetiva despertar o interesse dos estudantes na criação de negócios inovadores, capaz de transformar a realidade onde vivem (leia Para saber mais).

Durante as aulas, ministradas por profissionais voluntários, os alunos do ensino médio são incentivados a abrir miniempresas e criar um produto sustentável para comercialização. Cada empreendimento conta com quatro áreas de gestão: finanças, marketing, recursos humanos e produção. Os jovens desenvolvem o projeto em 15 semanas, com um encontro semanal de três horas. Este ano, a JADF registrou a criação de 12 pequenos negócios nas escolas brasilienses.

Os estudantes do 2º ano do ensino médio do Centro Educacional Sigma Lucas Amitele, Mariana Guimarães e Maria Luisa Liotto, todos com 16 anos, participam de uma das miniempresas da JADF. O grupo de 23 estudantes criou um protótipo de capa para celular com compartimentos que podem ser usados como carteira. O produto é feito à base de papelão. “O nosso desafio era ter um produto sustentável com baixo custo de produção. Tivemos a ideia de utilizar o material descartado pela escola. Com isso, elaboramos uma mercadoria com custo final ao consumidor estimado em R$ 15”, explicou Lucas Amitele.

O projeto rendeu bons frutos para os estudantes. Antes mesmo do término da disciplina, o grupo recebeu propostas de empresários interessados em adquirir o produto. “Diante do feedback deles, adaptamos a produção. A nossa empresa teve sucesso e, com certeza, terá lucro”, comemora Lucas. “Eles aprendem, na prática, como funciona uma empresa, desde o processo de criação à produção, controle de metas, além, claro, do lucro. Alguns projetos não dão certo e os alunos são obrigados a concluir pela falência do negócio”, observa Olívia Völker Rauter, executiva da JADF.

Benefícios
Para Maria Luisa e Mariana, o maior benefício adquirido com a experiência de criar uma miniempresa foi a escolha da carreira profissional e adquirir conhecimentos, ainda que rudimentares, de administração financeira. “Aprendi noções básicas de finanças e de como manter o controle dos gastos, ensinamento que vou levar para o resto da vida. Segundo ela, outro aspecto interessante foi aprender a trabalhar em equipe e entender como isso é fundamental dentro de uma empresa. Qualquer coisa que se faça depende do trabalho de outras pessoas”, afirmou Mariana Guimarães. Maria Luisa Liotto disse que, antes de participar do projeto, estava indecisa em relação à escolha da profissão. “Mas, agora, estou certa da carreira que quero seguir e que está vinculada à comunicação.”

Desde 2004, quando se instalou no DF, a ONG criou 90 miniempresas com a participação de colaboradores e estudantes. Para cada projeto, são necessários quatro voluntários para atuar nas áreas de finanças, marketing, recursos humanos e produção. “O quadro de colaboradores é formado por professores, empresários e estudantes universitários, que desempenham atividades relacionadas ao tema. Eles são capacitados pela Junior Achievement para auxiliar os alunos do ensino médio. Essa troca é muito boa, porque possibilita o fomento de projetos reais”, detalha Olívia Völker.

A executiva da Junior Achievement no DF cita a empresa brasiliense de tênis personalizado Muv Shoes como a mais emblemática da experiência do empreendedorismo em sala de aula. “A empresa surgiu de uma ideia entre voluntários da Junior. Um deles, o Miguel Marinho, diretor comercial da grife, trabalhava com os estudantes por um semestre e saiu daquela experiência com uma ideia inovadora na cabeça. A iniciativa deu certo e culminou em uma empresa de calçados customizados”, conta. “O Miguel, inclusive, planejava prestar concurso público antes de abrir o negócio”, lembra Olívia. Hoje, a empresa tem representantes em quatros unidades da Federação, além do DF.
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