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Aula de tolerância e respeito

Iniciativa do Centro de Ensino Fundamental (CEF) da 306 Norte mobiliza a comunidade escolar em torno da cultura afro-brasileira

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postado em 25/11/2013 08:00 / atualizado em 24/11/2013 14:55

Camila Costa

Janine Moraes
 

Respeito ao próximo e às diferenças. Com o objetivo de plantar essa sementinha, a equipe de professores do Centro de Ensino Fundamental (CEF) da 306 Norte mobilizou alunos, pais e comunidade para conhecerem a fundo a cultura negra do Brasil. Inspirados pelo Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro (leia Para saber mais), alunos e professores produziram a 1ª Mostra de Cultura Afro-brasileira, com oficinas de arte, grupos de trabalho e uma exposição com informações sobre literatura, esporte, religião, música e estilo afrodescendente.

A ideia de realizar a mostra surgiu no ano passado, após uma das professoras da unidade de ensino ganhar o segundo lugar em um concurso de redação — o tema era Conscientizar para emancipar. “Ela me contou que o desejo dela era trazer esse debate para a escola e fazer um grande trabalho”, lembra a diretora do CEF da 306 Norte, Ana Paula Salim.

Cada turma recebeu um assunto, e os alunos se dedicaram ao projeto. Fizeram cartazes, pintaram quadros e bonecos e estudaram para explicar o significado de cada trabalho. “Uma mãe me perguntou como eu, referindo-se à minha pele, que é branca, poderia estar envolvida com uma causa negra. Aqui, nós abraçamos a causa e queremos uma galera mais consciente com o corpo e com a mente. E não só quanto à cultura negra, porque exercícios como esse envolvem de tudo um pouco”, disse Ana Paula.

A cultura de grupos étnicos do oeste africano foi o tema trabalhado com os pequenos. As turmas do 1º ao 5º ano elaboraram trabalhos com base no livro Obax, de André Neves, premiado autor de livros infantojuvenis. O escritor conta, por meio de uma menina africana, as dificuldades de viver na savana, mas sem deixar a alegria de lado. “Percebemos o preconceito pela fala das crianças, dos adolescentes e da família desses meninos. Tínhamos a necessidade de abrir o assunto e envolver todos eles”, afirmou a idealizadora da iniciativa, Marly Cortes. Professora de ética há dois anos no centro de ensino, a educadora quer recontar a história do negro de uma forma diferente. “Mostrar o negro não como alguém inferior, mas como quem foi escravizado, deu a volta por cima e venceu.”

Diferenças
Na turma do 6º ano, os alunos mergulharam na arte africana. Victoria Santiago e Larissa Santarém, ambas de 11 anos, descobriram que as riquezas do continente vão muito além da fauna e da flora. “Achamos umas esculturas muito legais e diferentes, e a gente aprende que ser diferente é bom. Além disso, é importante conviver com as outras pessoas”, disse Victoria. Larissa quer contar aos amigos que o português não é falado apenas no Brasil. “Não só aqui falamos assim, lá, também. O diferente também é bonito.”

A professora delas, Ana Maria Balan Buess, ficou impressionada com o interesse em sala de aula. “Eles trouxeram coisas de casa, acharam revistas que nem eu sabia, e a discussão que o Estatuto da Igualdade gerou foi muito legal”, avaliou. Curiosos em relação ao universo negro, os alunos do 7º ano descobriram as plantas, muitas medicinais, da África. “Eu não sabia que boldo e arruda eram plantas de lá. Aprendi com o trabalho e achei bom porque posso precisar no futuro”, argumentou Elisa Moraes Gonçalves, 12 anos. “A África não é só animal e pobreza. Tem muitas coisas boas, ricas e interessantes para descobrir”, afirmou Marcos Willian Pereira da Silva, também 12.

Para saber mais

Data de
reflexão


O Dia da Consciência Negra serve para refletir sobre a integração dos afrodescendentes na sociedade brasileira. A data coincide com a morte do último líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, em 1695. Os quilombos eram comunidades isoladas, na Serra da Barriga, para onde os negros fugiam do terror da escravidão. O local chegou a abrigar 20 mil habitantes. Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, dando aos negros o direito de ir embora das fazendas onde trabalhavam ou continuar vivendo com os patrões, como empregados. Porém, não como escravos.

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