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Além dos velhos conteúdos

Divulgado com exclusividade pelo Correio, o Currículo da Educação Básica em Movimento, a ser implantado em 2014, tem como foco o ensino interdisciplinar e incorpora aspectos regionais às matérias tradicionais. Novidade foi moldada em debates com professores da rede

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postado em 18/11/2013 13:18 / atualizado em 25/11/2013 11:41

Manoela Alcântara

Gustavo Moreno
A educação básica do Distrito Federal terá novo currículo a partir de 2014. A Secretaria de Educação lançará, em fevereiro, uma proposta que tem como eixos fortes a construção da cidadania dos estudantes e a utilização de diferentes avaliações para corrigir pontos negativos e exaltar os positivos. Estão previstos também o ensino de conhecimentos populares de determinadas regiões, de forma interdisciplinar, dentro das salas de aula. As escolas terão autonomia para fazer projetos pedagógicos próprios, relacionados às especificidades de cada local.

Em Brazlândia, por exemplo, é possível intercalar o estudo da biologia com o plantio do morango, tratar dos saberes rurais e ainda trabalhar a cultura popular. Em uma cidade como o Cruzeiro, pode-se falar sobre a história dos cariocas que se instalaram em Brasília. Toda a complementação segue uma tendência nacional de ir além do currículo tradicional, de desenvolver não somente o lado cognitivo dos alunos, mas também o humano, o democrático. A intenção é formar seres humanos capazes de reconhecer, nas comunidades onde vivem, os valores construídos ao longo de décadas.

De acordo com a subsecretária de Educação Básica da pasta, Edileuza Fernandes da Silva, o documento a ser apresentado foi construído de forma inédita dentro da rede pública de ensino. “Não foram contratadas pessoas de fora para elaborar as diretrizes. Elas foram discutidas e validadas pelos professores da rede desde 2011. É um documento legítimo, nascido do debate”, explica. A subsecretária afirma que foram realizadas sete plenárias sobre o assunto, cada uma com duas regionais de ensino. Elas avaliaram o currículo e designaram delegados para analisar o projeto.

A secretaria recebeu respostas sobre os pontos frágeis e os positivos e adequou o Currículo da Educação Básica em Movimento, divulgado hoje com exclusividade pelo Correio, seguindo as coordenadas dos docentes. Os grupos de trabalho abrangeram profissionais da educação infantil; dos ensinos fundamental e médio; da educação especial; e da de  jovens e adultos.“Houve uma versão experimental, provisória, em 2010. Esta é uma diretriz que realmente atende a anseios dos professores”, diz Edileuza.

Proximidade
Cerca de 15 mil docentes foram treinados para pesquisar e planejar as aulas no novo modelo. Com a iniciativa, eles precisarão estar mais próximos dos alunos. A inovação estará na forma interdisciplinar de ensino. O currículo será aplicado a todas as etapas escolares até a conclusão do 3º ano do ensino médio, independentemente da forma de organização da instituição de ensino. Ou seja, a proposta vale para as escolas que aderiram aos ciclos, à semestralidade ou para as que forem de ensino seriado.

A aproximação com os diferentes núcleos do saber não será feita por um único professor, nem terá uma matéria específica. Será permeada na grade que já existe. “O nosso currículo traz também eixos transversais. É uma evolução do que era feito anteriormente. As mudanças da sociedade exigem que a gente olhe para elas”, afirma o secretário de Educação, Marcelo Aguiar.

Temas como a consciência étnico-racial, a sustentabilidade, os direitos das mulheres, entre outros, devem ser discutidos para a formação da cidadania. Essas iniciativas existem em algumas escolas do DF. Instituições exemplares conseguiram aumentar o interesse dos alunos para os assuntos vividos no dia a dia pela sociedade. A intenção agora é universalizar esse modelo. “Isso sem deixar de lado o currículo exigido pelo Ministério da Educação (MEC), os conhecimentos científicos necessários para a aprovação em concursos, vestibulares, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)”, lembra Edileuza.

Conteúdo nas mãos
O currículo será dividido em oito cadernos, com especificações para cada tipo e nível de ensino. Em fevereiro, os professores terão acesso ao conteúdo completo impresso; por e-book; no site da secretaria; e no tablet. Hoje, 4 mil docentes do ensino médio receberam o aparelho para melhorar a interação dentro da sala de aula. A intenção é que, até o ano que vem, os mestres do ensino fundamental também tenham o tablet. Os novos instrumentos já virão com o currículo instalado.
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